Sunday, June 22, 2008

PARAÍSO ENVENENADO (Tróia, bela e amadora – Albergaria do Sado)

Tróia, para quem conhece e certamente concordará, é, e sempre foi um destino de férias por excelência. Conheço Tróia à muitos anos e o encanto das praias e do mar de cor de azul deixam-me sempre fascinado. Agora com a nova oferta turística em construção certamente não faltarão motivos para visitar esta língua de areia que a natureza plantou para nos presentear com uma das mais belas paisagens de Portugal. Sou do tempo das torres Rosa-Mar e Magnólia mar, onde se podia pernoitar a custos relativamente acessíveis, mas sem deslumbramento ou luxo.
Há alguns anos atrás descobri a Albergaria Foz do Sado que se veio a revelar uma opção de excelência para pernoitar por aquelas paragens. A primeira experiência foi magnífica pois trata-se de uma residência em formato de vivenda com uma vista deslumbrante sobre o rio Sado, envolta em pinheiros e jardins. Os donos, um encanto de pessoas, com gosto por receber e por bem agradar. A decoração mostrava vários estilos (oriental, mexicano) complementados com peças de mobiliário, certamente encontrados pelas viagens pelo mundo.
Como há algum tempo que não visitava Tróia, recentemente voltei ao mesmo local e, para meu espanto, fui recebido por uma jovem mulher que quando anunciei o meu intento, abriu gavetas e remexeu papeis em busca, certamente de uma anotação da minha reserva. Com a mesma rapidez deixou de procurar e ligou para a mãe para perguntar sobre a dita reserva. Como resposta, passámos a ser atendidos pela mãe, que manteve sempre um ar sério e incapaz de sorrir ou de ser agradável enquanto remexia em gavetas e papeis, até que, finalmente, pensei eu, descobriu um pedaço de papel que me entregou para preencher com os meus dados ao mesmo tempo que fotocopiava o meu bilhete de identidade. Confesso que não esperava esta recepção pois já ninguém preenche nada ao balcão de um hotel. O próximo passo da senhora foi pegar em 4 comandos e numa chave e rumar escada acima para nos mostrar o quarto. Aí, interpelei-a dizendo que havia solicitado um quarto no rés-do-chão junto à piscina e que me havia sido dito que esse aspecto ia ser tido em conta. Ela simplesmente respondeu que não e que o pequeno almoço seria servido entre as 08.30 e as 10 horas. Ficámos perplexos com aquela nova forma de receber na Albergaria do Sado. Na piscina o nosso André fez logo um amiguinho que por sinal era filho da Srª que até ao último dia julgávamos ser a nova proprietária da unidade. Uma criança simpática, bem nutrida e bem disposta. Na hora de jantar tentámos ir ao Tobias no Carvalhal, famoso pelo seu arroz de marisco, mas por ser 2ªfeira este encontrava-se fechado. De volta ao local de repouso deparámo-nos com a sala cheia com outros hóspedes que ocupavam todos os lugares sendo impossível permanecer um pouco a conversar antes de dormir, por falta de capacidade para sentar. Por não haver mini-bar no quarto, o que considero lamentável, havia pedido à Srª para me guardar a água no frigorífico pedindo-a de volta antes de subir. Solicitei também mais papel higiénico, sempre julgando que ela o iria colocar. Mas não, perguntou se no quarto não estava um rolo ao que eu respondi que sim, mas seria necessário outro que me trouxe e entregou para as mãos. Ali estava eu no meio da sala de papel higiénico na mão. Irreal. O barulho na sala impediu que se conseguisse adormecer antes da meia-noite. O pequeno-almoço foi simples mas saboroso e bem servido. O dia estava encantador. Depois de uma agradável manhã na praia, voltamos para mais umas braçadas naquela piscina convidativa e para rever o nosso amigo Micael. Percebemos que alguns hóspedes já seriam habituais pois movimentavam-se com à-vontade até nas zonas mais reservadas da unidade. Percebemos também que um casal tinha um cão de formato gigante e que para além se passear por todos os locais da Albergaria (vi mais tarde que os animais são aceites) incluindo nos espaços de refeição, o cão até tinha direito a banho de piscina. Achei deplorável, pois havia acabado de dar um belo mergulho.
Não fosse a beleza paisagística daquele pequeno resort, que tem a sorte de estar implantado num paraíso natural, as imagens que guardamos dentro de nós, os cheiros e os ambientes, a experiência teria sido devastadora. Mas mesmo assim deixou-nos incomodados pela forma sempre pouco agradável com que falávamos com esta senhora que estava a dirigir a unidade e que no momento do check-out viemos a saber ser empregada.

Thursday, June 19, 2008

SESIMBRA HOTEL & SPA

Sesimbra faz parte dos encantos e das recordações de outros tempos, dos primeiros em que nos habituámos a explorar os arredores da grande urbe lisboeta. Recordo hoje, passados anos que já nem lembro mas seguramente mais de 15, os tempos em que aos fins-de-semana explorávamos os recantos paradisíacos da costa entre Lisboa e Setúbal. Era lá que encontrávamos os refúgios e o equilíbrio para acalmar dos stress e das ansiedades acumuladas quer dos estudos que depois do início da vida profissional. E assim, Sesimbra, Meco, Setúbal e Tróia, faziam parte das nossas escapadelas aos fins-de-semana, quando o dinheiro já permitia procurar alojamento com alguma qualidade e a custo acessível. Toda esta incerteza e conflitualidade global que hoje se vive parecia não ter tempo nem lugar para alguma vez existir ou acontecer. Não se alcançava nem o cérebro tinha lugar para imaginar estas coisas do combustível e dos cereais e do bio-combustível e da fome e dos alimentos caros. Neste tempo estávamos preocupados em aproveitar o início da vida, em preservar as amizades, em conhecer, explorar e sentir o prazer da areia grosseira do Meco e do cheiro que emanava das ondas da maresia ou então da areia aveludada de Tróia e das suas águas azul-turquesa que nos lembravam à distância, paisagens paradisíacas das longínquas e apetecíveis Caraíbas que entretanto já conhecíamos. E foi para este recanto tão belo e tão perto que voltámos num fim-de-semana de Junho. A surpresa foi total. Sesimbra apesar de manter a sua traça típica, tem hoje uma marginal transformada e cuidada e um hotel de grande qualidade. Ficámos surpreendidos pela qualidade deste 4 estrelas todo virado ao mar e com quartos de dimensões acima do comum. Da varanda fica-se com a impressão que se está suspenso sobre o mar pois a altura do edifício e na posição de sentado, a paisagem que nos é oferecida é o oceano com a sua cor característica. São permitidas, deste local, experiência fotográficas imaginativas. A simpatia e a qualidade do atendimento sente-se logo à chegada onde, na recepção, somos recebidos com um:-bem-vindo ao Sesimbra Hotel & Spa. Tudo está previsto para agradar a quem visita a unidade. Começam por parquear-nos o carro, conduzir as bagagens ao quarto, desejar-nos uma excelente estadia. A Piscina é inteligentemente encaixada em triângulo nas traseiras do edifício, onde o sol é rei grande parte do dia, é abrigada pela próprio corpo do hotel e o nivelamento pela linha do mar, faz daquele local, um quadro natural difícil de abandonar. De regresso ao quarto tínhamos mimos do Director do Hotel: champagne, fruta e água.

