Sunday, August 9, 2009

TOLEDO, MADRID, MARRAQUEXE, ARANJUEZ, SEVILLA, PUNTA UMBRIA, ALMOGRAVE

Marcar férias de Verão é uma tarefa cada vez mais complexa e morosa, não pela dificuldade em se saber os destinos e o tipo de programa ou conforto que se deseja, mas pela oferta que hoje está disponível no mercado. Perante tanta diversidade torna-se necessário um trabalho de pesquisa cada vez mais exaustivo e elaborado. A internet é hoje uma ferramenta poderosa e veio revolucionar o modo de pesquisar, marcar e escolher destinos e programas. As nossas escolhas têm em conta uma diversidade de parâmetros que passam pela relação qualidade preço dos hotéis, dos serviços que oferecem (quando se viaja com crianças aspectos como não cobrar camas extra, ter piscina ou proximidade de transportes, fazem diferença), da decoração etc. Em relação aos voos quem não aproveita hoje em dia as tarifas atractivas das companhias “low coast”? As tarifas são muitas vezes determinantes para escolher o destino, o dia e a hora em que se voa. Estes novos e modernos métodos de viajar têm tanto de atractivo como de incómodo. Por exemplo, não se consegue na maioria das vezes excelentes vistas nos quartos de hotel. Nos hotéis em formato de resort muitas vezes fica-se um pouco mais longe dos acessos às piscinas, restaurantes, recepção ou looby. Mas, julgo valer a pena a diferença de tarifa. No que diz respeito aos voos e dependendo das companhias aéreas, pequenos pormenores como ter que utilizar um aeroporto fora da nossa área de residência, aterrar num aeroporto secundário ou num terminal mais distante, ou ter Speedy Boarding mediante tarifa extra, ou ter que pagar o catering a bordo, são aspectos com os quais nos deparamos quando somos utilizadores destas tarifas. Nada que não se ultrapasse, pois as diferenças nas tarifas compensam largamente estes pequenos transtornos, dependendo claro, do espírito com que se encaram estes assuntos e da disponibilidade financeira do momento. Comparo muitas vezes este novo formato de fazer férias ao que nos anos 80 e 90 se designava de “mochileiros”, mas mais moderno e sofisticado, ou seja, viajar o mais possível, pensando nos gastos mas nunca descorando a aventura, o exotismo e o conforto. Assim conseguem-se fazer cerca de 2 semanas de férias com orçamentos a rondar os 2000-2500 euros, frequentando hotéis de 4 e 5 estrelas, voos, praia, cidade, parques temáticos e ainda algumas compras sempre agradáveis e desejáveis para dar conforto ao corpo e saciar a alma. Se me perguntarem se gosto de férias em resort´s de luxo com sistemas de TI (tudo incluído), em destinos longínquos e exóticos, quem não gosta? Mas as tarifas que hoje se praticam (acima de 3000 euros para 2 adultos e 1 criança) são muitas vezes responsáveis por se optar por programas alternativos.
A viagem do Verão deste ano não fugiu à regra descrita. Foi pensada, alterada, repensada, destinos e hotéis marcados, anulados e remarcados, ao sabor das tarifas que iam surgindo e das inúmeras indecisões que pelo caminho da organização nos iam assolando. Acho que nunca tivemos tanto tempo com reservas por efectuar, até quase à semana anterior, como aconteceu este ano. Depois de tudo definitivamente pensado, foi traçado o itinerário final, como indica o título deste post. O destino primeiro foi Toledo. Toledo é uma cidade única no mundo: medieval, característica, bela e misteriosa. É um museu a céu aberto. Dentro das muralhas vive-se a história daquele local, com edifícios muito bem conservados. A beleza da cidade e o comércio local são os ingredientes para turistas miúdos e graúdos percorrerem aquelas ruas vezes sem conta ao longo de todo o ano. O que mais chama a atenção, para além da arquitéctura é claro, no comércio, são as inúmeras lojas de espadas, de todos os tamanhos, medidas e feitios, armas, armaduras e elmos. Ficámos no hotel Silken El Bosque Cigarral. Trata-se de uma unidade de 5 estrelas logo à entrada da cidade, projectado numa encosta, permitindo uma paisagem única sobre a cidade. O hotel já tem alguns anos, mas está bem cuidado e tem um serviço simpático, parque gratuito e amenities muito completas e diversificadas. De Toledo a Madrid são cerca de 90 km. Escolhemos um hotel próximo do aeroporto pois o nosso voo era cedo, o que permitia usufruir do pouco tempo em Madrid, de forma mais cómoda.
