Saturday, March 26, 2016

Páscoa em Almograve

E ste post começa com a descrição de uma história. Não é uma história com o início de “era uma vez…” mas poderia ser. As histórias que têm este tipo de iniciação reportam-nos habitualmente para fábulas que os seus autores criaram e escreveram com o intuito de passar uma mensagem. São histórias que contam histórias de um tempo que já passou e cujas personagens vivem dramas ou histórias de encantar, a maioria delas com um final feliz. A história que se segue, é composta por alguns destes princípios mas não é alimentada por nenhum personagem ficcional mas sim por um personagem principal, aproximando-nos de forma humilde e superficial de alguns dos episódios da sua vida. Foi construída para fazer parte de um concurso para o dia do pai, mas não venceu o primeiro premio, mas venceu por ter saído do arquivo da memória e nos enriquecer com os momentos de uma vida. Coloco-a como texto inicial do post porque o meu pai é a figura principal dos momentos em família nestes dia de Páscoa. Contagia-nos com a sua coragem, espírito animador e positivo, o seu incontornável gosto pela gastronomia e pela graça do convívio familiar.
“O Toninho, o Tono, o António
O Toninho nasceu no ano de 1935 numa aldeia perdida entre as dunas e a várzea da costa 
alentejana, hoje património de paisagem natural protegida. Nos anos 30 esta aldeia transpirava miséria e pobreza, a par com a humildade das gentes que lá viviam e da imaculada beleza natural que ainda hoje preserva. O Toninho nasceu numa casa pobre onde não havia chão e pelo telhado entravam as pingas da chuva empurradas pela brisa marinha. Foi registado dias após o nascimento, porque da aldeia para a vila mais próxima, não haviam estradas e o percurso, que ultrapassava os 20 km, fazia-se a pé por dentro de ribeiros e lamaçal. No assento de nascimento ficou apenas o nome da sua mãe e, no lugar do pai, foi registada a frase “filho de pai incógnito” que era o modo como na altura se desresponsabilizavam os pais de se responsabilizarem pelos filhos que geravam. É curioso que ainda hoje este vazio paternal acontece no nosso país. A fome era uma constante. O alimento que mais abundava eram as papas, pitéu gastronómico da altura, fabricado com farinha de milho. O Toninho detestava papas, mas, ou comia o apanhava tareia. Para se tentar livrar às pancadas que lhe deixavam o corpo dorido, procurava dentro da boca, locais para esconder a 
mistura culinária, sem a engolir. Frequentemente adicionava-se leite às belas papas de milho mas nem assim aquilo era fácil de tragar. O leite sabia bem se fosse ingerido puro, sem mistura mas esse privilégio o Toninho não tinha. De noite dormia no chão de terra e alternava a aridez do soalho com a dureza de uma arca de madeira, com os irmãos. Teve febres (sezões, era como na altura se designava a febre) que quando começava ninguém sabia como iria terminar, sentiu-se a morrer mais do que uma vez. Cresceu a trabalhar como moiral (nome que se atribuía a quem cuidava de vacas, ovelhas e porcos (vulgo-pastor)). Gostava desse trabalho porque quem o contratava habitualmente também lhe dava de comer. Apesar da miséria em que vivia teve direito a frequentar a escola até à 4ª classe (4º ano atual), quase sempre descalço, pois não havia dinheiro para sapatos. Era um aluno esperto mas por vezes a fome fazia-o distrair-se e a professora não hesitava um 
segundo e batia-lhe nas mãos com uma régua de madeira. Era feliz à sua maneira. Já homenzinho abandonou a aldeia e fez-se à cidade onde conseguir trabalho como vendedor. Era determinado e trabalhador. Conheceu a Maria de Jesus com quem casou e com que constituiu a sua família, da qual eu faço parte como 2º filho. Passados uns anos, já por meados da década de 60, rumou à grande Europa, desconhecida e longínquo na altura. O país que o acolheu foi a Alemanha Ocidental, ainda dividida pelo muro de Berlim da Alemanha Oriental. Foi sozinho, mais tarde veio buscar a mulher e quando as saudades já não o deixavam dormir veio buscar os 2 filhos que já tinha. A vida na Alemanha constituiu para 
mim um notável período da minha vida. Como era criança, vivi tudo muito intensamente, aprendi a falar alemão e ao frequentar a escola incorporei os valores daquele povo e daquela sociedade. Ainda hoje me pauto por muitas regras sociais com as quais aprendi a crescer. As vindas a Portugal faziam-se a bordo de uma Volkswagen carocha beije, que percorria mais de 2 mil quilometros sem plano de viagem, apenas de mapa na mão. O objectivo era gastar o mínimo de horas possível para aproveitar o máximo de tempo de férias. O Tono conduzia de noite e de dia e só encostava quando o peso das pálpebras o atraiçoava. Não havia tempo nem dinheiro para pernoitar numa pensão. O descanso era no sítio onde lhe parecia mais seguro, habitualmente dentro de uma cidade, apenas com o banco encostado para trás. Recordo-me desses tempos em que durante a viagem eu e o meu mano 
íamos literalmente aos pinotes no banco traseiro. Cinto de segurança era coisa que não se sonhava por essa altura. Felizmente o Tono, que deveria ter uma proteção divina, sempre conduziu a família por bons caminhos. Os tempos em Portugal eram de pouco descanso pois havia uma obra para orientar. Uma casa que viria a ser o projeto de vida do menino Toninho, agora o António, homem de família.
Na Alemanha trabalhou na Daimler-Benz, conceituada fábrica dos automóveis mercedes, em Stuttgart, no sul da Alemanha. Depois de mais de uma década de trabalho com o propósito de construir uma vida em Portugal, alugou uma carruagem de comboio e por altura do nascimento do 3º filho, regressa de vez a Portugal para dar andamento ao seu projecto de vida. De regresso à terra onde nasceu, sem qualquer ressentimento pela vida miserável que teve, tinha o propósito de contribuir para o crescimento quer da sua vida que da vida da aldeia. Dinamizou então um projecto comercial 
com um restaurante e uma pensão, mesmo junto às dunas de areias douradas daquela aldeia que cresceu privilegiada junto a uma magnífica praia que hoje integra roteiros turísticos internacionais. O projeto foi um grande sucesso. A decoração era ousada e diferente e o António e a sua mulher, com um talento especial para a gastronomia, fizeram daquele local um espaço de referência incontornável nas décadas de 70, 80 e 90 (quase como a M 80). O trabalho era árduo mas compensatório e a vida do Toninho foi atingindo objetivos de estabilidade familiar e financeira. Permitiu aos filhos um crescimento saudável mas com uma visão de esforço e de valores. Cada conquista tinha o seu esforço com a garantia que seria compensada, se fosse trabalhada e merecida. Cresci com estes valores tendo conquistado desta forma a minha formação académica e o meu primeiro carro. Para isso 
tive que cumprir estes princípios e trabalhar nas férias e aos fins-de-semana, tal como um funcionário, mais de 12 horas por dia no estabelecimento comercial da família, experiência que me fez crescer e tornar responsável mais cedo do que eu alguma vez imaginava. Aos 17 anos tive direito à minha 1ª viagem de avião, feito raro para um rapaz da aldeia daqueles tempos, e aos 18 estava a estudar fora da proteção paternal.
O pai António esteve sempre lá para me orientar e ajudar, aconselhando, discutindo e fazendo valer muitas vezes os seus pontos de vista. Sempre soube dar-nos o espaço e a liberdade para fazermos as nossas escolhas, contribuindo com a sua experiência e ponderação quando as nossas escolhas não lhe pareciam as mais corretas. À medida que os anos foram passando foi partilhando os seus sonhos e verbalizando, referindo que não queria petir deste mundo sem conhecer o Brasil e fazer um cruzeiro. O primeiro sonho foi realizado aos 70 anos, quando rumou sozinho ao Rio de Janeiro uma vez que a sua companheira declinou o convite por achar que andar de avião, não era coisa para ela. O segundo está por concretizar...pode ser que esta história humilde e jenuina dê uma ajuda. Hoje com 81 anos continua rijo, um cozinheiro de 
mão cheia enchendo o coração de alegria e a mesa de iguarias quando os filhos o visitam.