A edificação do hotel foi toda pensada e estruturada no aproveitamento natural do declive da falésia, o que, do ponto de vista arquitectónico permitiu algumas ousadias brilhantes. Refiro-me ao pé-alto que constitui o ex-libris do edifício e que permitiu o aproveitamento para a colocação e deslocação de um elevador panorâmico. Quando nele se entra e se passa o piso da recepção, a aventura torna possível à imaginação um passeio pelo fundo marinho, pois desce em abismo controlado até ao fundo do edifício, percorrendo paredes que artisticamente foram decoradas com pedaços de azulejos partidos com motivos marinhos. A técnica é muito parecida com o que Ghaudi fez na sua amada Barcelona, os motivos são outros, puramente oceânicos. As salas de repouso e de estar são fortemente decoradas com papel de parede que não deixa indiferente os mais distraídos. São cores suaves mas muito trabalhadas, ou com algas, ou peixes ou com o que imaginação pode recriar. O edifício tem centenas de quartos e dispõe-se ao longo da encosta em rectângulo, adaptando as suas arestas em formas triangulares para se encaixar na falésia de forma harmoniosa com se um abraço se tratasse. O ginásio é muito agradável, com equipamento adequado a uma unidade de 4 estrelas. O pequeno-almoço é francamente bom e farto, acima da média para um hotel com esta classificação. Deixou saudades e vontade de regressar.

Monday, June 16, 2008

GENT, BRUGES & BRUXELAS (9ª Conferência do Conselho Europeu de Ressuscitação)