O Husa Nuevo Boston é uma unidade de 4 estrelas com uma relação qualidade preço fantástica. Tem quartos e camas muito confortáveis, uma decoração em estilo Art Decór que impressiona e uma piscina que faz a delícia de todos quando o ar quente dos 38 ºC de Madrid convida a dar muitos e variados mergulhos. Tem um parque (onde deixámos a carrinha) com tarifas muito acessível para os habituais preços inflacionados dos estacionamentos da capital espanhola e um serviço de Shuttle gratuito para o aeroporto que facilita os tranfers. Jantamos no coração da cidade, na imponente e sempre bela Plaza Mayor. Neste local misturam-se arte, arquitectura, malabarismos, caricaturistas, gastronomia, tradição e cultura. Andar de carro em Madrid não é fácil, como não é em qualquer grande cidade que não se conhece. Quando se está equipado com GPS as coisas ficam facilitadas, mas esta carrinha não dispunha desse equipamento. Mas, para chegar à Plaza Mayor basta percorrer a Av de Toledo até ao arco e virar à direita para a Av Afonso XII que se percorre até ao fundo onde se encontra a rotunda da Estacion de Atocha. Encostando tudo à direita na rotunda sobe-se a Calle de Atocha e ao fundo encontra-se o parque subterrâneo da própria Plaza Mayor. O aeroporto de Barajas é gigante e sofisticado ou não fosse um dos grandes aeroportos da Europa. Voámos para Marraquexe na EasyJet pois as tarifas a partir de Madrid, valeram a pena e cobriam todas as distâncias a partir de Lisboa. Estamos a falar de 1100 euros partindo de cidade das 7 colinas contra 240 euros (2 adultos e 1 criança) para o percurso Madrid-Marraquexe. O voo foi excelente, sem atrasos ou intercorrências. Voar é sempre um momento doloroso para mim. Habitualmente inicio o processo de sofrimento logo dias antes, com pensamentos que em nada ajudam a suportar mesmo que sejam poucos minutos dentro de uma aeronave. Assolam-me pensamentos apocalípticos como se a vida terminasse dentro daquele tubo de aço. Será que é medo de morrer? Se cair será que suporto o sofrimento pré-morte? Se cair será que me preparei para terminar assim? Enfim, uma tempestade de ideias fantasmagóricas que algumas distracções (Pc, PSP, ou Hi-pod) conseguem adormecer por instantes.
