Tuesday, July 2, 2013

Almoço e passeio da Casa de pessoal do IPL (junho de 2013)

Como já vem sendo tradição ano após ano, concretizou-se no passado sábado dia 29 de junho, mais um encontro dos sócios da Casa de Cultura e Recreio do Pessoal do Instituto Politécnico de Lisboa. Este encontro que já faz falta a quem nele participa tem funcionado com a inesgotável dedicação de pessoas que fazem das causas sociais parte integrante das suas vidas e com dedicação e gestos de carinho funcionam como elos catalisadores de encontros, convívio, cultura e confraternização. 
A essas pessoas nos nomes da Engenheira Maria da Graça, a srª D.Fátima, a Vanessa e Conceição, e naturalmente com o estimado e desejado apoio do sr.presidente Prof.Dr.Vicente Ferreira e do sr.administrador António Marques e aos participantes no encontro se presta esta simples homenagem expressa em palavras e imagens. Para além da enorme alegria que é voltar a ver rostos já conhecidas de encontros anteriores, a expectativa está sempre presente pelo cuidado que existe na organização e escolha do evento. O convívio, este ano programado um pouco mais tarde devido à necessidade estatutária de eleição de novos representantes, conduziu-nos até à magnífica península de Tróia. Após a necessária resistência para passar a ponte 25 de abril em dia de temperaturas previsíveis acima dos 30º c, a auto-estrada do sul levou-nos até à saída de Alcácer do Sal. Logo à frente a placa indicava na estrada à direita a direcção para a Comporta e Tróia. Apesar de ser um local já conhecido por alguns, outros havia que não tinham ainda tido a oportunidade de voltar a esta língua de areia dourada após a implementação do novo resort turístico. 
A primeira paragem do roteiro previsto levou-nos às Ruinas Romanas de Tróia e rapidamente fizemos um retrocesso no tempo tendo viajado até ao séc.I. A competente e simpática arqueóloga Inês conduziu-nos pelo complexo retratando de forma empenhada e tão real quantos os vestígios e as datações permitem, a vida dos povos que ali habitaram há cerca de 2000 anos. Em cada paragem foram dadas as explicações necessárias ao entendimento da organização das estruturas escavadas. Neste local existiu um agregado populacional dedicado à pesca e ao fabrico e exportação de conservas de peixe que manteve uma intensa atividade desde o século I até o século VI dC. Estávamos portanto na presença de uma antiga fábrica de salga de peixe com tanques de diversos tamanhos e orientações construídos à volta de um pátio central. Aparentemente existiu um período de intensa actividade económica com a construção de uma área de produção de grandes dimensões (cerca de 1000 m2) distribuída por 19 tanques e que laborou até meados ao séc.III mas depois percebe-se, pela arquitectura aflorada, que parece ter havido uma época de recessão em que o industria foi reduzida (séc.III ao séc.V) com a construção de uma menor área, cerca de 135 m2 distribuída por 9 de tanques de menores dimensões. No topo mais perto do rio e mesmo junto à área dos tanques de salga é visível uma zona de sepulturas, achado que aparentemente estranho pois não era permitido enterrar os mortos mesmo junto à fábrica. Parece que nesta altura já algumas leis “não seriam para cumprir”.
Aparentemente foi na segunda metade do século XVIII que foram realizadas as primeiras escavações arqueológicas nesta região e ao que parece patrocinadas pela infanta (e futura rainha) D. Maria I que com frequência atravessava o rio de barco em direcção ao seu palácio de fim de semana. Nestes trabalhos foram escavadas umas casas romanas (aparentemente tratava-se de uma casa apalaçada com 1º andar) na zona hoje chamada "Rua das Casas da Princesa", em homenagem à infanta.Em 1850 as escavações ganharam novo ímpeto com a criação da Sociedade Arqueológica Lusitana, que realizou trabalhos nas "Casas da Princesa", onde encontraram paredes com pinturas e pisos com mosaicos, entretanto desaparecidos.Mais recentemente foram levadas a cabo várias campanhas entre 1948 e 1967, nas quais foram escavados os banhos, as casas de salga, as necrópoles e a basílica paleocristã.