Continua a ser generoso, continua a aconselhar e a contribuir com a sua experiência, confrontando-a com aspectos da vida moderna que tem alguma dificuldade em entender. É generoso para os vizinhos e adora a sua aldeia de onde já não quer sair. Tem uma relação íntima com aquele imenso mar azul e o aroma que dele emana seja nos dias de maresia seja incrustado nas navalheiras, nas conchas dos caramujos ou nas unhas de percebes que adora comer e partilhar. Vai à lota, lê o jornal, faz as refeições e ampara a sua Maria de Jesus que sendo mais nova, tem falta de auto-estima e de mimo. Este pai, é o melhor pai do mundo. Deu-me a vida, ajudou-me a crescer e preparou-me com a sua enorme sabedoria e generosidade, para a vida que hoje tenho e lhe agradeço para sempre. Quando Deus nos separar vai ser uma grande crueldade, apesar do António estar tranquilo em relação a isso por ter consciência plena que já ultrapassou a esperança média de vida. A sua pegada, como agora modernamente se diz, tem deixado marcas que me fazem sentir que ele é eterno e que nunca vai deixar de estar presente.
Depois da história segue-se a partilha dos momentos que fizeram desta Páscoa de 2016 momentos de grande envolvimento e de partilha, de saborosos momentos de degustação e de descoberta, de descanso e de grande serenidade. Estar neste Alentejo, nesta casa e não falar de pitéus é algo difícil pois como já ficou referido acima o pai António adora prendar-nos com o que de melhor sabe fazer em composições culinárias. Para a sexta-feira santa e para respeitar a tradição religiosa de não comer carne, elaborou um delicioso arroz de camarão com mexilhões da costa. Estava muito saboroso. A tarde de 6ªfeira foi abençoada com um sol que permitiu os termómetros atingirem os 20ºc o 
que me fez aproveitar para percorrer a falésia dos arredores. O caminho que fiz já me é bem conhecido mas cada vez que o percorro parece que se abre na minha frente um mundo novo e diferente daquele que já conhecia. Neste laboratório natural que é o Parque Natural da costa Vicentina as dunas oferecem-nos paisagens e enquadramentos difíceis de descrever. A variação morfológica, as cores, a vegetação que nelas predomina são tão heterógeneas que não parece haver dois locais de observação que sejam idênticos. A cor dourada dos grãos de areia que formam as dunas consegue mudar de dourado para branco e de granulometria fina e desagregada para zonas de compactação. A vegetação é rica em cor 
e forma encontrando-se aquela que nos delicia com uma flor oferecendo os seus pólens às delicadas abelhas e aquelas que formando aglomerados predominantes, ali se encontram com o objetivo de fixar as areias das dunas. Mesmo junto às falésias os habitantes do reino vegetal mostram a sua imponência fixando os solos enquanto outros se elevam em direção aos céus quais guardiões daquele mar que nunca me canso de olhar, de ouvir e de absorver. No percurso que fiz desta vez dediquei especial atenção à flora. Pode-se percorrer o mesmo trajeto várias vezes e as descobertas que fazemos são sempre diferentes. Os ângulos que fotografamos ou as variação da intensidade luminosa fazem dos 
mesmo percursos trajetos com interesses muito diversificados. Não sendo botânico vou tentar para além da fotos, referir-me a alguns nomes de plantas pelo conhecimento que me recordo dos populares, tentando depois a comparação com a sua classificação científica. A riqueza da flora é mais uma das atrações deste parque natural, pois para além das 750 espécies que acolhe, 100 destas são endémicas e 12 não existem em mais nenhum local do mundo. Os chorões da praia são uma espécie de vegetação muito característica deste local. Trata-se de uma espécie vegetal com pequenas estruturas em forma de dedos que se erguem sustentados em pequenos tentáculos suculentos e carnudos, de raiz superficial que 
se prolongam falésias abaixo ou pelas dunas formando tapetes muitas vezes impenetráveis a outras espécies (nome científico Carpobrotus edulis). Produzem uma flor que pode variar entre o amarelo e o lilás.
A Scilla é uma flor de pequenas dimensões, de aspeto frágil mas deliciosa, que prolifera por vezes em formas isoladas outras vezes em pequenos aglomerados juntos de outras vegetações de maior porte deixando a sua marca na paisagem pela sua cor azul forte e flor de pétalas frágeis. A Diplotaxis é outra espécie vegetal que caracteriza a paisagem por se apresentar em aglomerados amarelos que muitas vezes 
interrompem os tons esverdeados das outras espécies vizinhas. Junto à falésia é possível encontrar em locais específicos, grandes aglomerados de juncais que se deitam ao sabor dos ventos mostrando o poder deste elemento da natureza. Das falésias brotam pequenas nascentes de água umas em forma de gotas apenas, individualizadas ou em múltiplas lágrimas simulando pequenos salpicos de chuva. Aquelas cujo caudal o permite, arrastam consigo os minerais que se interpõem no seu caminho (habitualmente ferruginosos) depositando-os nas encostas xistosas, conferindo aqueles locais transformações cromáticas que interrompem a monotonia negra dos xistos de ardósia. Depois de uma tarde a 
percorrer caminhos conhecidos mas explorados sob um outro olhar, era tempo de retemperar forças físicas pois as forças emocionais foram reforçadas pela beleza observada e pela pelos aromas que nos perfumam a pele e entram pelas narinas e suguem o seu caminho até aos locais do nosso cérebro encarregues de os processar e guardar no arquivo da nossa memória. Lá permanecem para serem editados e processados em qualquer momento em que, no mesmo local ou noutro lugar afastado do mundo, o processo de recordação os chama para alimentar o filme que o nosso cérebro se encarrega de produzir para nós, produzindo sensações de calma, saudade ou simplesmente gratidão por ter vivido tamanha satisfação. Esperava-me em casa um lanche-jantar (sdinner, nome acabado de inventar para juntar o snack com o dinner) de percebes da costa. Os percebes, nome científico Pollicipes pollicipes são crustáceos de sabor intenso, constituído por duas partes, a unha ou capítulo, 
dura e calcária e o pedúnculo ou corpo propriamente dito. Este é mole e envolvido por uma 
pequena casca que se retira. Para que os percebes se possam retirar em condições de boa qualidade comestível têm que ser cozinhados com algum cuidado para que quando ao comer, a película que reveste o corpo carnudo saia inteira sem arrastar consigo o miolo delicioso do crustáceo. Este pitéu divino que se come quente, pode ser acompanhado com fatias de pão alentejano ao natural ou torrado e um bom vinho ou cerveja fresca. Para os dias seguintes esperavam-nos outras delícias gastronómicas. O almoço de sábado foi preparado com detalhes e requintes que só um entendido e paciente mestre de 
cozinha sabe orientar. A extraordinária feijoada de búzios com que fomos presenteados teve o início da sua preparação no dia anterior com a demolha do feijão caseiro que permanece a 
intumescer dentro de água de um dia para o outro. Os búzios são previamente lavados ainda vivos e com a casca, depois cozidos assim inteiros e posteriormente retirados da sua cosca dura e levados múltiplas vezes até ficarem livres da proteção viscosa com que vivem dentro da sua carapaça. Esta operação requer paciência e é obrigatória pois se a viscosidade permanecer junto ao corpo dos búzios, esta transmitirá ao preparado final uma consistência indesejável. Após a lavagem segue-se a cozedura que poderá demorar horas, em lume de lenha uma vez que este chefe de cozinha não gosta de utilizar a panela de pressão. O refogado é 
preparado com azeite, alhos, tiras de pimentos e depois da mistura já estar alourada, juntam-se os coentros. Os búzios agora cortados em pedaços pequenos são adicionados ao refogado seguindo-se as cenouras e o feijão. A água que se junta ao preparado é aquela que cozeu os búzios para que o sabor final fique apurado e sublime.