A chegada a Marraquexe fez-nos lembrar os tempos em que pisámos solo “Caribenho” ou terras de Vera Cruz. Mais de 40 graus dificultavam o curto trajecto da pista até ao edifício do aeroporto. Após uma fila interminável para verificação de passaportes, finalmente encontramos o condutor do nosso shuttle que aguardava por nós com palavras simpáticas de boas vindas. O percurso até ao hotel, situado na zona nova da cidade, é curto mas cheio de surpresas. A miséria está estampada em cada esquina: casas degradadas da cor da terra compõem o cenário que prende o olhar que rapidamente se volta para as vias de rodagem onde tudo acontece. Num dos cruzamentos sem semáforo mas com STOP que ninguém respeita, passou por nós uma ambulância que chocou violentamente com um pobre carro, desfazendo vidros e chapas e deixando combalido que lá estava dentro. Ficámos perplexos perante tal cenário. Pelo caminho lá vamos treinando o nosso francês com o condutor Árabe simpático. Explicou-nos que a época de maior turismo é de Dezembro até Março, pois o calor intenso nesta altura do ano afasta muitos turistas. A chegada ao hotel Kenzi Menara Palace (inaugurado em Março deste ano) da cadeia Kenzi, faz antever uma estadia das mil-e-uma-noites. Somos recebidos com sorrisos e palavras simpáticas, toalhas frescas para limpar o suor que à chegada ao hotel já se fazia sentir e delicioso chá de menta. O lobby é arrebatador, poderoso e palaciano. A decoração é tudo o que esperamos encontrar num espaço daqueles em território Marroquino, com mosaicos, mármores e madeiras trabalhadas. O hotel é um verdadero hino à beleza, sofisticação e conforto. Um verdadeiro oásis de frescura e luxo. Quadros gigantes com fortes guerreiros e paisagens e gentes do deserto deocram as paredes, mobiliário, tectos, paredes e chão, com materiais locais, numa composição decorativa pensada ao pormenor. Depois de cumpridas as formalidade do check-in fomos conhecer os nossos aposentos dignos de realeza. Seguiu-se o almoço no restaurante internacional com comida deliciosa de requinte gourmet. Deliciámo-nos com Filet de Dourade grillé, ecrasé de pomme de terre aux fruits secs et chips de bacon ; Filet de Rouget cuit sur la peau, rizotto aux jeunes legumes legerement safranés, beurre émulsionne; Pavé de Rumsteck grillé à la planche, écholates confites au vin rouge, pomme pont neuf; Rizotto de fleur de courgette au safran, fine tranche de bacon grillé e creme brûlée au thé à la monthe, glacê fromage blanc, jus de fraise. Os jardins e a piscina são a perder de vista com palmeiras e vegetação intensa e diariamente tratada, que nos fazem sentir “a bordo” de um clima tropical num ambiente encantado. A primeira tarde na piscina foi surpreendente com uma tempestade proveniente dum céu carregado de nuvens cinzento chumbo mas com apenas algumas gotas de chuva para dar lugar a seguir e sem grandes avisos a um céu amarelo e a um vento que só é habitual nos tornados, dando origem, em segundos, a um pequeno tufão amarelo carregado de areia do deserto que avançou em direcção ao hotel a uma velocidade impressionante e assustadora. O clima foi de medo mas assistir e fotografar de perto aquela poderosa força da natureza foi espectacular. Os outros dias foram de absoluta normalidade e acalmia com temperaturas sempre acima dos 35 graus e passados entre a piscina durante o dia e a visita diária obrigatória ao verdadeiro espírito e ambiente marroquino que é a encantadora cidade de Marraquech. O primeiro contacto traduz-se num verdadeiro choque cultural e algum medo e a deslocação do hotel até à Praça Jem El Fna, não é para todos os corações. A condução é assustadora e caótica, sem regras num verdadeiro caos organizado. É assim que se conduz por lá e não há nada a fazer sem ser habituarmo-nos e explicar às crianças que andar sem cinto, a alta velocidade, não respeitar qualquer sinal ou regra de condução, fazer tangentes aos carros, motas, bicicletas, motoretas, carroças e peões só é normal naquele país. À segunda viagem já estamos todos mais tranquilos e aquilo passa a fazer parte também do que para nós é normal. Marrocos é considerado um país muito seguro, desvaneça-se a ideia de que por lá se trocam