A viagem a Gent estava pensada e idealizada desde a ida a Stavanger (Noruega), à 8ª Conferência do Conselho Europeu de Ressuscitação e que, curiosamente, constituiu motivo para a construção deste blog. Se pensada estava, a sua concretização só ficaria inviabilizada caso algo inesperado acontecesse. E Gent tornou-se expectativa logo desde Stavanger e cada vez maior à medida que os meses decorriam. Finalmente Gent em 21 de Maio de 2008. A viagem foi óptima, na TAP, sem atrasos. Os Airbus são confortáveis e o serviço muito agradável. O hotel já conhecido através do booking.com e do Google-maps, não excedeu, infelizmente as nossas expectativas. Era pobre e desalinhado, sem laivos de conforto, sem decoração, mas simpático QB para a função. Chegámos a Gent um dia antes da 9ª Conferência do ERC e, nessa tarde era imperioso para mim entrar na histórica e medieval cidade de Gent, senti-la e explorá-la, enquanto as pernas permitissem andar com prazer e sem sofrimento. Os outros 3 dias haveria de passá-los em salas e anfiteatros a ouvir as sessões científicas sobre as temáticas principais da Conferência: ressuscitação, hipotermia, dispositivos mecânicos de reanimação e resultados das investigações mais recentes nestas matérias. E assim foi. Comparando esta com a conferencia de Stavanger, haveria de encontrar nítidas diferenças. As guidelines, lançadas na Noruega, estavam agora em fase de implementação e amadurecimento. Apostei nas sessões interactivas com televoto, que me permitiram perceber que estávamos ao nível dos colegas dos 4 cantos do mundo: (Japão, Austrália, UK, Suécia, Espanha, Alemanhã, França, Antilhas, Africa do Sul, Chipre, Maldivas).
Sobre as guidelines muito havia a dizer. Questões como: todos as conhecem, mas será que todos as aplicam eram frequentes. Ou, será que 30 compressões torácias são suficientes? E ventilar, será mesmo necessário? E a profundidade das compressões? Porquê 4-5 cm no adulto? É suficiente? Onde estão as provas científicas? Não serão apenas factos? Depois, foi muito interessante ouvir as sessões sobre hipotermia. Quem a faz, como se faz e quais os resultados. E não podiam faltar debates sobre métodos de ensino: se no mesmo espaço e no tempo (em sala), fora do mesmo espaço ao mesmo tempo (biblioteca) e/ou sem ser no mesmo espaço e cada um no seu tempo (e-learning).
A exposição técnica era, como sempre muito interessante, não porque tivesse grandes novidades mas porque permitia treinar com diversos equipamentos e sentir as diferenças entre as diversas marcas. Mas, os meus olhos viram em Stavanger outra atitude. A sessão inaugural foi gira, num imenso salão, com comida quente, bem confeccionada (coelho, legumes peixe, e claro, montes de batatas fritas com molhos infindáveis , mas saborosos). Tudo regado com muita e deliciosa cerveja Belga.
Os almoços de trabalho não podiam fugir à regra tão preconizada na Europa, para desconforto dos nossos estômagos habituados aos deliciosos pitéus Nacionais. Sanduiches e mais sanduiches. Se não fosse a Belgian bear…
Durante a Conferência encontrámos amigos nacionais. O Carlos Pinto, sua mulher (Elsa Guimarães), a Elisabete e a sempre querida Catarina Cruz, que já são uma referência nestas nossas reuniões no estrangeiro, pois aproveitam e fazem umas magníficas férias. A colega Céu viajou conosco, mas só conseguiu alojamento em Bruges, que haveria de ser o nosso próximo destino. O Carlos Pinto e todos os que o acompanhavam, mais uma vez se tornaram incansáveis na prestação e no carinho que nos dispensaram (já assim foi na Noruega). Tornaram-se nossos condutores, levando-nos e trazendo-nos ao hotel, do hotel, para os jantares, sempre bem dispostos e a sorrir. Grandes companheiros e excelente grupo que nos receberam, mesmo cansadíssimos de tanto andar, sempre com um sorriso e palavras de conforto. A Céu sempre pronta para a fárra e eu “podre ” de cansaço a necessitar de um duche e de alguns minutos de repouso no meu hotel. E sobre a conferência nada mais há a referir aproveitando agora para caracterizar um pouco o que achei e senti da cidade de Gent (Ghent ou Gand).
Gent é uma das cidades medievais mais bem conservada da Europa. É uma cidade com uma arquitectura característica da Europa central, com casa de telhados triangulares, todos bem trabalhados e conservados. No coração do centro histórico, contruído nos séculos XIII e XIV, quando a cidade se preparou para o comércio dos têxteis, correm um conjunto de canais e rios que lhe conferem um charme característico. É interesante fazer um daqueles circuitos de barco, facilmente disponíveis para percorrer, por água, a história da cidade. A destacar e a não perder é a magnífica catedral St. Baafskathedraal, datada de séc. XII, com uma torre gótica impressionante. Igualmente impressionante é a Igreja de St. Nicolas também com as suas torres em estilo gótico. Outro local pitoresco e muito bonito é Graslei, uma das ruas percorridas pelos canais e onde se alinham casas de guildas perfeitamente conservadas. Existem esplanadas e restaurantes por todo o lado. A comida é boa mas muito cara e as cervejas belga são uma tentação várias vezes ao dia.
A viagem para Bruges faz-se com facilidade por comboio, dista cerca de 50 km de Gent, mas nós tivemos o previlégio de chegar à Veneza do Norte guiados pelo nosso amigo Carlos Pinto. Bruges é um dos destinos turíscos mais populares da Bélgica. É uma cidade medieval bem conservada, cujas ruas sinuosas atravessam pitorescos canais ladeados por belos edifícios. O centro de Bruges está muitíssimo bem preservado. Não parece ter sido nunca uma cidade industrializada e mantém a maior parte dos seus edifícios medievais. Percebe-se ao percorrer as ruas, que existem cuidados especiais com aquele lugar. Não se veêm cartazes colados nas paredes e o trânsito é muito controlado. As grandes atracções desta bela cidade são sem dúvida os belos edifícios e os monumentos históricos. Realço Belfort ou Campanário, uma impressionante torre octogonal onde está guardada a Carta de Direitos medieval da Cidade. O Markt é uma praça ladeada de belos edifícios medievais, onde tudo acontece. É o coração de Bruges, onde verdadeiramente se pode sentir a cidade. Está sempre repleta de turistas, que enchem esplanadas e dão que fazer às charettes que num vai vem sem fim fazem as delicias dos que não querem perder pitada deste tesouro. Logo atrás da grande praça central encontra-se uma outra pequena praça, oBurg, que pela sua condição escondida constitui local de passagem obrigatória, pois o deslumbramento do Stadhuis, a mais antiga das Câmaras Municipais da Bélgica a isso obriga. Trata-se de um edifício lindíssimo, todo trabalhado , com 3 torres e bordado em talha dourada. Ao lado do Stadhuis há uma série de magníficos edifícios medievais, destacando-se a Basílica do Sangue Sagrado. É por esta praça, por exemplo, que se chega às ruas dos canais e rios onde, em locais de embarque se pode fazer um belo passeio de barco, outra das atracções turísticas de Bruges. O passeio de barco pelo rio Dijver permite observar belos edifícios medievais, a elevada torre da Igreja de Nossa Senhora, a torre do Campanário e pequenos recantos cheios de encanto que só este transporte permite dar a conhecer. Os dias em Bruges passaram depressa. O tempo foi nosso amigo, pois chuviscava de manhã mas depois abria o sol e passávamos os dias cheios de calor. O hotel era muito agradável. Escolhido no booking.com, como sempre, agradou tanto como nas imagens. Gente simpática, um quarto muito agradável cheio de camas e edredons sumptuosamente macios. O pequeno almoço, deliciosamente servido e supervisionado pela Gena, que viemos a saber ser uma brasileira que falava 5 linguas e que foi talhada para aquele serviço, sabia-nos tão bem que deixou saudades. No 2ºdia pedimos um chocolate quente. Foi-nos colocado na mesa leite quente e um stick, tipo palito, que trazia na ponta um cubo de chocolate genuinamente Belga, para derreter deliciosamente no leite e deixar-nos estonteados de prazer. Saibam mais em http://www.choc-o-lait.com/. Infelizmente não se vende por cá. Em Bruges alimentávamo-nos de moules e outros mariscos e as sobremesas nunca fugiam muito dos delicosos crepes de chocolate Belga a derreter e a escorrer por todo o lado. As lojas de chocolate são verdadeiros tormentos de prazer. Existem às dezenas, destacando as marcas Leónidas e a Neuhaus.
Faltava agora picar o ponto “en Bruxele” e lá fomos nós de comboio para a Capital da Europa. Teriamos que fazer o reconhecimento num dia e meio. O poiso foi no hotel NH Atlanta, bem localizado e com um serviço de um quatro estrelas superior. Atrás do hotel, sem estarmos à espera, encontrava-se a Rue Neuve. É apenas a artéria mais comercial da cidade só comparada à Oxford Street na cosmopolita Londres. São uns milhares de metros de rua com lojas de ambos os lados onde uns sapatos podem custas 300 ou mais euros, mas onde também se encontrar as grandes lojas franshizadas e que todos conhecemos: Zara, H&M, Célio etc. Para Bruxelas traçamos limites muito rigorosos pois o tempo era pouco e era preciso ver o principal. Do hotel à magnífica Grand Place, caminhava-se a pé. Esta é o centro geográfico, histórico e comercial da cidade e é o primeiro local a ser visitado por quase todos os turistas. Fazem parte dos edifícios que a compõem, o Hotel de Ville (antiga Maison du Roi) e a Câmara Municipal de Bruxelas, entre outros. Depois de apreciar esta obra feita pelo Homem e que seguramente será a mais bela Praça do Mundo, é obrigatório sair pelos locais devidamente assinalados e visitar o Manneken Pis. Já sabia da sua pequenês e do seu significado, mas não fica bem ir a Bruxelas e não clicar uma foto ao menino a fazer chi-chi. O próximo destino são as Galerias de St-Hubert com telhados e abóbadas em vidro, do séc. XIX, inauguradas pelo primeiro Rei Belga, Leopoldo I. desenhada em estilo Neo-renascentista. Esta galeria destingue-se por ter sido a primeira galeria comercial da Europa. Lá dentro encontramos lojas, cinema, um teatro, cafés e restaurantes. No dia seguinte e de autocarro chegámos com facilidde à alta de Bruxelas para percorrer o Parc de Bruxellas e apreciar o Palácio Real, que é a residência oficial da Monarquia Belga. É um conjunto de edifícios de uma dignidade impressionante ocupando uma área difícil de dimensionar quando visto da rua. Descendo a rua do palácio, vamos encontrar outra zona da cidade que combina intelectualidade e charme. Trata-se da Place e Rue du Grand Sablon. Situada no declive que divide Bruxelas em duas partes, a Place du Grand Sablon é como um degrau entre a parte alta e baixa da cidade, É uma área elegante a abastada, onde se concentram lojas de antiguidades, restaurantes requintados e bares modernos, onde, quando o tempo o permite, os Belgas tomam uma bebida e ficam à conversa até de magrugada. Encerrámos o nosso passeio à bela cidade de Bruxelas, visitando o Parlamento Europeu. Trata-se de uma cidade de betão, aço e vidro, onde tudo é organizado e electrónico. As obras locais dificultavam uma apreciação mais cuidada daquela “cidade-estado” onde se concentram os poderes do velho continente e onde se tomam as dicisões que fazem actualmente a história da Europa.