Wednesday, March 23, 2016

Bordeaux e Saint-Emilion entre vinhedos, arte e património da humanidade

Bordeaux foi a escolha para iniciarmos o nosso tour de viagens neste ano de 2016. A razão para a eleição deste destino foi provocada pelo acesso às informações da companhia aérea easyjet sobre a 
oferta de lugares a preços extremamente competitivos. Funcionou como uma espécie de acelerador de decisões. A vontade intrínseca de viajar, que temos mantido ao longo da vida continua a alimentar a nossa vida em todos os seus sentidos. Se as responsabilidades profissionais são mais exigentes, ou os fins de semana são consumidos em casa a ajudar o filho a estudar, a ver o sol pela janela e o mar ao fundo e a recalcar a vontade de virar costas a tudo e simplesmente partir, esta vontade de viajar tranquiliza-nos porque sabemos que, enquanto a vida nos permitir haveremos de viajar. Portanto estes sacrifícios diários são processados com uma dose de satisfação e acabam por facilita as estratégias de cooping e evitar o burnout. As pesquisas diziam-nos maravilhas de Bordeuax. A capital do vinho, as 
edificações históricas classificadas como património da humanidade, a paisagem vinícola, etc. O alojamento foi escolhido entre as opções do site airbnb. Tivemos algumas dificuldades porque apesar das múltiplas ofertas os preços eram elevados e muitas vezes tivemos que trocar preços mais acessíveis por localização geo gráfica para visitarmos a maioria da cidade a pé. Chegados ao aeroporto da cidade procuramos o autocarro da linha 1 que nos levaria ao centro da cidade por uns muito económicos 1.5 euros. Na paragem Palais de Justice trocamos para a linha de tram A e 3 paragens depois estávamos na Place du Palais a escassos metros do nosso alojamento. Estas informações foram gentilmente fornecidas pelo Maxime, o proprietário do nosso apartamento na cidade. Não podaríamos ter ficado mais bem localizados, mesmo no centro da cidade, junto à zona histórica  com as principais atrações por perto 
 e a dois passos do rio Garonne que banha a cidade. O tempo este excelente e na 6ªfeira de tarde fizemos logo um reconhecimento da região envolvente. Passeamos pela marginal até aos edifícios do Parlamento situado na Place de la Bource que representa uma das maiores atrações da cidade. Trata-se de um conjunto de 2 elegantes edifícios do séc. XVIII , projetados lado a lado, com uma ligeira curvatura em remi-circulo e separados por um outro edifício esguio em forma de torre. Em 2004 esta praça foi alvo de grandes obras de requalificação com a colocação de linha de tram junto ao eixo viário e em 2006 em frente à praça mas junto às margens do rio, foi construído o Miroir d’eau, o espelho de água maior do mundo, que tivemos a infelicidade de não ver 
a funcionar por se encontrar desligado por uma razão que não conseguimos saber. Este espelho faz efeitos de projeções, de vapor, neblina e jogos para miúdos e graúdos graças a estruturas fixadas nas lajes de granito. Esta obra requalificou o lugar permitindo refrescantes banhos nos dias quentes e transformando aquele local enquadrado entre a praça e o rio, um lugar de serenidade e romantismo. Viemos a descobrir, na visita noturna obrigatória a este local, que a magia da praça continua quando o sol se esconde dando lugar à magnífica iluminação de todo o edifício. Os candeeiros que ladeiam toda a zona marginal são adornados por 
abat-jours que libertam luzes coloridas de forma discreta. Dali deslocamos-nos para o outro lado da cidade percorrendo as ruas e apreciando as elegantes lojas de vinhos que proliferam por toda a cidade. Como não havíamos almoçado a meio do percurso sentamo-nos numa esplanada do Bistro du Paralement a tentar escolher uns petiscos que a nomenclatura francesa teimava em dificultar. Com engenho e arte e a ajuda precisa do simpático colaborador, lá provamos uma tábua de queijo e presunto e um paté de porco, delicioso. O vinho servido a copo seria a nossa primeira experiência vínica da cidade, uma maravilha. Mais confortáveis seguimos caminho até alcançar a famosa Rua de Santa Catarina que é a mais 
longa rua comercial da Europa com 1 km de cumprimento e interdita a carros. O lado que percorremos tinha lojas alternativas, que nos dificultavam a caracterização dos produtos que se encontravam à venda. Um exemplo, nos expositores de rua onde se incluíam manequins de montra simplesmente alinhados nos passeios, encontravam-se peças de vestuário que tanto poderiam custar 10 euros como 60 euros. As lojas não tinham a decoração cuidada das lojas de marca que conhecemos mas isso não significava que os preços eram mais convidativos. No final da rua, do setor que percorremos, encontramos a Place de La Victoire, uma enorme praça cheia de esplanadas também elas totalmente cheias de pessoas que bebiam e conversavam iluminados pelos magníficos raios solares que se faziam sentir naquela tarde. A população era maioritariamente jovem pois mesmo junto à praça encontrava-se o edifício da universidade. A atração principal desta praça é a Porta de Aquitane 
construida em 1753 em substituição de um portão medieval que fazia parte da muralha que cercava a cidade. Nessa noite decidimos jantar no apartamento pois o dia havia começado bem cedo e o cansaço apelava ao descanso do lar. Uma incursão ao Carrefour traçou o destino da nossa ementa que passou por um belo frango assado no espeto, entrada de camarão e um vinho escolhido sem qualquer recomendação, por entre as centenas de garrafas que estão à disposição dos clientes. Confesso que não sou o maior apreciados de vinhos mas todos os que provei em Bordeaux transformaram-me num apreciador e devoto. Provei apenas brancos e eram todos suaves e delicados com um paladar e um fundo de boca fresco e aveludado. O que escolhi para o jantar chamava-se Panache de Cyrano. A surpresa aconteceu quando abri a garrafa, era um vinho branco doce que se gostava cada vez mais a cada copo que se bebia. O 2º dia foi aproveitado para percorrer o resto da cidade, para que pudéssemos trazer no nosso curriculum de 
viajantes o maior numero de registos possíveis desta bela cidade. Assim e porque estávamos mesmo junto à Rue de Ste Caterine, fizemos o sentido oposto da rua que nos faltava conhecer e como que por artes de magia, aquele setor da rua nada tem de semelhanças com o anterior, parecem mesmo que a rua se transforma e transforma em lojas de marca, elegantemente decoradas convidando a percorrer o seu interior para apreciar não só os produtos mas também a decoração. Esta outra face da rua termina junto ao magnífico edifício da ópera da cidade com uma arquitetura em estilo coríntio. Nas proximidades deste emblemático edifício situação o posto de turismo local ladeado de magníficas lojas de vinho. O enquadramento desta região faz-se ao fundo com a Place de Quinconces. Ainda no términus da rua de santa Catarina e no passeio contínguo à ópera encontra-se uma escultura muito curiosa, de uma cabeça de mulher, enorme, com 7 metros de altura, em ferro fundido 
que se designa de Sanna. A Place de Quinconces tem várias esculturas distribuídas pela base do complexo onde são representados corpos de dimensões grandiosas, de homens e cavalos e uma que se destaca em altura. Pela história, esta é 
uma homenagem aos deputados moderados condenados à guilhotina na época do terror. O percurso pelas margens do rio permite contemplar ao longe a magnífica basílica de  Saint-Michel que não visitamos e a espectacular ponte de pedra de enorme extensão, que une as duas margens do rio, mandada construir por Napoleão I. Por cada rua percorrida em Bordeaux podemos perdermos a admirar uma igreja, um belo edifício histórico, uma loja de vinhos ou um elegante restaurante. Assim deambulamos por entre as ruas desta obra prima da arquitetura clássica. A catedral de Santo André é um bom exemplo do coração histórico da cidade. Erguida no séc III, impõe-se como marco de contemplação e de culto mesmo no centro da cidade. O edifício Rohan onde hoje se encontra 