As cetárias, assim designados os tanques de salga serviam para a conservação de peixes, bivalves e crustáceos pescados do rio ou trazidos do mar e daqui distribuídos por todo o império romano abastecendo os grandes aglomerados populacionais incluindo Roma. Uma curiosidade é que as vísceras dos peixes eram devidamente separadas e seleccionadas e misturadas com ervas aromáticas, que após um tratamento de fermentação e maceração permitiam a obtenção do garum, uma espécie de pasta ou molho que servia para condimentar os alimentos.
A visita terminou na zona das termas onde nos foram explicadas as regras dos tão famosos banhos públicos que eram divididos em três zonas distintas: a zona fria, a tépida e a quente, com horários de funcionamento e preços distintos para homens e mulheres.
Debaixo de um sol intenso e já para lá da hora prevista para o almoço despedimo-nos da civilização romana pois esperava-nos no magnífico restaurante azimute do Hotel Aqualuz um belo repasto constituído por um delicioso buffet de feijoada de chocos e lombo de porco acompanhado de um magníficoe refrescante vinho da região de Setúbal, (Venâncio Costa Lima). Apesar de todos cobiçarem a extraordinária piscina do resort o tempo de digestão não permitiu tentadoras aventuras. No entanto osmais dinâmicos ainda tiveram algum tempo para percorrer os passadiços de madeira em redor do complexo de hotéis para daí disfrutarem de uma das mais belas paisagens do país. No regresso ainda estavam previstas as visitas à Adega da Comporta e ao Museu do Arroz. Na adega esperava-nos o simpático Tito que iniciou a visita guiada pelo enquadramento da herdade que se estende por 35 hectares com vinha que cresce num micro clima particular por ser influenciado pela proximidade do mar que mantém as temperaturas moderadas. 
Desta característica resultam óptimas condições de maturação que conduzem à produção de uvas com excelente concentração e equilíbrio. Após a vindima, que é feita manualmente, as uvas chegam à adega que é constituída por 3 salas distintas, sala de provas e uma loja de vendas, em caixas de 20 kg, onde sofrem o processo de transformação apoiadas por tecnologia moderna. Fermentam em lagares de inox cerca de 8 dias e depois desta fase o vinho desde para a sala inferior, apenas por gravidade, para cubas igualmente de inox com capacidade de 15000 litros. Os melhores lotes de vinho passam para uma terceira sala onde descansam em pipas de carvalho francês e americano, por cerca de 12 meses. Nesta adega produz-se maioritariamente vinho tinto, cerca de 30 ha e 5ha destinados à produção de vinho branco.
Os mais conhecidos no mercado são o Herdade da Comporta Tinto e Branco e já existe o Herdade da Comporta Rosé. 
Outra das marcas produzidas é o Chão das Rolas (tinto e branco) tendo o tinto uma cor granada intenso, apresentando-se ao aroma quente com fruta muito madura e ligeira sensação de compota. Ao sabor é cheio, suave com ligeiro acídulo e final de boca a manter alguma persistência. Alguns tiveram a possibilidade de provar alguns destes vinhos e na despedida muitos vieram “equipados” com algumas garrafas e packs especiais para que as provam pudessem continuar em casa. É de referir que muitos destes vinhos já obtiveram prémios nacionais e internacionais onde se destaca o International Wine Competition - Viena 2012. Na finalização do nosso magnífico dia de convívio esperava-nos ainda o museu do arroz junto ao edifício onde se encontra o famoso restaurante com o mesmo nome. 
Aqui fomos recebidos por uma colaboradora algo exótica no trato com os visitantes, impondo regras com determinação e audácia. Acabou por ser engraçado pelo tom e atitude algo bizarra com que se dirigiu aos presentes e como apresentou a explicação do museu, no seu lugar de porte atrás do balcão, referindo que não nos acompanharia por estar sozinha e cansada de falar. Basicamente a sua explicação resumia-se a descrever o circuito do arroz assemelhando-o a um carrocel por subir e descer em várias fases do processo de tratamento. O museu era muito interessante e muito elucidativo pois para além de prestar uma bela homenagem às gentes que por lá trabalharam, ainda mantem in situ todas as máquinas que laboraram em tempos e painéis explicativos com textos e fotografias do tempo em que por ali o arroz era rei e senhor.