Sunday, April 27, 2008

Westin, Oeste Magestoso

Como o próprio título sugere, o oeste faz lembrar a velha “lenga-lenga” dos pontos cardeais que os programas escolares nos obrigavam a estudar e a saber “na-ponta-da-língua”. Hoje, já ninguém estuda orientação (com excepção dos escuteiros e de quem tem paixão por orientação (desporto de aventura)) pois as regiões e localizações geográficas aparecem-nos pormenorizadamente nos ecrans dos GPS’s que tão confortável e inteligentemente sabemos utilizar. A nossa incursão desta e mais uma vez, foi pelo Oeste português, cada vez mais apetecível pelos que apreciam luxo, charme e bom gosto. Desta feita cumprimos a promessa há muito feita de visitar o Westin CampoReal Golf Resort & Spa.
Por ser perto de casa e para nos perdermos propositadamente pelas ruralidades decidimos deixar as vias rápidas e optar pelo caminho da costa revisitando localidades que há muito fizeram parte dos nossos passeios domingueiros. Depois de passar a Ericeira e Ribamar a coisa começou a complicar-se pois as orientações não abundavam. Tínhamos apenas uma certeza, era preciso chegar ao Turcifal.
Como trabalho de casa havíamos explorado na net, locais recomendados para petiscos e iguarias, que aliás estão recomendados no Lifecooler (página do hotel). O restaurante o Lampião é um deles e aqui fica a forte recomendação para uma visita. Provámos sopa de feijão com redução de vinho tinto e filetes de garoupa com açorda. A refeição foi trancada com um crepe com chocolate derretido e gelado de baunilha.
Estávamos prontos para a aventura que nos esperava. Do Turcifal até ao resort é preciso ter um pouco de imaginação e bom senso pois as estrada são terceárias e não há orientação, mas a vontade e o sentido conduzem-nos ao vale do Campo Real com muita astúcia e facilidade. Depois, é sentir o prazer de entrar numa unidade que foi pensada e erguida para nos dar conforto e prazer. O Lobby é fantástico, faz-nos apetecer ser aquela a nossa sala de estar. A decoração é moderna mas a tocar a tendência neo-gótica, agora tão actual, combinando estilos e formas com acedemismo intelectual e histórico. Fomos colocados num quarto de generosas dimensões para que a cama extra do nosso filho não fizesse qualquer diferença na área útil que ficou ao nosso dispôr, e muitíssimo agradados com a paisagem (vista golf e piscina) generosidades de quem nos fez a reserva pois a nossa (reserva) não previa estes mimos. Aquela vista da janela e o calor que se fazia sentir não nos deixou qualquer dúvida que aquela piscina era para utilizar até nos cansarmos. Claro que quando se viaja com uma criança de 5 anos existem restrições à total liberdade dos pais, mas nada que não se consiga ultrapassar com alguma disciplina e gestão familiar. Enquanto um pai passa tempos sem fim à beira da piscina dos meninos o outro aproveita para lêr até chegar a hora de fazer a troca para dar energia aos músculos no ginásio irrepreensível que está fabulosamente equipado e à disposição de quem tem coragem para se esgotar num vale verde de luxo e prazer, sem ter que pedir socorro à Serra que nos olha e resguarda em frente, qual muralha que teima em dizer que aquele, é o vale do paraíso.
O hotel está enquadrado no centro de um pequeno aldeamento multifuncional e que dispõe de unidades para aluguer e venda, dando assim possibilidades diversas a quem pretenda instalar-se no hotel ou num chalé luxuoso totalmente equipado. Tudo em redor do resort é verde. Os tons variam apenas pela plantação de superfície que pode ser green do campo de golf, videiras ou eucaliptos mais ao longe. O silêncio lembro-me, é interrompido apenas pelo chilrear dos pássaros. Ao Miguel (Furtado??) devemos as diversas e divertidas actividades que nos ocuparam o tempo de forma calma e participativa. A experiência da corrida matinal, pouco participada naquela lindíssima manhã, permitiu conversas com o Miguel sobre as funcionalidades e novos projectos sobre o resort que continua em busca da perfeição. A ideia do Kids Club em forma de hotel para criança é um projecto absolutamente magnífico. Quando contei ao meu filho, nem imaginam o que ele respondeu:- posso lá dormir sem vocês? Lembro-me da festa da fruta que nos permitia ter a liberdade de fazer experiências com diversas frutas em busca do batido mais exótico e perfeito. As massagens shiatsu à beira da piscina, o Spa Di vine, que oferece potencialidades sem fim e onde os produtos utilizados têm na sua génese grainhas de uva, que, como todos sabemos, têm fortíssimos efeitos anti-oxidantes. Os pequenos-almoços foram verdadeiras experiências, bastante fortes para quem já conhece a maioria das grandes unidades de 5 estrelas do país. Tivemos o previlégio de encontrar pessoas extraordinariamente competentes e simpáticas personalizando no Chefe Celestino os elogios para todos. Um Homem humilde, educado e seguramente um grande mestre nas suas artes. A todos eles e agradecendo a bênção pela vida que temos, selámos os nossos pequenos-almoços sempre com um brinde com um poderoso Champagne seco (com a confissão do Chefe dizendo que faltavam os morangos, porque não os havia encontrados como gostaria). A conversa com ele havia começado porque se nos dirigiu para saber se estávamos a gostar do pequeno-almoço. Como seria possível não se gostar de uma refeição onde sentíamos competência e carinho em cada gesto. A minha constante curiosidade sobre os sabores e os segredos da cozinha moderna/gourmet facilmente precipitaram o diálogo pois o Crumble de Maça a isso me obrigava. Cheio de vergonha e de hesitações pedi ao Chefe Celestino a possibilidade de partilhar comigo o segredo de tão elegante mistura. Esperando um diplomático: - os segredos não se divulgam, fui surpreendido pela classe de um Homem que nos deixou surpreendidos pela sua simplicidade e inteligência. Fica a promessa de tentar em casa a receita do crumble e enviar via mail o resultado dessa experiência gastronómica ao amigo Chefe Celestino. Como ele até o meu filho de 5 anos teve direito a visitar a cozinha. Vinha entusiasmado pois havia visitado uma cozinha de um hotel de 5 estrelas (como ele diz), coisa pouco comum nestas idades e que o deixou cheio de alegria, pois já mostra um grande interesse por temas de culinária.
Muitas outras experiências aguardavam por nós, como foi sentir o cheiro da manhã a borbulhar num jacuzzi exterior e de poder, qual tratamento termal, provar o choque térmico deixando o conforto das quentes borbulhas gelando corpo na grandiosa piscina exterior. Tudo era permitido, até sonhar por breves momentos com a fascinante e surpreendente Budapeste onde os banhos Szechenyi (banhos públicos ao ar livre) fazem as delícias dos húngaros. E assim, depois de muitos mergulhos e de encantadores momentos de lazer, deixámos para trás mais uma experiência gratificante que nos revigora o corpo e alma e nos faz sempre pensar e agradecer pela dádiva da vida.