mulher ocidentais por camelos. Há polícias fardados e à civil por toda a cidade e a sensação de algum receio desvanece-se à medida que nos vamos integrando naquele modo de vida. A chegada à Praça, considerada património da Humanidade é algo que se tem que viver e sentir pois explicar só com palavras é estar sempre a omitir detalhes, sensações e pormenores de grande significado. Por lá co-habitam, malabaristas, encantadores de serpentes, aguadeiros, acrobatas, contadores de histórias e tudo o mais que possamos imaginar. São milhares de pessoas que deambulam de um lado para o outro nas suas vidas a tentar realizar negócios entre eles e com quem os visita. Há de tudo para vender, desde deliciosas sumos naturais a especiarias de toda a ordem, cor e sabor. Há bancas de comidas, engraixadores de sapatos, gente a pedir dinheiro, vendedores de vestes tradicionais, óculos, cintos, cd´s, postais e tudo o que é possível vender e comprar. A partir da praça chegam-se aos tradicionais mercados (souks) marroquinos aos quais recomendo uma visita obrigatória. Ao início parecem verdadeiros labirintos mas depressa se percebe que todos vão dar à praça. Por lá encontra-se de tudo num misto de magia, cor e aroma. Apenas os artigos pequenos (pulseiras, colares e outros souvenirs) têm preço afixado, tudo o resto, relógios, óculos, malas, sapatos, vestes tradicionais, candeeiros, são para regatear numa ladainha que achei magnífica e que é a razão de ser daquela forma de venda e de vida. Faz parte das regras por aquelas paragens e não hà compra sem se perguntar o preço, que é sempre muito inflacionado. Depois estalece-se uma espécie de dança de preços num impressionante diálogo de respeito e de ousadia até acharmos que o que queremos comprar está num bom peço para nós sem ofendermos que está a vender. As refeições podem-se fazer nos inúmeros restaurantes marroquinos que existem nas ruas adjacentes à Praça. A comida é bem confeccionada e os restaurantes oferecem serviços de qualidade. Também se pode comer na Praça pois restaurantes com bancas de comida é o que não falta por lá. Escolher entre brochetas (espetadas), cous-cous (um tipo de farinha de mandioca) ou Tagide (uma espécie de caldeirada de borrego com legumes deliciosos), ou uma salada marroquina, são opções acertadas para os europeus pouco habituados a outras aventuras gastronómicas. Para sobremesa, os gelados são uma opção agradável e deliciosa e os crepes são divinais. Na praça não se servem bebidas alcoólica pelo que quem quiser fazer acompanhar a refeição de uma boa cerveja marroquina (Casablanca, por ex.) tem que procurar um restaurante afastado deste local considera sagrado para os Muçulmanos. Marraquexe é um cidade de cor térrea com habitações consideradas pobres para os europeu, mas que têm o suficiente e o necessário para os residentes locais. É fantástico perceber que qualquer canto serve para montar um balcão e vender alguma coisa. As pessoas parecem-nos felizes, respeitam-se e cumprimentam-se com dignidade. A maioria das medinas são vedadas a não muçulmanos pelo que não as pudemos visitar. Fazer um tour de charrete consegue-se por um excelente preço de 10 a 15 euros e consegue-se uma panorâmica da cidade que nos mostra os contrastes que vão da beleza e do luxo com hotéis e residência luxuriantes até à pobreza dos verdadeiramente pobres que vivem de esmolas que são difíceis de não dar, pois para além do sistema de saúde local não apoiar os que não trabalham, os rostos daquelas gentes, deixam-nos sem palavras e simplesmente lhes damos uma moeda sem pensar em mais nada. No penúltimo dia fomos visitar o SPA by Terraké do hotel e reservámos massagens para as senhoras e o circuito da piscina interior para mim enquanto os miúdos se divertiam na piscina. O circuito de múltiplos jactos terminou com uma sessão de musicoterapia comigo e com o André com os joelhos apoiados no bordo exterior da piscina e com o tronco e cabeça a flutuar e cobertos dentro de água de onde saia musica tão relaxante que nos permitia sonhar com um mundo apenas assim calmo e distante. As mulheres vieram encantadas com as massagens e eu fui surpreendido pelo funcionário Rashid do SPA que me propôs um