instalado o hotel mais charmoso e requintado da cidade fica muito perto da catedral e vale a pena contemplar a sua fachada exterior que nos deixa vislumbrar um pátio que serve de antecâmara ao edificio principal que se encontra atrás do pátio e com passagem limitada por um portão e o respetivo porteiro. O almoço do 2º dia de visita à cidade tinha que obrigatoriamente ser no mercado  de Capucins. Para lá chegarmos percorremos a partir da ponte de pedra um bairro muito interessante, étnico e multi cultural onde haviam um enorme mercado de rua com tendas que vendiam de tudo. O mercado desenrola-se à volta da praça onde está situada a torre de Pey Berland, que se encontra separada da igreja e que permite 
obter uma bela vista da cidade  no cimo dos seus 232 degraus. Como nesta viagem me encontrava limitado com algumas lesões musculares não consegui ter esse privilégio. Percorrer a rua que nos levou ao mercado foi tarefa difícil pois as inúmeras tendas cheias de todo o tipo de objetos espalhavam os seus produtos até aos passeios e os milhares de pessoas que por lá se encontravam num vai vem de deambulação, tornaram a tarefa bem complicada. Nos meus pensamentos esteve permanentemente a possibilidade de por ali deflagrar um atentado uma vez que no dia anterior havia sido capturado o terrorista fugitivo dos atentados de Paris. Todo o esforço valeu a pena para chegar ao mercado onde entre bancas de frutas, peixe, queijos e enchidos, se encontravam alguns restaurantes. Elegemos 
aquele que nos encheu os olhos com uns pratos de mariscos variados de fazer crescer água na boca. Deliciamo-nos no Chez Jean-Mi com umas ostras deliciosas e apaixonantes que colocaram literalmente o mar dentro de nós. Haviam búzios, camarões, pernas de sapateira e tudo isto acompanhado com um vinho branco fresco e confortável. Não conseguimos não provar a sopa de peixe que vinha acompanhada com tiras de queixo e um molho que quando misturado transportava o conjunto dos sabores e dos aromas para 
fronteira entre os marcantes e exóticos sabores asiáticos e a frescura dos aromas do peixe e do mar ocidental. No regresso do almoço aproveitamos para visitar o Grand Cloche de Bordeaux. Trata-se de um edifício com duas torres erguido desde 1759 e cuja atração é um grande relógio de fundo preto, emoldurado e enquadrado na parte superior por um sino e duas torres que cónicas separadas por uma outra de geometria mais quadrangular com um cata vento que dança ao sabor do vento fazendo girar um leopardo dourado. Perto do nosso alojamento encontrava-se a Place 
du Palais cuja monumentalidade é a Porte du Cailhau que foi construída como um arco triunfal em homenagem à vitória do rei Carlos III na batalha de Fornovo em Itália mas fazia parte da estrutura defensiva que protegia a cidade de Bordéus no século XV. Tem 35 metros de altura e é uma excelente obra do Renascimento. A Place du Palais é uma praça simples com alguns cafés e a elegante loja Art et Vins. A procura de um lugar para jantar levou-nos a virar à direita a partir do nossa morada e descobrir um novo mundo dentro da cidade com ruas repletas de restaurantes com esplanadas, grandes janelas e montras de vidro que permitiam aos passeantes um autêntico passeio pelas artes decorativas destes espaços 
que se oferecem à rua com as suas esplanadas mas também com a elegância dos seus interiores. As lojas de vinhos são as vizinhas competem com elegância e glamour os espaços de repasto numa deliciosa descoberta ao virar de cada esquina. Com um magnífico jantar de carnes grelhadas nos despedimos de Bordeaux porque o último dia havia sido destinado a visitar Saint-Emilion a cerca de 40 km da cidade. O dia amanheceu cinzento e chuvoso, tempo com o qual já contávamos. A viagem de volta ao aeroporto onde alugamos um carro fez-se tranquilo pois era domingo e ainda muito cedo. Durante os trâmites habituais da empresa de rent-a-car percebemos que o aeroporto estava a ser patrulhado por soldados armados. Como estávamos em modo de férias e naturalmente menos vigilantes e 
menos informados, perguntamos a razão de tal procedimento sem o relacionarmos com a recente captura do terrorista na noite de 6ªfeira. Estaríamos certos se nos tivéssemos recordado disso. A razão era o alerta contra o terrorismo. Ouvimos logo de seguida uma informação sonora que informava a para a destruição imediata de qualquer objeto abandonado. Reparamos ainda nos ecrans informativos, mas também não valorizámos, um grupo significativos de voos atrasados. O nosso voo nem sequer estava ainda disponível para consulta porque era mais ao fim da tarde. Lá fomos no 
nosso Renault a caminho de Saint-Emilion. A saída e o sentido de orientação a partir do aeroporto não é fácil sem GPS pois não existe qualquer referência com o nome da localidade. Saímos em direção a Toulouse pela A 631 que depois de atravessar o rio nos orienta para a estrada nacional 230 e a seguir para a N89. Nesta estrada já surge alguma indicação para lá chegar mas depois há que estar atento pois a placa para Saint-Emilion é pequena e discreta e para além disso o nosso GPS indicava 3 Saints-Emilions cada um a uma distância diferente. Mas não havia dúvidas que estávamos no local correto. Neste desvio à esquerda a partir da N89 percorrem-se poucos quilómetros na A89 e logo nos ficamos rodeados de vinhas geometricamente alinhadas. Por esta altura do ano as cepas mostram apenas o 
tronco desprovido de folhas pois não é época de florirem. A cidade é medieval e monocromática. Os tons que predominam são o ocre. Iniciamos a visita entrando na igreja majestosa onde se celebrava a missa de domingo de ramos. Depois percorremos a cidade que nos envolve e nos faz recuar no tempo. As quotas do terreno permitem observar a cidade por diversos ângulos e patamares de altitude. Os vinhos são o coração desta terra medieval. Existem múltiplas lojas com 
 ofertas variadas e para todos os preços. Os restaurantes oferecem menus com preços para turistas, muito acima da média a tocar mesmo o exagero. Os arredores da cidade, que percorremos de carro, e até onde os olhos podiam alcançar avistavam-se quintas e castelos cuja atividade dominante era o vinho. Várias castas e outras tantas denominações eram assinaladas com placas quer nas diversas propriedades quer nas paredes dos edifícios. Optámos por não almoçar em Saint-Emilion e regressamos a Bordeaux para nos deliciarmos com um majestoso menu de beuf e magret de pato e uma sobremesa de café gourmet. Era tempo de regressar ao aeroporto, entregar o carro e fazer o percurso até à porta de embarque. Mal poderíamos imaginar que nos esperava a maior dor de cabeça 
de todas as nossas viagens. Assim que os nossos olhos se fixaram no nosso voo a mensagem a vermelho alertava-nos para o cancelamento do nosso e de muitos dos voos previstos. Ficamos desolados. O que se seguiu vem descrito no texto abaixo que serviu como informação de reclamação para a companhia aérea.
“Planeei o passado fim de semana (18 a 20 de março) na bela cidade francesa de Bordeaux. Fiz contas em família, planeamos os custos e aderimos à vossa campanha de custos aceitáveis para o voo que nos levaria a Bordeaux e nos traria de volta a casa. 
Para quem conhece Bordeaux, esta é uma cidade cheia de glamour e com imensas opções atraentes; provas de vinhos, restaurantes requintados e visitas aos arredores, entre outros. Cada visitante escolhe dentro das suas opções e capacidades a melhor forma de trazer na memória aquilo que se espera de 
uma visita deste género. Evitam-se gastos excessivos para quem como eu tem orçamento limitado e regras conscientes. Diz-se não aos filhos várias vezes quando as suas opções também já pesam no orçamento familiar. Evitamos o alojamento num hotel mais requintado e optamos por um apartamento mais económico, longe do que seria desejável. Não compramos aquele vinho divinal e caro, decisão que nos deixou pensativos mas felizes na mesma. 