Sunday, February 24, 2008

O ocidente e o oriente casados e felizes. Cascatas, piscinas, cúpulas, ladrilhos, tons, cores e sabores: Hilton Vilamoura Cascatas Resort Golf & Spa

A chegada ao hotel Hilton em Vilamoura é triunfante. Do exterior, as cúpulas fazem lembrar as ousadias da arquitectura árabe e deixam antever uma grandiosidadeque logo ao entrar nos deixa cheios de orgulho pela espectacular obra e requinte arquitectónico que é o lobby do hotel. Tem um pé alto de vários metros de altura, encimado por uma cúpula de vidro descentrada, (da qual pende uma obra de arte constituida por um conjunto de longos fios que seguram pequenas flores em tons de branco e azul) e ladeado por pequenas janelas rectangulares. A pendente da cúpula transforma-se à noite num grandioso candeeiro que deixa correr a luz ao longo dos fios e recebe-a nas suas pontas. O mobiliário é simples mas coerente.

Num lobby gigantesco as peças fazem lembrar um puzzle, pois estão organizadas em núcloes separados a distâncias consideráveis que deixam os clientes em perfeita reserva como se estivessem na sua própria sala, e afinal estamos na entrada de um hotel. A recepção é deliciosa. Somos recebidos com um “bem vindo ao Hilton” e um cocktail de boas vindas. O carro é arrumado no parque e as bagagens são mais tarde entregues no quarto. O quarto é muito confortável. Óptimos colchões, excelentes almofadas. A decoração é simples mas harmoniosa. Os pequenos detalhes são o mini-bar com leitor de código de barras que debita o produto sempre que é retirado da sua posição original. As casas de banho em vidro são reservadas com um cortinado que por sinal, não gostámos particularmente. Qualquer sistema de estores fica sempre mais elegante. Outra curiosidade que me deixou fascinado foi uma faixa de azulejos atrás do lavatório, composta por uma mistura de cores e padrões que mais fazem lembrar restos de vários lotes que se foram terminando ali naquelas paredes. A cabine de duche separada é já habitual nos resorts mais recentes. Da varanda do quarto tem-se uma panorâmica completa dos jardins, das cascatas, das piscinas. Estas são de água tépida pelo que tomar banho em pleno inverno não é muito penoso. Encontramos piscina de adultos de crianças, de adolescentes e uma piscina romântica, que em plena invernia permite nadar e ser massajado por um gigante jacuzzi. O conceito de piscina interior a 28 graus é interessante mas pouco confortável, pois é coberta apenas parcialmente com meias paredes de vidro, sendo depois desprovida das restantes paredes. O ginásio é completo, elegante e funcional, senti-me “em casa” como se já conhecesse todo aquele espaço e todos os equipamentos.
O pequeno almoço é principesco. Somos recebidos à entrada da sala por uma simpática funcionária que nos acarinha com um sorriso que, apesar da obrigação profissional, é sincero e bonito. Explica-nos o funcionamento do serviço, escolhe-nos uma mesa e convida-nos a disfrutar de um verdadeiro banquete. É irrepreensível a organização do serviço. O buffet é mesmo de 5 estrelas. Não falta nada, senti apenas a falta do champagne. Recomendo que provem o sumo de maracujá e a calda de banana, iguarias desta unidade que não encontrei em nenhuma outra. A sala é totalmente coberta por ladrilhos azul-turquesa que, quando tocados pelo sol, brilham, emitindo espectros de tons suaves daquelas cores. Ficaram por explorar algumas zonas nobres do hotel, nomeadamente o Seven SPA, que prometia ser uma verdadeira aventura para os sentidos, mas, quando se viaja com crianças, outras prioridades se levantam. Senti ainda a falta uma sala de estar, com televisão ou sem ela, onde se pudesse estar para além do bar. Não entendi esta lacuna, pois não parecia ser por falta de espaço, mas este parece ser um conceito que está a desaparecer nas novas unidades. A impressão com que fico é de que este novo espírito da arquitéctura,está a alcancar o limiar da perfeição e que, para que haja harmonia, tem que existir um casamento perfeito entre o arquitecto, o designer e o decorador. Quer o conceito seja minimalista ou elegantemente neo-clássico, a fórmula parece estar na mistura de conceitos entre o ocidental e o oriental, entre o clássico e o moderno, entre o calor confortável dos tecidos e padrões de outrora ou os cabedais e as texturas mais modernas. As riscas misturam-se com as cores, sem que para isso tenha que haver conjugação de géneros. Tudo fica perfeito quando pensado para um determinado local. Encontrei no lobby do hotel, candeeiros como não conhecia em nenhum outro local. Imaginem suportes de pé alto com abajours prateados e dentro destes, candeeiros reflectindo rostos de bebés. Uma verdadeira obra artística, de grande bom gosto. Uma outra zona de nobre elegância, são os elevadores panorâmicos que percorrem todos os pisos do resort dando uma arrasadora panorâmica dos jardins.