Thursday, June 13, 2013

Lisboa, STº António, Marchas, Arraiais, Sardinhas, Bairrismo e Tradição

Diz a história que Santo António, de seu nome original Fernando de Bulhões, nasceu há 700 anos na cidade de Lisboa e que se tornou frade franciscano. A sua vontade de correr o mundo levou-o até França, 
Marrocos e Itália onde veio a falecer aos 36 anos na cidade de Pádua. A este homem santo são atribuídos os amores bem sucedidos e casamentos abençoados e duradouros. Mesmo para os não crentes, esta imensa tradição religiosa e cultural é bem recebida pois a participação nas comemorações tornam as festas bonitas e a integração das pessoas numa confraternização que não conhece opções políticas, escolhas religiosas ou tons de pele. Todos gostam e reúnem-se em convívio nos típicos bairros da cidade de Lisboa. Esta forte presença da cultural religiosa deste Santo eleva a cidade de Lisboa a capital da festa tradicional, unindo as pessoas, os bairristas e os passeantes numa confraternização pela madrugada fora que se inicia logo na noite de 12 de Junho com o ponto alto no desfile das marchas dos bairros na avenida da Liberdade. Gastam-se milhares de euros mesmo em tempos de dificuldade pois o orgulho dos bairros e o envolvimento das gentes que com fervor e dedicação se envolvem nesta causa não pode sair beliscado por qualquer questão, seja ela climática ou económica. 
Há um nome a defender, um cortejo para preparar e muitos participantes para engalanar, pois ao júri atento e exigente é preciso mostrar os trajes, as letras das musicas e dos pregões, os passos de dança tantas vezes treinados. Afinal é um orgulho participar na marcha e desfilar na avenida. Nesta noite os bairros históricos da capital vestem-se a rigor, decorando janelas, varandas e ruas. Um verdadeiro cartão-de-visita para os turistas que nos visitam nesta altura e uma noite de negócio e de convívio para os moradores do bairro. Este ano o 1º lugar foi arrecadado pelo bairro de Alfama. Como as marchas se prolongam pela noite fora e o tempo é de cansaço e de merecido descanso, aproveitamos para visitar Lisboa no feriado, fazendo turismo na nossa cidade que se mostra como uma das mais belas da Europa.
Começámos a visita pela zona do Beato onde um voucher nos levou até ao restaurante Prazeres do Beato sito na Caçada Duque de Lafões. Um espaço recente, limpo e acolhedor com um serviço agradável e uma ementa simples, cuidada e muito saborosa. A nossa escolha recaiu sobre as carnes de porco preto (pianinho e secretos) que muito apreciamos. Estava divinal! Saindo do beato em direção a Stª Apolónia, encontramos sem querer o bairro de Alfama. Tem um enquadramento estratégico a seguir à Graça e por cima do museu Militar. Percorrendo as ruas os nossos olhos são convidados a apreciar os pormenores da decoração das ruas e varandas, os chavões das roulottes de comes e bebes, das ruelas e arcos que aqui e ali enquadram  o Tejo, como só Lisboa sabe fazer. 
As ruelas são percorridas por gentes de todas as nacionalidades que de máquinas em punho, documentam esta mostra tradicional, provavelmente única no mundo. A nossa próxima paragem foi em frente à Casa dos Bicos onde foi possível estacionar sem dificuldade. A grande homenagem ao nosso prémio Nobel da Literatura, José Saramago, encontra nesta casa um museu com todo o espólio do escritor. Pelas ruas fora chegámos à Praça do Comércio. Antes uma fachada meticulosamente trabalhada despertou-nos a atenção. Sítio de culto em plena baixa de Lisboa, onde vale a pena visitar. Trata-se da igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, que foi destruída pelo terramoto de 1755, restando unicamente o portal ricamente decorado com
pormenores manuelinos com destaque para anjos, flores, esferas armilares e a cruz da Ordem de Cristo.Logo no virar da esquina a seguir à igreja abre-se a monumental Praça do Comércio, residência típica da maioria dos nossos ministérios. Ao contrário das outras praças de outras cidades da Europa que são completamente fechadas, a nossa praça oferece-se às pessoas e abre-se ao rio, entregando a margem sul numa estreita relação visual. Do lado esquerdo da praça quando se desce para o rio, encontram-se agora magníficos restaurantes e esplanadas convidativas, deixando para trás o peso da política ministerial e oferecendo a quem passa, sol, qualidade e qualidade gastronómica. Todos os espaços que visitámos são de grande qualidade arquitectónica pois estão instalados em edifícios emblemáticos com arcadas e magníficos pés de altura.
Percorrendo cada um deles, encontrámos o restaurante Museu da Cerveja, o italiano Nossolo, o Ministerium 
e o irreverente Can the Can. Neste último fomos convidados a entrar para apreciar a loja gourmet. Neste espaço reina a simpatia e a originalidade. Procurou-se re-inventar os produtos portugueses enlatados dos tempos dos nosso avós. Assim, a decorar as paredes no acesso à sala instalada numa mesanine, é fácil encontrar todo o tipo de latas com todo o tipo de produtos que fazem as delícias de que não conhece e de quem quer matar saudades do velhos tempos. Por lá estão as conservas de sardinha, as filletes de cavala, o atum Ramirez ou as latas de azeite Gallo, tudo genuína e orgulhosamente português. A nossa visita turística à cidade terminou com um passeio à beira rio no novíssimo e ainda inacabado Passeio das Naus que liga a Praça do Comércio 
ao Cais do Sodré. Mesmo com obras a decorrer vale a pena fazer este pedaço de caminho à beira rio. 
Os mais audazes molham os pés no velho Tejo, outros aproveitam o sol que despertou em homenagem ao Santo António de Lisboa. Quando ficar terminado este passeio vai ser complementado com um lago e jardins para deixar o Tejo à vista e a cidade com mais cor. Um verdadeiro passeio dos amores que o Tejo convida a percorrer! Viva o Santo António! De caminho até a casa e inspirado pela época e pelas festividades santas ainda houve inspiração para umas quadras populares:
Não nos peçam mais paciência
Para tanta austeridade
Mas venceremos com sapiência
Tamanha dificuldade
As sardinhas são o mote
A vontade, a razão
A noite pede o dote
Para cumprir a tradição