Quando chegamos ao aeroporto depois de um fim de semana regrado e com o orçamento cumprido mas de alma cheia, rebentou o caos na nossa cabeça. Haviam cancelado o nosso voo de regresso que comprámos há várias meses e que nos traria de volta a casa com a nossa nova riqueza, a de conhecer mais um pedacinho do mundo. Muitas horas em filas e outras tantas reclamações, obrigaram-nos a ser peões de um jogo que não pedimos para jogar, um atentado aos nosso direitos como seres humanos. Sim, porque atentado aos direitos humanos não é só esmagar pessoas em campos de batalha ou privá-los das mais elementares condições de vida. Atentado contra 
os nossos direitos é também ignorarem as nossas necessidades e julgarem-se não responsáveis por isso em nome de uma causa que parece ser lei no mundo democrático, a greve. A proposta que nos foi feita seria ficarmos uma semana retidos em Bordeaux com alojamento e refeições pagas pela companhia aérea porque o voo de regresso que tinha disponibilidade para nos acolher só seria no domingo de Páscoa dia 27 de março. Disseram-nos isso com toda a naturalidade. Protestei com veemência porque tenho responsabilidades profissionais que são tangíveis de terem consequências sérias. Sou profissional de saúde e trabalho num hospital e com a semana de férias da Páscoa a decorrem em Portugal, com alguns colegas de férias  o meu serviço não estava assegurado e os doentes que me esperavam não podiam adiar os seus tratamentos. Fiquei muito preocupado porque a solução proposta, a de ficar uma semana retido em Bordeaux, era inaceitável para mim. Após esta minha observação foi-me dito que não podiam fazer 
mais nada. Nos balcões de reclamação do edifício Billy no aeroporto de Bordeaux sugeriram então que eu fosse procurar um voo de regresso noutra companhia aérea e que pedisse o reembolso do valor da minha viagem para ter direito a alojamento e jantar. A TAP Air Portugal teria um voo hoje de manhã pelas 11h30min. Consegui 3 lugares, uma vez que viajava com a minha mulher e o meu filho. A TAP pediu-me 692.07 euros pelos bilhetes de regresso (ver anexo). Fiquei sem palavras. Senti que estava a ser roubado e atraiçoado pela companhia Easyjet. Que direito tinha a Easyjet de me obrigar a gastar quase 700 euros para voltar para casa quando eu comprei esse regresso atempadamente? Esse valor representa o que ganho em dezenas de horas de trabalho em que estou privado da minha liberdade e da minha família. Voltei ao balão do Billy cumprindo o que me tinha sido proposto. Depois de 
tempos infinitos numa fila a senhora funcionária simplesmente mandou-me para o guiché 57 do balcão do check-in falar com outra colega. Aí voltei a reportar toda a situação e foi-me dito na cara que não tinha direito a qualquer alojamento porque tinha aceitado viajar noutro companhia aérea. Fiquei perplexo! Eram os procedimentos da empresa, retorquio a funcionária. Levantei a voz e fui logo ameaçado que se continuasse a falar naquele tom ficaria a pernoitar no aeroporto. Fiz ver à senhora que estava alterado porque fui apanhado no meio de uma situação com a qual não estava a contar, tinha gasto o plafon do meu cartão de crédito para poder regressar a casa e que tinha seguido as instruções da colaboradora do guiché anterior. 
Já li as condições de reembolso da easyjet que prevê a devolução dos valores em várias situações. Sei que a easyet não é diretamente responsável por todos os problemas que se passam nos aeroportos. Mas neste caso trata-se de uma situação que viola a confiança dos clientes e os coloca em situações em que as soluções são à medida de cada casa (ex:soubemos de um senhor que conseguiu voo na easyjet para Lisboa na 4ªf, sem quaisquer custos e a nós nunca nos foi dada tal possibilidade). Não tenho o direito de ser o responsável por um custo de quase 700 euros por um problema que não fui responsável depois de já ter pago e seguido todas as 
normas. O gasto desse valor era o que tinha previsto para a semana de férias da família neste verão de 2016. Com a situação financeira desfeita os meus filhos não terão as férias porque tanto anseiam todos os anos. Com esta minha atitude poupei à Easyjet centenas de euros em estadia de hotel e refeições durante uma semana. Gostaria que isso fosse tido em consideração. Afinal se todos podemos contribuir para minimizar as consequências cuja responsabilidade não é atribuída a ninguém”.



Tuesday, January 5, 2016

New York, New York – o caos organizado

Tenho tido alguma dificuldade em iniciar este post. Tenho por habito iniciar os registos das nossas viagens logo no caminho do destino ou aos serões no locais de visita. Desta vez está a ser diferente; está a fazer 24 horas que regressamos a casa e o post teima em não sair da minha cabeça. Tenho tentado perceber as razões deste novo acontecimento mas até na analise das duvidas surgem outra 
duvidas. Será porque fui brutalmente assolado por tantas novidades? Ou será que desejo escrever, descrever e registar com tanto pormenor que o tempo que passei a interiorizar este novo conceito do mundo não me deixou espaço para entender os detalhes? Ou será ainda porque o sonho de conhecer esta cidade que vive dentro de mim desde quase sempre, se tornou realidade e eu ainda estou a ter dificuldade em entender e processar e aceitar esta concretização? Algo dentro de mim está diferente porque a grelha temporal do registo dos facto neste blog foi de facto alterada e não foi por ter perdido a vontade de escrever ou de deixar documentada mais esta magnífica experiência. Este sonho de conhecer Nova York teve início certamente na minha adolescência, idade em que se processam convulsões de pensamentos, ideias e sonhos nas nossas cabeças. Manteve-se depois se latente durante várias décadas e voltou ao banco da realidade no início do ano passado quando percebemos que já haviam passado 50 anos da nossa existência e que nada melhor para assinalar a data do que tentar registar este evento de uma forma marcante para as nossas vidas. Como por detrás de cada viagem há sempre um trabalho prévio de organização, iniciamos a pesquisa de todos os pontos necessários para concretizar o desejo e a realização do sonho. Lembro-me que a primeira preocupação foi procurar voos com preços 
aceitáveis, pois pelas pesquisas anteriores para outros destinos por vezes tentávamos, apenas por curiosidade, avaliar as tarifas para a cidade dos sonhos e o resultado que os sites das companhias aéreas nos apresentavam eram sempre desecorajadores. Lembro-me que depois decidimos ativar no skyscanner um alerta para os voos de NY para irmos sendo alertados para a verificação dos preços. Lembro-me ainda que desde o inicio dos alertas os preços iniciaram-se perto dos 600 euros, com oscilações semanais quase sempre em decrescendo mas durante cerca de 2 meses mantiveram-se acima dos 500 euros. Em meados de junho a barreira dos 500 euros foi ultrapassada e os preços iniciaram descidas para a ordem dos 400  euros. As tarifas a que me refiro são sempre as de voos com conexões de horas em outros aeroportos, pois as tarifas de voos diretos sao inaceitáveis. O nosso voo de ida fazia escala em Madrid e o de regresso em Londres. Recordo que os preços de mercado para NY mantém-se estacionários ao longo do ano na ordem dos 800/900 euros. Conseguem-se por vezes tarifas simpáticas próximo de épocas festivas como o Natal ou fim de ano mas são lançados em cima da hora o que impossibilita a organização de uma viagem para quem tem dias de ferias já estipulados. Conseguidas então as 
tarifas aceitáveis e que representavam a grande despesa para chegar ao continente americano, era necessário queimar horas a avaliar possibilidades de alojamento compatíveis com a nossa estrutura financeira. As primeiras pesquisas foram também elas desencorajadoras. A consulta das tarifas das unidades hoteleiras mostrava nos preços para lá do aceitável embora não fosse a estadia num hotel a nossa opção principal. Decidimos então pesquisar afincadamente outras opções de alojamento nomeadamente um apartamento que fosse ao mesmo tempo bem localizado, com estruturas simpáticas e a preços compatíveis. Uma tríade altamente improvável num destino como Nova York. Lembro-me que passamos noites, dias e semanas a pesquisar, tendo mesmo iniciado alguns contactos que se vieram a mostrar duvidosos ou porque os proprietários queriam conversações fora da plataforma que suportava os alugueres (Airbnb) ou porque nos mandavam contratos de arrendamento que não estavam explicados em nenhum lado nas condições de divulgação do site onde realizamos as pesquisas. Foi difícil esta tomada de decisão com o tempo a passar e os voos  comprados. Finalmente conseguimos um apartamento que, sendo caro, era dos mais aceitáveis quer na localização, quer nas condições que 