Tuesday, February 5, 2008

Requinte e luxo à italiana, aqui tão perto… em Cascais (Grande Real Villa Itália Hotel & Spa)

E o prometido é devido! Cumpriu-se, no último Dezembro, mais um aniversário da minha querida mulher. Como este ano não foi oportuno a saída surpresa na própria data, decidimos adiar, e no último fim de semana de Janeiro, lá fomos nós rumo ao desconhecido. Desconhecido, o hotel, apenas por dentro, pois por fora já nos era muito familiar, conheciamo-lo desde que era ruinas da mansão do Rei Humberto II, também conhedico por “Rei de Maio”, assim chamado por ter reinado apenas naquele mês. Após a instauração da Republica em Itália, em Junho de 1946, o Rei e a sua familia exilam-se em Portugal, onde viveu 36 anos. Portugal era um país neutral durante a II Guerra Mundial e, pelo facto, foi escolhido por muitos exilados devido à sua situação de paz e à sua localização estratégica. O local mais procurado era a Costa do Estoril, também conhecida como a Riviera Portuguesa. Humberto II, sobrinho da Rainha Maria Pia de Saboia, Rainha D. Maria Pia de Portugal, chegou a Portugal em 1946. Ficou primeiro numa casa da Marquesa Olga do Cadaval em Colares para depois viver na casa do Conde de Montreal em Cascais. Depois conheceu a familia Pinto Basto que desponibilizou a sua residência de Cascais- actual Villa D’este- para que o Rei e a sua família se instalassem. Mais tarde e financiada por um grupo de monárquicos, veio a surgir neste terreno a “Villa Italia”, residência definitiva do Rei Humberto II e onde hoje está instalado o hotel Grande Real Villa Itália. As obras de reconstrução foram acompanhadas por nós em cada fim de semana que passeávamos por aqueles lados. A cada semana os restauros faziam antevêr que dali iria saír um edifício de grande riqueza e educação arquitectónica; claro que na altura era impossível prevêr os recantos e os detalhes do seu interior. Para isso, era necessário entrar, pisar, sentir, tocar. Foi este o presente que nos oferecemos pelo 42º aniversário da minha Maria. O quarto era decorado com materiais simples mas de bom gosto. As paredes, pintada de azul -cinzento, traziam à lembrança o mar que se espelhava na frente da janela. Por aqui e por ali encontravam-se espelhos (do tecto ao chão) simples, sem molduras, dando projecção e continuidade ao espaço do quarto já de si muito generoso. Alcatifa no chão, imaculadamente limpa e mobiliário branco tamponado por mármores de tons castanhos e dourados. Cortinas electrícas e luz de presença, bem como luzes indicadoras de disponibilidade de quarto, no exterior deste (qual semáforo luminoso que substitui os indicadores em papel que tradicionalmente penduramos no puxador exterior da porta para que não nos incomodem ou, por outro lado, dando a indicação de que o quarto se encontra livre para arrumação), completavam as novidades deste belíssimo local de alojamento. Almofadas fantástica! Voltaram os cetins nas bandas da cama e a enquadrar superiomente as cortinas. O mini-bar merece aqui um tratamento especial pois o seu conteúdo era exclusiva e totalmente gourmet. É o primeiro hotel onde encontro tal novidade. Para quem se quizer deliciar pode dar-se ao prazer de saborear pinhões com chocolate e limão (Zotter Balleros), chocolate de maracujá ou com sabor a vinho da madeira, bolachas de cerveja (loja Haro &Santos, na Rua da Industria Muscifal-Sintra), entre outros produtos, nomeadamente licores feito em Portugal (de figo, de bolota, de canela). O quatro de banho foi desenhado e pensado para 3 áreas distintas: cabine de duche, zona de banheira e lavatórios e sanita e bidé separados por uma porta de vidro fosco até meia altura. Tudo forrado com mármore lindíssimo em tons de castanho-dourado. O lobby do hotel é esmagador. Aqui sentimo-nos todos um pouco monarcas. O mobiliário tem um design clássico e nos tecidos predominam as cores escuras e douradas num misto inteligentemente pensado para dar conforto e classe. Por cada canto encontram-se quadros em pastel emoldurados em “talha dourada”, alguns ladeados por colunas marmoradas.
O SPA (salute per aqua) faz lembrar uma gruta egipcia. Para entrar, descem-se umas escadas suavemente declinadas e ladeadas por reachos de água que produzem som ao descerem cada degrau. Soberba a experiência. Lá em baixo e depois de nos trocarmos em balneários luxuosos, encontramos uma piscina de talassoterapia harmoniosamente desenhada com um espelho de água que reflecte a cor dourada dos seus ladrilhos. Depois de encher a alma com estes pequenos quadros idealizados e projectados pelo homem, aguardamos pelos nossos terapêutas num sofá em forma de meia lua onde até nos podemos deitar. Aí, sentimos ainda mais o conforto dos fabulosos roupões que nos envolvem, bebemos uma limonada e, finalmente, entregamo-nos aos prazeres divinos dos tratamentos. Entre circuitos de Talasso, Duche Vichy ou massagem localizada ou Craneo-facial, é só escolher, relaxar, entregarmo-nos e sentir os momentos de beleza que a vida nos oferece.
Dormir neste hotel, é sentir o toque suave e leve do edredon, o cheiro e o conforto das almofadas, é deixar o corpo adaptar-se a maciêz do colchão onde está devidamente entreposto um sobre-colchão. Acordar aqui é sentir que o mundo lá fora parou por umas horas. Aliás, durante a estadia dentro do hotel conseguimos mesmo esquecer a rotina, a casa, o emprego, as chatices, tudo. O pequeno almoço é muito requintado. O salão é grandioso e o mobiliário de cores claras contrasta com as cores pretas dos moveis de apoio e os castanhos de algumas zonas dos tectos e com o espelhos estrategicamente colocados em cada uma das paredes laterais da sala dando a falsa ilusão que ela triplica de tamanho. Em termos de iguarias passo a destacar o shot de arroz doce (sim, de arroz doce) e o shot de doce de abóbora com requeijão. Para brindar a mais este pequeno momento delicioso das nossas vidas, 2 fluttes de Petalo: Al Vino del Amore, um moscato engarrafado na Adega Algarvia em Almancil, de sabor adocicado e com um suave fundo de boca. E viva el amore.