BTT 4 Estações

Thursday, April 25, 2013

OVIBEJA – Todo o Alentejo deste mundo

Aproveitando o forte impacto que o título da feira, na sua 30ª edição projeta, associada à grande vontade e prazer que é visitar o Alentejo, os seus costumes e tradições, estava lançado o mote para rumar a Beja. Neste dia 25 de Abril, altura em que se comemora o 39º aniversário da entrega de Marcelo Caetano a Salgueiro Maia, contávamos com uma enchente,  pois afinal para ter todo o Alentejo deste mundo reunido num só local, vale a pena fazer sacrifício. A verdade é que neste dia de liberdade com temperaturas a rondar os 26 graus centigrados em Beja e em Lisboa as gentes não abundavam pelo recinto feiral. Em tempos de austeridade, o povo, agora livre, está preso pela carteira pelo que as restrições e as decisões são pensadas e a escolha recai sempre sobre a decisão acertada, a da economia em todos os domínios. 
Como chegámos em cima da hora do almoço a primeira paragem foi direta para a zona da restauração onde,  já registado de outras edições, o olfato seguia os aromas até às carnes grelhadas, que nos abriam o apetite. Apesar de nesta mostra o Alentejo ser rei, a sua eterna grandeza permite receber as outras regiões com requinte e devoção. Desta forma podemos almoçar no restaurante académico que trouxe até ao calor do Alentejo a suculenta carne de Bragança. Quer a posta mirandesa ou a costeleta de vitela ou ainda a espetada são opções que se acompanham com batatas (com sabor a batata genuína) cozida com casca e couves. Vale a pena fazer tantos quilómetros para saborear este magnífico repasto. 
Depois de satisfeito o apetite temos a dispor todo o recinto da feira para explorar. De acordo com os gostos e as preferências pode ser apreciado o gado equino que é preparado a rigor com traje típico para as atuações nos picadeiros, maquinas e alfaias agrícolas ou pavilhões onde estão representados marcas e produtos de todas as regiões do país. O café foi tomado num quiosque de rua onde o café delta perfumava o ambiente e a estratégia para atrair os clientes, era um gigante prato com um dos melhores doces secos do alentejo, as raivas.  Este momento permitiu dirigir o interesse da maioria sobre o pavilhão dos queijos, enchidos, doces e licores. Por aqui perdem-se horas a apreciar e a degustar quase tudo. A simpatia das gentes enche a alma a quem abre o apetite só de olhar. Os aromas e os sabores permitem uma verdadeira e intensa experiência gastronómica. 
Por entre as dezenas de exposições somos convidados a provar azeite, queijos, enchidos e presunto. No meio de tanta diversidade tem-se orgulho no país que, mesmo vivendo sobre resgate financeiro internacional, mantém as tradições e a vontade afincada de manter a qualidade e a diversidade e até a originalidade. Nesse campo fomos surpreendidos pelos magníficos bombons de chocolate recheados com queijo no quiosque “Sabores da Idanha”. Simplesmente único e indescritível! A ideia nasceu de um projeto conjunto da empresa Sabores de Idanha em conjunto com a Escola de Hotelaria do Estoril. 
Esta mistura exclusiva e provavelmente única no mundo pode ser apreciada em  www.saboresdaidanha.pt que faz chegar a nossas casas o  sweet cheese. Os ingredientes desta maravilha gastronómica incluem chocolate negro, doce de figo e queijo de ovelha velho (queijo de Castelo Branco velho DOP). Sobre os bombons é possível colocar um logo a pedido do cliente que é construído e desenhado em manteiga de cacau. A ideia é tão intensa que já ultrapassou o território nacional e neste momento integra a lista de produtos que alcançaram a internacionalização. E de balcão em balcão a tarde escorre por entre as maravilhas que alimentam o estômago e a alma. Em cada esquina foi possível esbarrar com doces iniciativas como por exemplo, trufas de ginja ou licor de chocolate negro. 
Uma ingressão na região dos vinhos permitiu uma troca de palavras com uma enóloga sobre uma original e muito participada ideia que permitia a todos quanto o desejassem treinar o olfato em fileiras de essências que traziam até ao cérebro os aromas típicos dos vinhos tintos (trufa, fumado, cereja, amora ou violeta, entre muitos outros), brancos (manteiga, pão torrado, limão aroma a pêra ou lichia) e uma original maneira de mostrar os variados aromas dos vinhos em estado de  alteração (maçã reineta, couve-flor, sabão, rolha ou aroma a cavalo). Uma experiência a não perder! 
Depois de tantos pecados era tempo de voltar ao sol alentejano e no recinto da feira, por altura do meio da tarde já ecoavam os cantares alentejanos projetados pela voz de um grupo de crianças (Cantares do Alentejo) com timbre de rouxinol. Magnífico! Antes de terminarmos a visita ainda houve tempo para mais uma experiência “radical” diferente de tudo o que o Alentejo tem para oferecer. Foi possível passar dos quase 30 graus para os 7 graus negativos num bar de gelo que fazia as delícias de miúdos e graúdos. Claro que era uma experiência a não perder e depois de trajados a rigor com uma capa protetora, entramos num ambiente que trazia até ao Alentejo o ambiente no norte do mundo. Mesas e bancos de gelo e claro, vodca. 
Foi uma visita intensa para todos que permitiu momentos fotográficos únicos. E assim vivemos num só local todo o alentejo deste mundo e um pouco daquilo que o mundo trouxe até ao Alentejo. 