oferecia. A localização era um aspeto importante, pois tratando-se de uma grande cidade este aspeto faz toda a diferença na gestão do tempo nas saídas para explorar os diversos locais. O apartamento da Kate ficava da rua 47 próxima do cruzamento com a 10ª avenida. Tendo em conta que as avenidas imperdiveis de NY estão entre a 5ª e a 7ª não estávamos longe para iniciar a exploração a pé. Outro aspeto importante a ter conta nesta viagem foi a preocupação com os transferes de e para o aeroporto que foram comprados também online. Tivemos muitas orientações da nossa amiga Susana que já tendo estado na big Apple uma vez, tinha algumas noções destes pormenores que são importantes no conjunto das preocupações que o planeamento de uma viagem a NY, levanta. Como um dos marcos 
desta viagem era passar o reveillon que coincide com o dia de aniversário da nossa amiga, que é apaixonada pelos musicais da Broadway, era imperioso marcarmos um espetáculo para esse dia. Confesso que foi um pouco a insistência dela que nos fez sentar no teatro Amesterdão em plena Broadway no dia 31 de dezembro. O espectáculo em cena era o Aladino. A razão desta indecisão prendia-se essencialmente com  o preço dos bilhetes que é astronómico. Para se ter ideia, as tarifas médias rondam os 300/400 dólares por pessoa na plateia, conseguindo-se tarifas abaixo dos 200 dólares para os balcões. Agora depois de ter tido o privilegio de ter assistido ao espectáculo dou por bem empregue cada cent. Pago. Voltarei a este tema mais à frente neste post. Tal como referi na definição dos voos a nossa escala em Madrid 
foi suficiente para mudarmos de terminal no veiculo com condução automática sem recurso a condutor e para nos sentarmos a saborear as sempre apetitosas cañas dos nossos vizinhos espanhois bem como as inigualáveis lascas de jamon ibérico que só eles sabem produzir e cortar como ninguém. Os nossos voos foram todos operados pela Brithis Airways em conjunto com outras empresas parceiras pelo que, o nosso voo com escala em Madrid foi feito quer de Lisboa para Madrid quer da capital espanhola para Nova York, pela transportadora aérea espanhola. Nunca havíamos viajado nesta companhia e as referências que tínhamos não eram as melhoras mas fiquei surpreendido quer pela qualidade e aspeto cuidado dos aviões quer pelo serviço a bordo. Viajar em classe turística nunca e uma experiência muito positiva mas suporta- se para voos de medio curso. Os de longo curso são 
dolorosos pela posição em que temos que estar durante longas horas. O nosso voo de ida durou 8 horas a partir de Madrid e o airbus A 340 já com alguma utilização teve o seu melhor desempenho mas nada disto nos tira as dores no corpo de permanecer 8 horas sentados, pois muitas marchas que se façam pelo corredor.  Devido à diferença horária, apesar de termos saído de Madrid as 16h e após 8h de viagem chegamos a NY às 19h hora local, depois de se retirarem 5 horas do relógio do tempo universal mas não do nosso relógio biológico. Depois de esperarmos numa fila interminável nos serviços alfandegários, esperava-nos uma surpresa pensada e organizada pela Susana que nos deixou sem palavras e que guardaremos para a vida. O transfer que nos aguardava na saída do aeroporto era uma 
limousine branca, brilhante, com champanhe a bordo (marca André, curioso). Ficamos meio tontos a olhar sem perceber bem o que estava a acontecer pois não queríamos acreditar no que estava a acontecer. Só ela para se lembrar e nos presentear desta forma. A viagem foi de euforia pois aquela era uma experiência para ser saboreada com as forças que ainda nos restavam depois da longa e interminável viagem. Brindámos, sorrimos e fotografamos até nos apetecer.  Foi intenso, gratificante e marcante para agradecer sempre e não esquecer. A Kate mostrou-se uma proprietária muito simpática e sorridente, de olhos grandes e hálito tabágico, deve ter ficado espantada com as nossas origens quando nos viu sair da limousine pois apenas se repetia referindo a magnificência do carro. O apartamento não era nada de especial. Bastante antigo e já bastante utilizado, decorado com o 
mínimo mas limpo.  Explicou-nos algumas regras de funcionamento relacionadas com a abertura da porta e do aquecimento da casa que era controlado exteriormente pelo prédio e que apenas poderíamos abrir a janela para regular a temperatura. A maioria das regras já conhecíamos pois estava tudo muito bem referido nas condições de aluguer da casa. Como chegamos já de noite e cansados pedimos-lhe algumas orientações sobre os arredores no sentido de procuramos alguma coisa para comer ou fazer algumas compras. Como era o dia a seguir ao Natal a maioria dos restaurantes naquela zona estavam encerrados mas supermercados abertos não seriam um problema pois encontram-se a trabalhar 24/24 horas. O primeiro dia de exploração pela cidade que põe a América no topo do mundo teve início a olhar para o nosso planeamento e para o relógio para 
constatar que se corrêssemos de yellow taxi para a catedral de Saint Patrik na 5ª avenida poderíamos assistir a uma cerimónia religiosa acompanhada com um coro. Não quisemos perder esta oportunidade e minutos depois estávamos na rua de dedo esticado a pedir um táxi e pedinchar para irmos os 5  (apenas podem ser transportadas 4 pessoas). Durante mais de uma hora assistimos a uma cerimónia magnífica, envolvidos pela grande beleza arquitectónica da catedral e a magia dos cânticos que ecoavam dos vibratos da cantora que se fazia acompanhar pelo coro, no qual todos os presentes podiam participar. Foi mágico e emocionante. Terminada a cerimónia esperava-nos 
a elegante 5ª avenida, onde a catedral se encontra.  Trata-se da avenida mais chique e glamourosa de NY, onde toda a gente quer pisar uma vez na vida para se deslumbrar com a elegância das lojas  e dos edifícios. Aqui neste autêntico passeio da fama estão sediadas as lojas mais famosas do mundo e onde os preços quer dos apartamentos quer dos artigos das montras são também os mais caros da cidade e eventualmente do mundo. É esta avenida que define o este e o oeste da cidade e que define também a numeração das ruas. As ruas e avenidas da cidade foram construídas de forma perpendicular e é a partir da 5ª avenida que se dá a orientação este ou oeste às ruas que a cruzam. É também a partir dela que a numeração das ruas vai crescendo à medida que nos afastamos dela. Depois de nos deslumbrarmos como todos os outros milhares de pessoas que se passeava por esta famosa avenida, 
avançamos para a descoberta do Rockfeller Center com a sua emblemática pista de patinagem nesta altura do ano. Por todos os locais estão instalados vendedores de rua, autênticos artistas do que eu chamo de street art: pintores de telas, com as mais diversas técnicas de pintura ou artesanato em madeira, em cartão ou em ferro. A visita nesse dia não fugiu muito desta zona da cidade aproveitando para nos deixarmos contagiar com a louca poluição sonora e visual de Time Square. É difícil descrever o que se vê e o que se sente em Time Square. São tantos os ecran e as luzes de néon em funcionamento simultâneo que os mais sensíveis a provocação pelos flash da cor e a reprodução sequencial de imagens podem sentir-se menos bem dispostos. Talvez a melhor forma de nos alhearmos um pouco e de se definir Time 
Square seja a de pensar que se esta dentro de um cenário de um filme e que aquilo tudo é uma montagem para um filme com potencial para candidatura a um Óscar pela originalidade caótica. A  exploração da cidade durou até a dor nas pernas ser suportada. No regresso a casa passávamos por um foodmarket para comprar os ingrediente para o pequeno almoço que fizemos questão de ser a americana pelo que não poderia faltar o magnífico bacon que, sendo um atentado para a saúde, era uma tentação para a alma e esta última vencia sempre. Queríamos apenas cumprir a máxima que diz que estando na América sejamos americanos. Para o segundo dia tínhamos previsto subir ao emblemático Empire State Building pelo que nos fizemos ao caminho, a pé, com o objetivo de aproveitar o máximo de caminho para conhecer algumas ruas da cidade. Estava frio, bastante, mas suportava-se com agasalhos adequados. A primeira paragem foi num mercado de rua para perceber que tipo de produtos ali se vendiam. Quando nos aproximamos do Empire State Building nem queríamos acreditar, pois a fila para entrar dava literalmente a volta ao quarteirão. Estavam centenas de pessoas na fila para viver esta 