Sunday, November 18, 2007

7, Figo, Alba Resort


A expectativa era muita quando decidimos finalmente conhecerer o Resort mandado edificar pelo Internacional do Futebol Luis Figo. A decisão estava tomada à muito tempo, mas as exobitantes tarifas praticadas deixaram arrastar a estadia naquele edílico local. Certo dia, sem certezas ou determinações, entrei no Booking.com e fiquei fascinado com a tarifa oferecida por este sistema de venda online e não exitei, mandei mail à Maria e avançámos com a reserva no Suite Alba Resort. Rumámos ao Algarve no feriado de 01 de Novembro. Depois de almoçarmos com o meu irmão, cunhada e sobrinhas, num restaurante de aspecto simples, mas de cozinha requintada, em frente a Grande Real Santa Eulália Resort & Hotel and SPA, lá fomos nós à descoberta da praia de Albandeira. Preciso partilhar com os visitantes do blog a ementa que nos esperava naquele restaurante de esplanada vermelha cheia de cadeiras de plástico de uma qualquer marca de cerveja nacional. Comemos um arroz de míscaros (cogumelos) acompanhado de uma corvina grelhada que estavam divinalmente confeccionados. Foi uma experiência e uma revolução emocional para os sentidos. Tanto assim foi que não tivemos coragem para deixar ficar o arroz que sobrou e com a maior das honestidades pedimos ao dono do restaurante um recipiente para levar o resto. Com as orientações do meu irmão que já é algarvio, facilmente encontrámos o caminho para o paraíso, pois na Estrada Nacional 125, logo a seguir à Escola Internacional, lá invertemos a marcha para seguir as placas que referiam entre outras, a praia de Benagil. Só mais à frente é que somos informados da orientação para o Alba Resort. O caminho é rural e vai deixando para trás pequenas moradias isoladas até se entrar num caminho onde só passa um carro de cada vez. É um caminho difícil, pois se se cruzarem 2 carros, um terá de recuar até encontrar um pequeno resguardado feito para isso, para estacionar enquanto o outro forasteiro avança. É estranho percorrer aquele caminho e questionamo-nos se defacto para lá dele, existe mesmo um resort de 5 estrelas. Estes pensamentos rapidamente são interrompidos com a chegada ao hotel que surge discreto numa ordem natural em que a natureza e a arquitectura se complementam sem agressividade. Depois do check-in, seguimos num buggy (vulgo carro de golf) (pois os carros não têm permissão para circular dentro da aldeia, assim se encontram dispersas as moradias que albergam as suites, fazendo lembrar uma pequena aldeia). até aos nossos aposentos. Esperáva-nos uma Suite com 100 metros quadrados, muito bem mobilada e decorada, estilo neo-classico. O conforto e o requinte rodeiam-nos naqueles metros quadrados de luxo. Depois de conhecida a Suite fomos à descoberta de outros encantos pois o fim da tarde aproximava-se e com ele o frio vindo do mar. O ex-libris do resort é sem dúvida a piscina panorâmica, pois apesar da temperatura não estar convidativa para dar um mergulho, os nosso olhos são conduzidos para aquela linha de água que representa o fim da piscina e o início do imenso oceano. A separá-los encontram-se apenas as duas tonalidades de azul e depois é deixar a imaginação e o pensamento saírem e navegar mar adentro. O Sol já vinha baixo mas ainda fomos visitar a encantadora enseada de poucos metros de areia e emoldurada com rocha recortadas por grutas de formas e dimensões variadas, a praia de Albandeira. O sol poe-se ao longe e deixa um rasto de ouro que pincela a encosta e mostra-nos a sua arte de pintar as rochas e o mar com um sentido tão belo e real que nos conforta a alma e nos faz sentir o verdadeiro sentido da vida. Já era escuro quando fomos estrear a magnífica piscina interior, que, tal como a exterior também se projecta para o horizonte marinho. As instalações são magníficas, desde os balneários ao mobiliário de apoio à piscina. A temperatura da água é agradável e os diversos jactos permitem-nos passar uns momentos de pura diversão enquanto contemplamos o caír da noite e o vento a sacudir os arbustos lá fora.
Dormir naquele paraíso foi um prazer redobrado pois para além do conforto da Suite, o silêncio era verdadeiramente de ouro. O espaço dedicado ao restaurante é todo ele numa tenda que avança agregada a um pequeno edifício onde se encontra a entrada e todos os espaços de apoio. O pequeno-almoço é normal, para não dizer vulgar, pois tratando-se de um resort de 5 estrelas, confesso que esperava mais. Um aspecto extremamente desagradável, que me deixou estupfacto e que não posso deixar de referir, foi a presença de uma grande quantidade e moscas que pairavam sobre todos os ingredientes que compunham a mais nobre das refeições do dia e a pouca preocupação do staff para impedir os vorazes animais ou de comerem os piteus ou simplesmente de deixarem os seus parasitas sobre os deliciosos croissants. Claro que haviam muitos motivos para esquecer este incidente inaceitável num resort com esta classificação, bastava olhar em frente para voltar ao paraíso, pois o sol e a proximidade do mar, não nos deixavam esquecer o quão bela é a natureza e o previlégio que temos de poder estar ali a viver aquela simbiose. E os dias sucederam-se até ao dia da despedida. Após o check-out, outro incidente fez-nos pensar, ou melhor, ter a certeza de que unidades de 5 esrelas que não estejam integradas em cadeias internacionais, ou são geridas com sensibilidade ou deixam má impressão para quem, como eu, aprecia a gentileza e a distinção. Imaginem que pedi ao funcionário apoio para trazer a bagagem de volta para o carro e ele, olhando para o relógio (09H50min) deu a entender que o bagageiro ainda não tinha chegado. Aceitei o argumento dizendo que esperaria pois seria difícil carregar a bagagem sem apoio uma vez que o parque se encontra na entrada do resort e existem limitações de circulação no hotel. Claro que a espera terminou quando decidimos carregar com as malas e agradecer na recepçao o bagageiro que afinal ainda não tinha entrado ao serviço e despedimo-nos do paraíso com a sensação de que a natureza precisa sempre de um gesto humano para ser perfeita.