Wednesday, March 20, 2013

Alentejo Marmóris Hotel & SPA (Vila Viçosa)

A crise já vai longa como longa e penosa vai a adaptação a esta nova realidade que obrigou a maioria dos residentes da velha Europa, do sul, a um volte-face para enfrentar uma nova e real dimensão da vida projetada e agora pensada ao dia e ao cêntimo.
Esta nova dinâmica baseada numa economia que passou da esfera macro para a micro economia das famílias obrigou a um repensar sobre toda a estrutura da vida diária e a pensar no futuro, agora incerto e sem esperança. Esta dança da economia, qual verdadeira montanha-russa, obriga necessariamente a novas formas de viver, fazendo emergir, qual seleção natural, grupos que se adaptaram às novas forças do engenho e aqueles que, numa espiral de desadaptação e de desintegração, foram excluídos do jogo ou simplesmente não aceitam a nova condição de viver nos loopings da velha montanha de aço.
Desta forma, são poucos os que ainda mantém a capacidade económica para fazer frente aos pequenos luxos que a vida reserva para fazer deste percurso, uma trajetória menos penosa. Como diz o velho ditado popular, “parece que há males que vêm por bem” e esta degradação do poder político que nos arrastou para o caos económico, obrigou-nos a repensar de novo na importância da economia doméstica, nas poupanças e na importância extrema que constituem hoje o estabelecimento e as tomadas de decisão em relação às prioridades. 
Mesmo assim, no meio de todo este contexto desfavorável assistimos ainda ao nascimento e renascimento de projetos de pessoas de coragem que arriscam neste clima austero e fazem surgir projetos que constituem uma benção e um rasgo de esperança nos dias que estão para vir. O Alentejo Marmóris Hotel & Spa é um desses sonhos, agora tornados realidade pelas mãos e pela coragem dos seus administradores, srª Drª Mariana Alves e sr. António Alves. Este casal de empreendedores, proprietário de pedreiras de exploração de mármores assumiram os riscos fazendo nascer um projeto único no mundo, numa terra única no mundo, diferente de tudo no mundo. Para quem, como nós, aprecia viver a vida com pequenos momentos de encanto, não é difícil encontrar e acompanhar as ideias e os projetos que tornam esses momentos de lazer em momentos únicos que trazem mais encanto à vida.
Com os meios hoje ao dispor a divulgação destas obras torna-se contagiante e acessível aos mais atentos. Foi desta forma que encontrámos o hotel, estabelecendo a prioridade de o visitar logo que se conjugassem numa mesma fórmula a disponibilidade financeira e o tempo. Antes de qualquer reserva é sempre feito um pequeno trabalho de investigação para perceber a caracterização dos espaços e o contacto virtual com as primeiras imagens e pormenores locais. Ultrapassada essa fase, contam-se os dias para viver mais um momento de grande glamour. A chegada a Vila Viçosa fez-se de forma serena com a tranquilidade que uma viagem de lazer merece. Recordamos sempre esta magnífica vila desde a primeira visita há mais de 15 anos. Aquilo que melhor recordamos foi um magnífico repasto com que fomos abençoados num restaurante do qual já nem o nome nos conseguimos lembrar. O pitéu foi uma sopa da panela elaborada com ervas aromáticas e galinha caseira que ficou para sempre na nossa memória.
Chegámos debaixo de chuva mas o calor ambiente e humano com que fomos recebidos fez milagres e depressa esquecemos o tempo frio e cinzento que se fazia sentir. O mote para estabelecermos um diálogo caloroso com os colaboradores foi o nome erro no processo de reserva. Passei de Carlos a Calos Gonçalves. Achei simpático propondo logo o up-grade de um tratamento de podologia no spa (risos gerais). O colaborador José Feijão desfez-se em desculpas referindo que ele próprio também se chamava Calos, daí a gaff. A partir deste momento de boa disposição, tudo, mas absolutamente tudo foi irrepreensível. Fomos convidados a tomar um licor à escolha entre vários. Arrisquei o de geripapo que desconhecia em absoluto mas que me deixou rendido pela sua textura e sabor.
É espesso, adocicado com um fundo de boca macio e delicioso! A seguir a este momento delicioso que foi por nós aproveitado para ir colocando questões ao competentíssimo e muito cordial Artur, sobre a história do hotel, origem dos mármores e tantas outras curiosidades, fomos abençoados com uma visita guiada e muito personalizada podendo visitar as várias tipologias de quartos e suites.
Este primeiro momento de contacto e de verdadeira integração, foi todo ele estabelecido no grande salão contínguo ao lobby, onde, claro, o mármore é rei e para além daquele que é nacional, os pilares são ornamentados com mármore preto Portoro proveniente de Itália. Ficámos maravilhados com tanta beleza e criação artística nunca vistas nas muitas viagens, hotéis e resorts que temos a felicidade de ter no nosso curriculum de viajantes. O grande impacto deu-se logo na entrada do hotel onde o símbolo criado para o hotel “o m” brilha incrustado num mármore preto proveniente da Bélgica. Quando nos foi mostrado o salão rosa percebemos que estávamos num autêntico ambiente de charme, rodeados de história e num museu inteiramente dedicado ao mármore. 
Aqui predomina o mármore rosa El Rei, convenientemente enquadrado com o mármore pele de tigre da Lagoa de origem nacional e o amarelo Siena que desenha uma moldura ao redor do pavimento. Com o auxílio do brilho proveniente dos magníficos candeeiros e a projeção dos espelhos este espaço ganha dimensão e vida própria fazendo antever que ali se podem construir projetos e realizar sonhos dignos de momentos reais. O lobby é uma verdadeira homenagem a esta pedra metamórfica gentilmente construída pela natureza. Aqui predomina o mármore branco El Rei de origem nacional, o rouge Languedoc proveniente de França, o amarelo noche com origens turcas e o verde escuro da longínqua Indía.