experiência de ter NY aos nossos pés. Desolados decidimos dar cumprimento as visitas do City Pass que adquirimos online e dirigimo- nos ao metro para nos dirigirmos ao Museu de Historia Natural pois o museu merece uma visita pela diversidade e grandiosidade das suas colecções e exposições. O dia seguinte estava destinado para fazer a travessia da ponte de Brooklyn e fazer outros trajectos a pé, no entanto as condições meteorológicas previstas previam chuva para o dia o que estragaria o passeio. Assim invertemos a estratégia  adaptando a visita a cidade as condições climatéricas e decidimos visitar um shopping tipo outlet, o Jersey Gardens - http://www.jerseygardens.com/, a cerca de 30 minutos de auto-carro da cidade, onde os preços nesta altura do ano são uma tentação.  É um tipo de outlet com muitas lojas de marca, onde as pessoas se dirigem com malas de viagem vazias para encher de produtos. A nossa 
amiga Susana já levava  algumas informações sobre esta catedral de compras e foi prevenida como muitos dos outros clientes de todas as nacionalidades. Outro outlet muito visitado pelos residentes locais e pelos visitantes é o Wodburry Common - http://www.premiumoutlets.com/outlets/outlet.asp?id=7 mas fica a 1h e 20 minutos da cidade. O auto-carro quer para um quer para outro apanha-se em Port Authority, uma mega estação de autocarros que mais parece um aeroporto com gates de acesso em vários pisos desnivelados. Corremos para o nosso autocarro porque estávamos em cima do horário mas quando chegamos ainda estavam várias pessoas em fila para entrar e o autocarro parecia completo. No entanto ainda era permitida a entrada de pessoas que quisessem viajar em pé e nós não nos importamos. Lá fomos conduzidos pelo por uma condutora afro-americana amante de velocidade. Em cerca de 30 minutos chegamos ao shopping onde logo na entrada existe um balcão onde os estrangeiros recebem um livro com vouchers de descontos nas lojas e não pagam a taxa do importo do país. Depois 

percorrem-se os 2 pisos do shopping visitando lojas enormes com uma diversidade de marcas, preços e produtos, como seria de esperar num local desta natureza. O 3º dia da nossa estadia em NY foi destinado a fazer a travessia da ponte de Brooklyn. Esta travessia deve-se fazer de Brooklyn no sentido de NY pois permite o contacto visual constante com o perfil da cidade. O metro foi a opção escolhida para chegar rapidamente a Brooklyn embora não seja uma opção de transporte muito acessível para um grupo de pessoas. Cada viagem custa 3 dólares e as distancia à superfície são moderadas para se poder apanhar um táxi a custos muito acessíveis. A ponte de Brooklyn é uma estrutura de ferro e aço que tem um corredor próprio para passeios pedestres. O percurso é magnífico pois permite ver o perfil da cidade em aproximação constante à medida que nos aproximamos do final da ponte. É um corredor de beleza inigualável que nos permite perceber a imponência da cidade e a geometria dos edifícios. Para o lado esquerdo vê-se um dos ex-libris da cidade, a estátua da liberdade e também a base dos helicópteros que sobrevoam a cidade como se fossem moscas. As viagens 
de helicóptero são outra das experiências que se pode ter nesta cidade de todos os encantos mas não é acessível a todas as bolsas. Este aspecto é no entanto relativo se compararmos os preços do percurso com os de um artigo de marca ou um espectáculo na Broadway. Feita a travessia percorremos a zona da cidade pela margem do rio Hudson intercalando com o distrito financeiro da cidade, a famosa Wall Street. Aqui impera a capital do imperialismo americano com prédio altos, de fachadas elegantes em vidro. No final deste percurso encontra-se a zona de travessia para a ilha da liberdade onde se encontra edificada a estátua com o mesmo nome. Também aqui as filas eram assustadoras. Digamos 
que há filas para tudo nesta cidade, algo com o qual já íamos a contar mas depois ao encarar esta realidade já com alguns bons quilómetros em cima das pernas as coisas não se tornam fáceis. Eis quando senão acontecem imprevistos valiosos como alguém a perguntar por visitantes portadores do city pass e a dirigi-los diretamente para a fila da segurança, sim porque a triagem para passar para o ferry é igual à dos aeroportos. Já a bordo do ferry, o percurso passa diretamente à frente na estátua permitindo fazer fotografia com ângulos muito interessantes. Há quem diga que não vale a pena visitar a estátua porque ela não tem nada de interessante para apreciar mas ela faz parte integrante dos roteiros turísticos e não quisemos deixar de marcar a nossa presença. No regresso deslocamo-nos ao memorial do 11 de setembro mesmo junto à Freedom Tower. Este local tornou-se um espaço de reflexão e de respeito pela tragédia vivida por todas as pessoas e pelos seus familiares. As piscinas que agora estão no local 
das torres são abastecidas por cascatas suaves que escorrem pelas paredes da estrutura. No rebordo das piscinas encontram-se gravados em mármore escura os nomes de todos os que pereceram na tragédia. A Freedom Tower entretanto construida (2006) tambem conhecida com World Trade Center 1 encontra-se ali junto ao memorial com os seus 541 metros de altura como que a tentar compreender o que ali se passou. Numa parede externa do museu adjacente ao memorial encontram-se ecrans interativos com os dados e a fotografia das vítimas deste atentando contra a humanidade. No 4º dia da 
nossa estadia em visita à cidade a manhã foi dedicada à visita do museu Guggenheim. Como chegamos um pouco cedo por não termos conferido a hora de abertura, passeamos um pouco pelo Central Park que fica, tal como o Guggenheim na 5ª avenida, mesmo em frente ao museu. O Central Park é uma grande área verde situada no meio de Manhatten e torna-se numa visita obrigatória para quem visita a cidade. É um oásis de silêncio apetecível no meio da selva de poluição sonora e visual que torna a cidade tão diferente e atraente. Estava um dia cinzento o que deixa o parque nesta altura do ano com uma 
tonalidade em tons de castanho forrado pelas suas árvores despidas de folhagem. Pelas margens do lago grande um bando de patos fazia a sua rotina habitual pintando um quadro animado que contrastava com a imaculada e estática projeção do edifícios nas suas águas serenas. O museu atrai a atenção dos visitantes logo pelo aspeto arquitetónio exterior pois parece-se com uma casca 
descascada mantendo-se enrolada sobre si numa espiral. A entrada no edifício confirma este aspeto em espiral com uma cúpula de vidro a encerrar a porção superior. A ideia é ir de elevador e iniciar a visita ao museu descendo a espiral que mantém uma rampa suave e mostra ao longo das suas paredes as obras do pintor Alberto Burri (em exposição entre outubro de 2015 e janeiro de 2016) um dos mais inovadores artistas do século XX criando uma nova forma de “pintura” designada de “unpainted painting” retratando os diversos aspetos das suas técnicas de pintura e o estados de espírito das diversas épocas em que a obra foi sendo realizada. “As rotas em torno de um grande vazio incentivam a reflexão e a fruição da arte”. Será esta a alma pensada durante a construção do edifício? Espalhadas por alguns 
dos pisos encontram-se outras salas que albergam as obras de grandes vultos da pintura como Monet, Picasso ou Van Gogh. Para um apreciador não especializado em arte e pintura como eu o museu consegue ver-se em cerca de 2 horas. Conhecendo também o congénere em Bilbao, este exige mais atenção pois para além de ter mais áreas de exposição a heterogeneidade e a interação obrigam-nos a uma maior concentração, reflexão e participação mais activa. Por estarmos na proximidade de Columbus Circle, um dos topos do Central Park, por recomendação de um amigo almoçamos no famoso e biológico Whole 
Foods Market. Fica dentro do Centro Comercial Time Warner Center e distingue-se pela coexistência de um supermercado que vende apenas produtos biológicos e pela enorme área de alimentação onde se pode encontrar de tudo para construir uma refeição completa desde as entradas até às sobremesas. Um dos aspetos a melhorar é a zona dedicada ao consumo das refeições que não é generoso e obriga a permanências em pé mais tempo que o desejado na esperança que os apreciadores dos diversos produtos não demorem tempo demasiado a degustar aquelas iguarias. A tarde deste dia foi dedicado a visitar a Hihg Line. É uma zona de construção recente, construída em plano supra desnivelado a 8 metros de altura em relação às estradas e avenidas com passadeiras de 
madeira ladeadas de jardins cuidados, algumas esculturas, escadas e elevadores de acesso. A construção concluída em 2009, atravessa 3 bairros  (Meatpacking, West Chelsea e Hell's Kitchen/Clinton) e  coincide com a localização de uma linha férrea histórica que servia a cidade numa zona industrial. A ideia foi transformar esta zona num parque verde agradável e elegante. Os antigos armazéns estão em conversão para lojas de design e galerias de arte. Tem bancos e camas para descansar, ler um livro ou simplesmente apreciar o rio Hudson. Uma das zonas muito atraentes é o bairro de Chelsea, com restaurantes 