Hamman marroquino verdadeiro. Claro que não poderia desperdiçar a oportunidade. Entramos dentro duma sala muito quente (uma espécie de banho turco) e rapidamente fui “assaltado” pelo Rashid que me derramou litros de água quente para cima com um balde de madeira e a seguir deitou-me e esfregou com Savon Noir à base eucalipto com força e velocidade e depois massajou-me com toda a sua força, trabalhando-me todos os músculos e articulações cruzando e dobrando os membros, que eu acha que os meus músculos iriam ceder em breve. A sensação é espectacular pois o homem investe naquilo que faz e aplica força verdadeira com todo o corpo dele sobre o nosso. Sentou-se em cima de mim, esticou-me as pernas, os braços, o corpo todo. Fez-me massagens nas costas com os pés numa “tortura” que durou cerca de 10 min. No final voltou a regar-me com litros de água pela cabeça abaixo. Sai-se dali a pensar no poder terapêutico daquele pequeno momento e na técnica utilizada que é avassaladora. Mais uma experiência magnífica. E assim nos despedimos daquele lugar mágico que deixa muitas saudades para voltar, pois Marrocos tem muito para oferecer e visitar. Lugares com as montanhas do Atlas ou a zona costeira, são locais que têm que ser visitados pois cada lolcal tem o seu encanto próprio e merece ser explorado. De regresso ao aeroporto com a descrição de pequenos pormenores como a zona de fumadores que coloca os viciantes numa gaiola de ferro no exterior do aeroporto, com a ventilação natural do ar atmosférico e os cães da policia a receberem os visitantes logo à entrada, não vá algum distraído ter trocado alguma especiaria por algo mais ilícito. A companhia aérea de low coast easyjet fez um trabalho excelente com um voo a horas, tranquilo e organizado. À chegada a Madrid esperava-nos uma complicação inesperada, pois, como havíamos deixado o caro no parque do hotel Husa Nuevo Boston na Avenida de Aragón, muito próxima de Barajas, onde havíamos pernoitado na noite antes de partir para Marraquexe, os Srs. taxistas não queriam fazer o transporte por ser uma curta distância. Como éramos 5, começaram por fazer propostas desonestas de cobrar avultadas quantias não mencionadas no taxímetro, e 2 taxis, as quais eu repudiei com persistência. Foram arrogantes e mal-educados mandando-nos apanhar um autocarro que fomos procurar mas que não nos servia por ficar distante do local que pretendíamos. A coisa foi de tal forma que foi necessário recorrer à polícia do aeroporto que foi simpática e competente e que nos acompanhou em escolta até à zona de táxis do aeroporto obrigando literalmente os taxistas a fazer o trajecto. Eu fui num táxi com as crianças, com uma taxista mulher que não sabia o caminho ou não queria saber pois tinha um GPS na frente dos olhos mas fui eu que a conduziu à porta do hotel. As mulheres foram sozinhas noutro táxi, com um taxista arrogante e ordinário que as transportou a alta velocidade para as assustar. Recuperado o nosso carro dirigimo-nos a Aranjuez para visitar o Parque Temática da Warner Brother´s. Alojámo-nos no hotel Barceló Aranjuez, uma unidade de 4 estrelas, com um serviço muito agradável. Para o Parque Temático restaram-nos apenas 2 horas pois nesta época do ano encerra às 22 horas, o que é no mínimo estranho. É engraçado, os miúdos divertiram-se, acabámos por passar uns momentos agradáveis, mas nada daquilo já me diz grande coisa, pois não há novidade em relação ao que já conhecíamos. Basicamente é uma Isla Mágica com um pouco mais de dimensão e uma ou outra atracção diferente. Aranjuez que é Património Mundial pela Unesco, é uma cidade muito atractiva com boa gente, excelente gastronomia e um parque cultural extraordinário. O palácio e os jardins reportam ao tempo da Monarquia e ao período do Clacissismo Espanhol. Os ladrilhos do palácio são rosados revelando a cara menos conhecida da Monarquia Espanhola, amável, culta e festiva. O Palácio tem origem em 1581 quando Filipe II ordenou a sua construção ao Arquitecto Juan Bautista de Toledo. O trabalho foi continuado por Juan de Herreron, que desenhou um edifício quadrado em torno de um pátio, flanqueado por duas torres. A estrutura actual corresponde ao período barbónico.