Na continuação da visita os sentidos ocupavam-se com as cores, a arquitetura e os estilos. Nos quartos predominam os tons cinza, as cabeceiras de cama clássicas e de estilo contemporâneo. Os pormenores e as características diferenciadoras dos vários espaços foram-nos sendo apresentados pelo Artur que dominava os detalhes e as curiosidades. Ficámos a saber que não existem duas salas de banho iguais, entre as 45 que integram cada um dos quartos e suites, as designações dadas às várias suites, as nomenclaturas e proveniências dos vários mármores que se diferenciam pelas cores e disposição dos seus minerais que, em locais próprios e distintos ornamentam colunas, pavimentos, projetam flores de inspiração original ou formam rosáceas sobranceiras às portas ou colunas. 
Em todos estes locais podem ser observadas sempre em notável harmonia as várias tonalidades de mármore quer seja o Onyx Nacre ou Onyx Gialio provenientes do Irão ou o Languedoc francês. A suite Royal é um espaço único onde a grande atração é a sala de banho onde a zona de banho foi esculpida a partir de uma peça única em mármore com 4 toneladas. O desenho, a arquitetura, as cores e os estilos transporta-nos para ambientes quentes de inspiração muçulmana.
Como o desígnio deste hotel é a diferença não pudemos deixar de nos encantar com a originalidade dos candeeiros dos quartos que logo nos fizeram lembrar a arte muçulmana que encontramos em países como Marrocos ou Tunísia. 
Trata-se de uma peça em “latão” trabalhada com orifícios que desenham um padrão e que deixam passar a luz por entre as minúsculas aberturas. Outra peça única e exclusiva é um espelho com uma moldura clássica que serve não só para refletir mas também integra a TV em formato LCD.
A visita terminou no Stone SPA, uma verdadeira obra que a natureza construiu e o Homem projetou trazendo das profundezas de uma jazida de mármore o brilho e o conforto dos banhos quentes em tanques esculpidos na pedra de onde borbulham sensações de leveza e saúde sempre com as paredes originais com as suas escorrências a enquadrarem o ambiente e a mostrarem o poder dominador da natureza.

A piscina reparte as suas águas entre o ambiente confortável do interior do edifício e o exterior onde a água sempre aquecida permite satisfazer os mais corajosos em banhos ao ar livre mesmo em dias mais frios. O pátio interior onde esta se encontra foi projetado para parecer o interior de uma jazida de mármore com blocos projetados e sobrepostos na mesma disposição e formato com se de uma jazida original se tratasse. Dormir neste conforto é uma experiência única, como único é o pequeno-almoço. Este é servido no restaurante Narcissus onde o ex-libris é uma mesa construída a partir de um bloco de mármore extraído da jazida dos proprietários e onde foram aplicados suportes e um vidro.
É daqui que se escolhem os produtos e se misturam os sabores sempre com o apoio dos funcionários que são exemplares no trato com os clientes e nas sugestões da carta de quentes. Provámos os ovos mexidos com ervas aromáticas e alguns crepes que simplesmente recomendamos. Também aqui esta deliciosa refeição ao arrancar do dia se pode selar com uma taça de champagne que combina com uma deliciosa fatia dourada ou um bolo à escolha num brinde à vida e ao sucesso de projetos como este.
O hotel foi edificado num edifício que outrora foi um lagar de azeite e que hoje propicia momentos memoráveis que merecem ser comemorados nesta pérola do património hoteleiro de Portugal.
Na despedida escutámos o futuro pelas palavras da Cláudia, assistente de direção, que nos aliciou a voltar uma próxima vez e integrar uma das rotas previstas quando estiver ultrapassada a fase de soft-openning da unidade. 

Será então possível reservar programas que poderão passar pela rota dos castelos, rota dos vinhos, rotas das cores do mármore ou assistir a um concerto de música no interior de uma pedreira. Motivos não faltarão para voltar a viver momentos de luxo e felicidade.

Monday, March 11, 2013

A place inside the city (Lx Factory)