exóticos desde os que se dedicam à indústria dos doces e cockail, aos jardins de cervejas tipicamente alemães ou ao conceito muito interessante, equivalente aos nossos atuais mercados, que servem variados tipos de ementas em balcões diversos balcões. A nós fez-nos lembrar a nossa arrojada e provocante Lx Factory. Chegados ao final do ano, o dia 31 foi dedicado a visitar algum comércio de rua no sentido de aproveitar os saldos que tiveram inicio a 26 de dezembro. Time Square foi a zona (mal) escolhida mas era na praça que estavam sediadas as lojas que queríamos visitar. De manhã cedo já o dispositivo policial tinha gradeado toda a zona em preparação para o icónico réveillon e já multidões se empurravam nos passeios disponíveis para entrar para a zona da festa. Idealizei o réveillon em NY anos a fio mas logo que inicie a preparação da viagem e depois no local desisti em consciência de estar em Time Square à meia noite. A policia encerra toda a zona com grades e quem entra para o perímetro fechado, pode sair mas não pode voltar a entrar. Isto não é para nós! Seria necessário transformar um momento de festa e de alegria em horas de desgaste e tortura e não foi esse o espírito que nos levou a Nova York. Ainda fomos apanhados no meio de uma massa humana densa que apenas se conseguia movimentar aos empurrões quando saímos de uma das lojas e foi motivo suficiente para não nos aproximarmos mais de Time Square. Como no dia 31 a nossa 
amiga Susana era aniversariante, o programa incluía assistir a um espectáculo na Broadway. O musical escolhido foi o Aladino, no teatro Amesterdão. Não é possível dedicar muitas palavras ao musical porque é tão intenso, tão brilhante e tão apaixonante que o valor e a energia das palavras para o descrever é o motor para alimentar a alma para que a experiência perdure mais tempo na nossa memória. Os bailarinos, as canções, os cenários, o guarda roupa, a manipulação dos projetores, tudo foi perfeito e milimetricamente alinhado. Destacam-se o génio do Aladino interpretado pelo actor/bailarino James Monroe Iglehart, um afro-americano de superficie corporal generosa, já galardoado com um prémio Tony Award e o intérprete de Aladino, o ator Adam Jacobs também já agraciado com vários prémios como o Drama Desk Award como melhor ator de musical e o Grammy Award para o melhor álbum de teatro musical, ambos foram divinais. Após 2 horas de magia era tempo de fazer a última refeição do ano e como a hora já ia longa encontramos uma magnífica Taverna Grega com pratos a preços acessíveis e diversidade muito atrativa. Despedimo-nos assim de 2015 com um repasto que 
conseguiu cortar o perfil alimentar dos últimos dias que não passou muito dos hamburgueres, pizzas e frango. Como queriamos fazer tempo para visitar o Empire State Building à noite, ocupamos o tempo numa cerimónia religiosa de uma igreja não católica que tinhamos encontrado dias antes. O anuncio referia o acompanhamento da cerimónia com uma orquestra de jazz e isso deixou-nos curiosos. A Marble Collegiate Church fica na 5ª avenida com  a zona oeste da 29ª street. Os participantes eram todos muito curiosos, a maioria afro-americanos uns no que se pode designar de bem trajados, as senhoras de chapeu que não retiraram ao longo de toda a cerimónia e outros mais ousados e contemporâneos com brincos e cabelos longos e muita gente jovem, nomeadamente homens. O primeiro discurso foi proferido por um homem jovem de origens asiáticas que era um orador fantástico, seguramente com formação em técnicas de comunicação. Nos intervalos dos discursos ecoavam canções das vozes de 2 cantoras de jazz que traziam ao conjunto um ambiente descontraído e festivo. A ceromónia de celebração religiosa foi em tudo muito semelhante àquela que conhecemos nas igrejas católicas mas com muito menos “carga religiosa”. O momento alto da celebração de uma missa é a apresentação do corpo de cristo com toda a carga simbólica que lhe está associada. Nesta igreja foi uma sacerdotisa que presidiu à cerimónia e quando apresentou o corpo de cristo partiu um pão achatado tipo chapata de generosas dimensões em vários pedaços irregulares. Foi esquisito! Os crentes comumgam tal como nós mas com um cubo de pão que é molhado no cálice com o sangue de cristo. No final fomos todos convidados para um beberete onde não faltavam os cookies e uma deliciosa cidra fresca e frisante. Foi sem dúvida uma experiência muito diferente e vincada. Ainda nos faltava visitar o Empire State Building e como a primeira experiência tinha sido dramática, decidimos fazer a visita precisamente no dia 31 à noite. Foi uma aposta ganha pois não encontramos filas na entrada e o acesso aos elevadores fez-se rapidamente. A chegada ao 86º andar faz-se em poucos minutos num elevador de aceleração rápida que sobre 10 
pisos de cada vez. Depois do 80º piso é necessário trocar para outro elevador para chegarmos ao primeiro observatório que nos deixar sem palavras e extasiados com tanto para admirar. Valeu a pena subir à noite pois a contemplação da cidade toda ornamentada com luzes de tonalidades diversas fazem deste cenário um espectáculo único. Existe outro observatório no 102º andar que é pago fora do acesso do bilhete do city pass, mas nós ficamos satisfeitos com o que conseguimos observar do local onde estávamos. Depois de nos sentirmos abençoados pela paisagem com que a bela NY nos presenteou ali naquele momento, fizemos a descida e dali rumamos à 7ª avenida na esperança de não sermos esmagados pela multidão que aguardava os últimos momento do ano. Ainda tivemos tempo para degustar um chocolate quente com sabor a morango que foi uma bênção para equilibrar a temperatura do corpo e um enorme reforço para a alma. Chegar à proximidade de Time Square não foi tarefa fácil pois a polícia ia cortando as ruas pelo que tivemos de andar várias ruas para trás, até conseguirmos chegar à 7ª avenida para conseguirmos observar um dos muitos ecrans que estavam nas imediações da praça, 
na esperança de ver o relógio com a contagem decrescente ou mesmo a filmagem em direto da descida da bola. A verdade é que nada disto aconteceu. Como nós os outros milhares de pessoas que enchiam aquela avenida celebraram a meia noite e a chegada do ano novo ao verem o primeiro fogo de artificio vindo de Time Square. Nesse momento sentimo-nos defraudados pois era a primeira vez que passavamos o ano sem contar os últimos segundos e sem brindar, uma vez que o álcool estava proibido nas ruas. Isto tudo debaixo de uma ruido permanente dos vários helicópteros que sobrevoavam o coração da cidade. O último dia em NY foi ocupado a visitar a famosa loja dos m&m's, uma predição para os viajante 
menores que nos acompanharam e tempo para as últimas compras. Ainda conseguimos chegar à Grand Central Terminal ou Grand Central Station, uma estação de comboios dentro de Manhatten, no numero 89 da 42nd street, edificada em 1903. É a maior estação ferroviária do mundo com 44 plataformas em 2 niveis com 41 linhas. De realçar neste obra é entrada dos raios solares projetando-se em feixes de filamentos individualizados através das janelas que desenham figuras no chão. O edifício é magnífico e merece uma visita para quem visita a cidade. O nosso transfer chegou com um rigoroso cumprimento da hora e na típica velocidades dos condutores americanos rumamos ao aeroporto JFK a cerca de 25 km da cidade para passarmos a noite sobre o oceano atlântico a bordo de um Boing 777-200 da Americam Airlines, extremamente bem cuidado, a caminho de Londres. A rota foi traçada ao longo da linha de costa passando por Boston, Nova Escócia e São João da Terra Nova para depois sobrevoar o oceano e entrar na Europa atravessando a Irlanda e finalmente, menos de 6 horas depois aterrar no aeroporto de Heathrow em Londres. Como tinahmos uma escala de 8 horas fomos visitar a cidade utilizando a linha de Picadilly (azul). O tempo não ajudou muito e o tempo também estava cornometrado pelo que optamos por visitar um pouco da cidade de autocarro e degustar um pato lacado na Chinatown. A British Airways trouxe-nos de volta a 
casa, consumidos por álgum cansaço quer pela semana intensa que passamos em NY quer pela violação do sono a bordo do avião quer ainda pela diferença horária que ao chegar a Londres fez avançar o relógio 5 horas para a frente, adicionando estas horas ao nosso ciclo biológico formatado durante a última semana para viver 5 horas atrás. Cumpriu-se um sonho, tornamo-nos pessoas diferentes e mais ricas espiritualmente, com uma alma saciada com novas experiências que nos vão acompanhar para sempre. Ficou a vontade de continuar a explorar aquele continente. Apetecia-me rumar à Califórnia e visitar San Diego, Los Angeles, San Francisco e Las Vegas.