Para encurtar a distância entre Aranjuez e Punta Umbria, o próximo destino seria Sevilha. É já um ponto de passagem habitual nas nossas férias de Verão. O Hotel Silken Al Adaluz no Paseo de la Palmera logo a seguir ao Estádio do Bettis de Sevilha foi o eleito para passar a noite, Trata-se de um hotel antigo com zonas renovadas e outras que deixam muito a desejar. Os quartos antigos são pouco confortáveis, nada espaçosos, com alcatifa no chão e todos os defeitos que se possam imaginar num alojamento que não acompanhou a modernidade. Mas para as nossas amigas esperava-as um alojamento de luxo onde tudo era apreciado ao pormenor. As zonas comuns são agradáveis e cuidadas, com uma excelente piscina e grandes jardins. A cadeia de hotéis Silken tem uma grande penetração em Espanha e é raro não encontrar um hotel Silken em qualquer cidade. Tem uma relação qualidade-preço atractivo, habitualmente tem equipamentos de lazer e neste caso em Sevilha era dos poucos hotéis onde o pequeno-almoço integrava a tarifa. As crianças adoram estes pormenores e os deliciosos bom-bons que sempre os esperam ao balcão das recepções. Sevilha, como já referi noutros post´s é a mais bela cidade da Andaluzia. Irradia charme, cultura e tradição. Sentimo-nos lá muito bem. Gostamos das pessoas, do ambiente, do frenesim das compras…

A chegada ao hotel em Punta Umbria foi chocante. Depois de terminadas as formalidade do check-in já perto das 5 horas, esperava-nos À entrada de um dos muitos restaurante do tão agradável Barceló Punta Umbria Beach Resort, uma enorme fila de pessoas esfomeadas e barulhentas que nos deixou apavorados. A estratégia a partir dessa infeliz experiência foi efectuar as refeições logo ao início da abertura dos restaurantes, o que coincidia com os nossos horários habituais. O resto dos dias em Punta Umbria repartiram-se entre comer, dormir, praia, cina, parque infantil, repetindo mais ou menos por esta ordem esta vida de “dolce fare niente”. O hotel tendo boas infra-estrururas estava demasiado ocupado criando situações desagradáveis com piscinas demasiado lotadas ou a não existência de esperguiçadeiras livres junto às piscinas, pois assistia-se a verdadeiras rumarias para marcação prévia desses espaços que passaram a ser policiados pelos seguranças. Enfim, tudo o que não se quer ter para recordar em tempo de férias.
Para terminar com tranquilidade estas longas e fantásticas semanas de férias rumámos a Almograve, aldeia encrustada na entrecortada costa rochosa no Sudoeste Alentejano. Cresci nesta aldeia, conheço cada duna e cada aroma daquele local. É um local rico em flora e fauna e em achados geológicos. As falésias são de xisto e ardósia encimadas por camadas de arenitos já da era Quaternária. É fácil encontrar por lá dobras e falhas e acontecimentos geológicos bem engraçados. Por lá moram os meus pais e demais familiares. A praia é fantástica com um cheiro característico a maresia e a mariscada que só conheço neste local. Por aqui come-se muito bem. Os produtos são do que a terra dá e do que o mar e as leis permitem pescar. Em Almograve, apesar da arquitectura ter sofrido profundas transformações, descaracterizando a aldeia, as gentes e os costumes vão mantendo e é frequente ver os vizinhos e conhecidos entrar pela casa dentro com sacos de tomates, batatas, melões ou melancias. Quase toda a gente tem um pedaço de terra e cultiva para consumo próprio, mas sobra sempre para distribuir pela vizinhança. Cumpridas que estão mais uma férias e Verão, começam-se a esçar ideias e vontades para pensar nas outras que hão-de vir.