Lx factory, uma designação carregada de estrangeirismo porque soa bem, porque traduz tudo o que lá tem, porque é preciso mostrar ao mundo o que se faz por cá, já agora numa linguagem que (quase) todos entendam.
Alvo de inúmeras reportagens, o espaço mostra que dentro de portas há, como sempre houve, muita imaginação e adaptação a novas e muito diferentes realidades. O local escolhido para tal experiência situa-se em Alcântara ali para os lados do largo do Calvário, na rua Rodrigues Faria número 103. Sabe-se por aqueles que conheceram e pelos que nada sabem mas que têm curiosidade em saber, que o espaço foi outrora o coração de uma grande indústria topográfica. Prédios altos, extensos armazéns paredes direitas e nuas. Tudo está por embelezar e modernizar. As paredes exteriores são antigas como antigas são as construções que lhe dão forma, os passeios, as ruas e toda envolvência. Ao entrar para lá do portão, depois de uma prova de paciência para tentar estacionar, o passeante fica verdadeiramente surpreendido. Em cada esquina, em cada rua, por cada sítio para onde se olha, o sentido é de espanto. No meio dos velhos armazéns onde se produziram os cartazes e os panfletos de antigamente, hoje pomposamente designados de outdoor, folhetos ou flyers, reina a diversidade, a imaginação e a adaptação de espaços absolutamente espantosos.
Quem aqui “vive” ou, os que lá “moram”, designados de residentes, disponibilizam para quem os quiser visitar, áreas tão distintas que vão desde a arquitectura ao design, passando pela restauração, comércio, publicidade, moda, artes plásticas e performativas, música, novas tecnologias, comunicação e marketing, entre outras. Mais informações em http://www.lxfactory.com/PT/residentes/. Quando se entra neste local é-se invadido por uma mistura de sentimentos que nos transportam além-fronteiras para locais tão próximos mas tão distantes e peculiares como são os velhos mercados londrinos, por exemplo. Cada esquina é um mundo a descobrir, recantos e paredes para explorar. O conceito, à luz da linguagem moderna é marcadamente alternativo. Não existe uma disposição por áreas, pelo que, na mesma rua convivem side by side restaurantes, lojas de comércio ou livrarias.
O propósito da visita a esta aldeia do futuro dentro da velha e magnífica Lisboa, era naturalmente conhecer o espaço que há muito era acompanhado pelas notícias e reportagens do media mas também para alimentar as saudades de um bom repasto à tradicional moda italiana. O restaurante referenciado pela amiga habitual destes bons momentos da vida, a Susana, era a mesa (www.amesadolx.pt). Eu diria que outro nome adequado ao espaço e compreenderão pela descrição que se segue seria “à mesa”. De um chefe seu conhecido, que se tornou amigo, o local não poderia ter sido mais bem escolhido. A primeira impressão quando se entra e que marca é o requinte inovador criado pela união do passado com o presente. Logo à entrada, a peça que se apodera de nós é uma velha cadeira de barbeiro.
Sim, uma cadeira que certamente já serviu para cortar muitos cabelos e barbas, daqueles verdes com manípulos cromados, ali na entrada virada para os visitantes. Na parede próxima da cadeira um cartaz original com frases e números conta a história do 1º ano do restaurante. Depois deste impacto aprecia-se o espaço que se encontra discretamente reservado com uma fileira de canas de bambú e sofás antigos instalado de forma a parecerem uma sala vintage onde não falta o telefone de disco que faz as delícias das crianças da era dos smarphones. A partir daqui encontra-se um casamento perfeito entre o vintage e o moderno. O espaço comensal é constituído por uma única mesa, enorme, que ocupa toda a parte central do restaurante com formato rectangular. À voltada mesa e para quem gosta de apreciar podemos deliciar o olhar com uma máquina de café vintage, uma fiambreira do outro século, uma velha batedeira eléctrica, estantes anos 80 com livros e cabides forrados a napa.
Todos estes objectos fazem parte do meu passado e da minha infância pois cresci no mundo da restauração e ainda hoje me recordo o quanto era engraçado e por vezes desajeitado, adaptar o manípulo da máquina para que o café saísse sem borras. As cadeiras à volta da mesa são inúmeras, antigas e quase todas diferentes e cada cliente que chega ocupa um espaço na mesa comum em frente a um pedaço de tecido quadriculado que lhe serve de toalha ou toalhete. No decorrer da noite a mesa vai ficando preenchida de pessoas distintas e de diferentes opções gastronómicas num ambiente que faz lembrar as mesas festivas das famílias portuguesas de gente numerosa. Os menús são apesentados em páginas de livros antigos onde foram coladas as ementas, apontamento muito original. O destaque na ementa é o nome dado às pizzas.
Cada uma designa-se através do nome de um bairro lisboeta. Ficou por saber como se ligaram os ingredientes aos nomes dos bairros. Assim não é de estranhar ver por lá a pizza bairro alto, lapa, campo de ourique ou são bento. O sabor, esse é dos deuses, massa fina, estaladiça, os queijos a derreterem-se na boca. Outro aspeto sui generis é que se pode comer simplesmente à mão, sem talher nem prato, apenas palitando os diversos pedaços das variadas pizzas que pedimos. Uma experiência única que nos preenche o corpo e reconforta a alma. O toque final, olhando para um e outro lado da mesa era a de encetarmos conversa com as pessoas ao nosso lado. Esse aspeto por nós comentado e tão típico da tão tradicional abertura e simpatia portuguesa não foi conseguido transformando aquele jantar de proximidade em múltiplos diálogos pouco direccionais. Uma pena pois transformaria aquela experiência em algo verdadeiramente único. Certamente este comportamento é fruto destes tempos em que pessoas se isolam cada vez mais no meio das gentes transformando o ser humano num ser sozinho e solitário apesar de viver rodeado de gentes. No final tivemos oportunidade de conhecer o chefe que irradiava simpatia e que nada se importou de nos prendar com uma foto para recordar.
Antes da hora reservada para o nosso jantar tivemos oportunidade de visitar um espaço único onde se podem encetar experiências como sejam ler um livro, tomar um copo, ouvir música ou mesmo assistir a um evento científico com um cientista experimentador. Chama-se Ler Devagar! Trata-se de uma livraria única num espaço onde o tecto se encontra a vários metros de altura. Aqui funcionava a antiga gráfica Mirandela e ainda lá se podem observar as máquinas que dedicadamente desempenhavam as suas funções. As estantes ocupam as paredes do chão ao tecto e para que as obras possam ser apreciadas existem diversos caminhos e escadarias desnivelados que permitem passear por entre estantes repletas de obras, expositores com cd e leitores portáteis, cadeiras, sofás e mesas onde simplesmente nos podemos perder entre uma música que escolhemos, um livro que desfolhamos e um copo que complementa a nossa experiência . Um espaço para visitar devagar, apreciarcada detalhe e usufruir de momentos únicos.