Sunday, November 11, 2007

A Oeste tudo de Novo (Marriott Golf & Beach Resort Hotel)

Este ano o dia do meu aniversário esteve rodeado de magníficas e surpreendentes surpresas. Isto quando se entra nos 40’as é estranho, mas começa a sensação de que parte da vida já passou e que é preciso aproveitar bem o tempo que falta. No sentido deste espírito, eu e a minha mulher iniciámos à cerca de 1 ano a marcação de deliciosas surpresas mútuas que culminam com a escolha de um restaurante de referência, conhecido ou não, divulgado ou não nas revistas e a estadia num local encantado com todas as estrelas que os nossos aniversários merecem. E assim foi mais este ano. Para degustar uma deliciosa refeição em dia de aniversário, a surpresa estava na saída 12 da auto-estrada A8, seguindo a direcção do Carvalhal. Aí fica o magnífico restaurante Mãe d'agua, edificado num antigo casão. Ainda mantém toda a traça original, com um elevadíssimo pé-alto, paredes em pedra rústica e um ambiente calmo e apetitoso. Experimentámos a deliciosa Lasanha de Cherne e sobre o sabor desta não consigo tecer nenhuma palavra, é mesmo necessário ir lá provar. A vitela à acoreana vem servida em prato de barro com deliciosas baratas fritas em rodelas. Os sabores são verdadeiras experiências gourmet. A seguir a este aventura gastronómica rumámos a Oeste onde nos esperava uma verdadeira tentação, onde todos os sonhos são possívies de realizar. Entrar no Marriot Golf & Beach Resort é uma verdadeira aventura para os sentidos. A boa impressão começa logo no check-in com a recepção por pessoas extremamente competentes e dedicadas a encantar os hóspedes. No que nos diz respeito ficámos de queixo caído quando nos foi anunciado o up-grade para uma suite junior por se tratar de uma data especial. Não imaginam como esta atitude nos enchem de energia e de boas sensações. Depois os mimos continuam com a entrega da chave do carro para ser parqueado por mais um competentíssimo funcionário. Bem, depois inicia-se uma experiência inolvidável que mantém os sentidos despertos e a alma apurada tal é a quantidade de sensações boas e novas. A entrada na suite é triunfal: cama king size, menu de almofadas, mini bar com maquina de café privada, chá, vinho,champagne, roupões e uma paisagem arrebatadora. O olhar da varanda deixa os olhos pincelados de verde e azul, fruto do casamento perfeito entre o green do golf e o azul do imenso oceano atlântico. Nestes momentos de experiências a cores, cria-se um conflito que nos leva a experimentar o reinado de conforto daquele espaço profissionalmente decorado para nos sentirmos monarcas por umas horas, com a certeza de que o painel colorido está ali, para lá dos vidros das janelas, sempre que o quizermos voltar a ver. Seguem-se uns momentos de repouso e um passeio pelos jardins e piscinas do hotel. Tudo está meticulosamente cuidado e projectado com extrema elegância. O dia ajuda, pois o sol de Outono mantém-se fiel mesmo neste local característico onde o microclima quase sempre nos rouba a possibilidade de um dia bonito de sol. O hotel está calmo e convida a perguiçar ao sol, mas o nosso programa de Salute Per Acua obriga-nos a ir vestir os roupões e antes da revigorante massagem, ainda tivemos tempo para umas braçadas na piscina interior e uns momento de imersão no potente Jacuzzi. Depois fomos encaminhados por uma terapêuta para um gabinete de massagem onde as maõs e os óleos (os meus de palma e de lima) me fizeram esquecer o cansaço, o dia e as dores musculares para me concentrar naquelas mãos e no bem que me estavam a fazer. Quando nos preparávamos para jantar fomos surpreendidos com a chegada ao quarto de champagne, bolo de chocolate e morangos, naturalmente mais uma cortesia deste magnífico resort. Estes mimos revigoram as pessoas fazendo-as reflectir sobre a dádiva da vida e a perfeição do mundo. Eu dei Graças a Deus por poder estar a viver todos aqueles momentos, cheios de encanto e glamour com a pessoa que escolhi para estar ao meu lado. Quando regressámos do jantar pudemos apreciar o lobby e os bares do hotel, agora com iluminações pensadas e colocadas com vedadeira arte decorativa. Dormimos nas nuvens pois a cama estava preparada para um conforto fora do comum. Sentimos uma maciêz incrível vinda daquele colchão. Tratava-se de um edredon tipo sobre-colchão que dava um toque elegante e fofo e transmitia a sensação de se estar a dormir suspenso sobre flocos de algodão. O acordar foi tão sereno que não havia vontade de nada fazer. À chegada ao pequeno almoço fomos abençoados com mais encanto e glamour. Foi sem dúvida o melhor pequeno almoço de hotel que já tive o previlégio de degustar. Foi um verdadeiro pequeno almoço gourmet. Depois, e antes de partir, ainda nos pudemos deliciar com uns momentos de leitura em esteiras confortáveis viradas ao sol.