Monday, July 6, 2009

Cortesia em Avis… pela rota dos sabores. (Herdade da Cortesia Hotel)

“Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança…”

Este podia ser o mote para o início de qualquer texto. Parece uma frase, ou melhor um poema feito, e é. Quem não conhece a Pedra Filosofal do grande poeta António Gedeão? Mas sonhar é filosofar? Ou será o sonho a filosofia da mente? E como o sonho comanda a vida quando muito um Homem quer, neste caso um conjunto de Homens e uma Mulher, do sonho nasceu o projecto e o país avançou e ficou mais rico, pois passou a contar com mais um hotel. Não é mais um hotel qualquer, é um espaço pensado e estruturado desde o sonho para bem receber, bem tratar e mimar quantos têm o privilégio de o conhecer. A ideia, ao que parece, nasceu, talvez ainda sem ser pensada, na cabeça de um menino que desde cedo encontrou no remo a sua paixão. Ali, pelas águas do Maranhão, numa paisagem que mais parece saída de uma tela, dedicou-se a treinar e a remar lago a fora de modo a que, cada metro percorrido lhe desse projecção para um dia mostrar ao mundo que aquele seu cantinho, que a natureza encantou, era um local muito bom para a prática daquela modalidade e o mundo tinha que saber disso. E assim foi, a dedicação do Luis levou-o a percorrer o mundo e o mundo veio conhecer Avis e o Maranhão. Quando ainda não havia hotel, os amigos da modalidade que visitavam o local eram hospedados em casas particulares na bela vila de Avis, nas casas de um povo que sabe ser hospitaleiro e receber com humildade. Conhecedor de cada canto e recanto daquele belo lago, logo surgiu a ideia de construir um alojamento com a dignidade e o requinte que a modalidade e os amigos estrangeiros tanto mereciam. O espaço de implantação do hotel, foi escolhido de dentro de água, imaginem. Quatro sócios decidiram então erguer na bela Herdade da Cortesia, nome daquela terra e do monte cujas ruínas ainda por lá estão, um hotel. Foi então necessário saber a quem pertenciam aquelas terras que a natureza presenteou com tanta beleza e que de algum modo já pertenciam aos sonhos daqueles amigos. Contactada a autarquia local, o verdadeiro proprietário foi encontrado em Madrid e depois de conhecer o projecto, aprovou a ideia de vender a terra, mas com uma condição, fazer parte da sociedade do projecto. De quatro passaram a cinco sócios. Estavam encontrados os alicerces para fazer renascer em frente às antigas ruínas, um alojamento de grande qualidade a fazer jus à altíssima qualidade daquele lugar. O arquitecto, jovem e irreverente, mandou chamar cada um dos sócios e perguntou-lhes o que não gostariam e o que mais gostariam de encontrar no futuro hotel e, projectou uma árvore. Sim, uma árvore! A ideia tomou corpo e foi aprovada. Naquele local só existiam árvores e aquela seria mais uma em homenagem àquela terra. Da harmoniosa fusão entre a madeira, o betão e o aço nasceu ali um magnífico hotel que projecta na paisagem uma silhueta exótica mas com uma simbiose tão bem conseguida que parece lá sempre ter estado sem nunca ninguém ter reparado. Por entre duas rampas de madeira, escolhida nos tons das muralhas de Avis, entramos no lobby, não sem antes, uma das sócias, a Aurora, nos receber logo no estacionamento, com um caloroso e simpático sorriso de boas vindas. Este contacto, faz antever, que ali naquele local o tempo não sabe que tempo tem. Vai-nos sendo explicado que o edifício tem o formato de uma árvore e que estamos a entrar no seu tronco. O check-in e a apresentação do quarto são feitos de forma tão tranquila e intimista, que parece que aquele lugar já nos pertence um pouco. O quarto, de generosas dimensões, é previamente climatizado para que tudo esteja perfeito e a gosto. Na decoração prevalecem os tons castanhos e o confortável branco dos edredons. Aqui e ali foram colocados apontamentos decorativos com homenagem ao Alentejo: as espigas, uma