Saturday, December 8, 2012

Presépios com sal (Salinas de Rio Maior)


Com a intenção de procurar um pouco do espírito natalício da época que agora se aproxima, ocorreu-nos visitar, após uma informação obtida na net, Rio Maior e a sua tradicional e magnífica “aldeia salina”. 
A deslocação às salinas de Rio Maior ocorreu-nos por altura do aniversário da nossa sobrinha que estuda na Escola Superior de Desporto de Rio Maior. Juntando o útil ao muito agradável cumprimos a visita à muito prometida e aproveitámos para apreciar o artesanato e as construções em sal magnificamente distribuídas por uma aldeia típica com casinhas em madeira e onde a grande atracão são os produtos elaborados à base o sal proveniente das salinas. Nesta época destacam-se os presépios construídos em puro sal e alguns com matérias mistas que passam também pela madeira e alguns elementos verdes da região.  
O resultado é magnífico pois aguardava-nos um conjunto de lojas perfiladas por uma rua ao lado dos talhos das salinas, toda em madeira e decorada com motivos natalícios. Como íamos com muita expectativa apreciámos cada detalhe. Iniciámos o nosso passeio pelo posto de turismo local onde a funcionário nos resumiu de forma muito agradável e simpática a origem geo-morfológica das salinas. Parece haver referências às salinas desde 1177 e que o rei D. Afonso V teria sido proprietário de alguns talhos (pequenos espaços com formato geométrico de quadrados ou rectângulos separados com divisórios em cimento ou pedra, de pouco profundidade, onde a água salgada repousa para a sedimentação dos cristais de sal. 
A separar estes talhos existem pequenos carreiros por onde os marinheiros circulam por entre os compartimentos) e que recebia um quarto de toda a produção tendo o monopólio da sua venda. As origens geológicas das salinas parecem estar relacionadas com a presença de mar, acerca de 200 milhões de anos por aquelas paragens. Ao que parece aquela região foi outrora uma bacia sedimentar marinha cuja transformação originou em grandes quantidades o mineral designado de sal-gema Denomina-se sal-gema ao mineral constituído por cloreto de sódio, cloreto de potássio e cloreto de magnésio que jazidas na superfície terrestre. 
O termo é aplicado ao sal obtido da precipitação química pela evaporação da água de antigas bacias marinhas em ambientes sedimentares. Numa quota superior parece ter havido condições para a formação de calcários, rocha sedimentar friável que, em contacto com condições de temperatura e humidade mais adversas se vai desgastando permitindo a formação de magníficas formações rochosas em ambiente subterrâneo. Estas grutas permitem uma maior permeabilização do sub-solo fazendo com que as águas se infiltrem e cheguem a níveis mais profundos contactando com o sal-gema e fazendo a lavagem deste mineral até um poço central de onde, depois a água é bombeada para os talhos. 
A água que chega a este poço/nascente, é 7 vezes mais salgada que a água do mar. A água que chega a este poço central vem carregada de sal puro numa concentração de 97,94%, que depois é retirada e até há bem pouco tempo era com picotas ou “cegonhas”, engenhos de desenho Árabe, povo que os introduziu na Europa. Posteriormente o sal é recolhido nos talhos pelos marinheiros (designação dada aos salineiros). 
O poço tem 9 metros de profundidade por 3,75 de diâmetro. A distribuição da água pelos talhos obedece a regras ancestrais e todo o trabalho continua artesanal mantendo uma dinâmica sazonal. É na altura do verão que a população das redondezas desce a Serra dos Candeeiros e se prepara para a tarefa milenar do “sal sem mar”.Pela aldeia de madeira podem apreciar-se produtos tão diversos como sal de diferentes granulometrias, flor de sal, sal misturado com ervas aromáticas e muitos outros produtos. Também existem uma diversidade de outro produtos artesanais feitos de madeira e tecido. 

Não faltam por lá cafés e esplanadas onde se podem apreciar as iguarias locais. Não faltam também o mel, o azeite, os pães com chouriço, o rico pão de Rio Maior e os brindeiros (bolos secos) feitos com mistura mel, pinhão e amêndoas. Para  não fugir à tradição almoçámos mesmo na aldeia no restaurante solar do sal onde diziam os locais, se conseguíssemos mesa teríamos oportunidade de provar o melhor frango das redondezas, e não estavam enganados.