oliveira e uma tela retro-iluminada. O quarto abre-se directamente para os jardins criando total liberdade de circulação. Todos os alojamentos são construídos em forma de cubos, pintados de branco, a partir do tronco da árvore, derivando em três ramos. A ideia que nos foi explicada pela gentil e calorosa Aurora, é de que ao longe se vêm duas localidades. Avis, a localidade maior, em tons de branco e castanho e a Herdade da Cortesia, um aglomerado menor, nos mesmos tons da vila maior. Por cima dos alojamentos, cuja placa está coberta de pequenas pedras (gravilha), encontram-se vários terraços com mesas, sofás e chapéus-de-sol, que comunicam directamente com a sala envidraçada do restaurante e do bar. Foi-nos dito que o pequeno-almoço não tem hora para ser tomado. Aos madrugadores cabe o direito de, se assim o entenderem, participarem na composição da mesa central e irem degustando, envolvidos por uma paisagem sem fim à vista, os paladares dos enchidos do Alentejo, do pão acabado de fazer, das compotas caseiras e dos batidos de fruta natural. Aqui e ali encontram-se pequenas/grandes homenagens ao mote que levou à construção daquele local, o remo. Como o tempo aqui não tem fim, há sempre lugar para um bom banho de piscina com perfil panorâmico e a passeios pela herdade, com a certeza de que o burro ou os cavalos virão ao nosso encontro para serem acarinhados. A herdade tem ainda um picadeiro aberto, galinhas e pavões. O ginásio está apetrechado com equipamentos adaptados ao treino da modalidade do remo. O ar é puro, a paisagem serena e tranquila enchendo-nos de paz e fazendo-nos desejar que a vida seja apenas assim.

Da incursão ao Alto Alentejo, fazia parte a visita por convite, a uns amigos ali nascidos e por ali criados, em terras de Seda. A Tomásia e o Fabião preparam-nos um repasto digno dos deuses. Alentejanos puros, são profundos conhecedores dos segredos da cozinha destas paragens. Para eles só faz sentido levar à mesa o mais puro dos sabores que a natureza habilidosamente prepara. Tudo aqui é biológico, puro e natural. Os poejos são da terra, o peixe da ribeira, o cabrito do pasto e os espargos, ainda selvagens. A sopa de peixe aprimorada pelas mãos do amigo Fabião, foi confeccionada com azeite, alhos e um mólho de poejos, preparado ao qual se acrescentou um pouco de farinha para engrossar o molho. Seguiu-se o caldo e o peixe e um pouco de colorau para dar cor à sopa. No prato é servida com “sopas de pão”. Depois, é deixar o paladar extrair da mistura o exotismo de cada nota daquela magnífica mistura. Seguiu-se um cabrito assado no forno que estava delicioso, acompanhado de espargos preparados pela Tomásia, numa mistura de mestria inigualável.

Sunday, June 14, 2009

NTGNGI – Norte, Tradição, Gourmet, Natureza, Gastronomia, Inovação

A incursão ao norte do país, foi pensada a partir de uma necessidade profissional que me levaria até à bela cidade de Barcelos. Porque não juntar o útil ao agradável e aproveitar os feriados para visitar e revisitar, algumas localidades que já fizeram as nossas delícias turísticas e gastronómicas em tempos de estudantes e em que os Parques de Campismo eram a nossa procura imediata, para que assim sobrasse orçamento para, já na altura, apreciarmos a honrosa cozinha transmontana que nos deixou até hoje as suas marcas. Com o Discoutbook do Lifecooler em punho aí fomos nós e o percurso foi feito à medida das localidade onde poderíamos utilizar os voucher’s e assim conhecer novos templos gastronómicos que, de outra forma seguramente nos pareceriam distantes e desconhecidos. O restaurante Marveja na bela Figueira da Foz foi a escolha para o 1º almoço de viagem. Depois de percorrer a bela e velha marginal da Figueira, ao fundo já em Buarcos, numa nova urbanização, fomos descobrir uma pequena sala de refeições, de decoração simples, toda virada ao mar, com um serviço muito simpático, mas um pouco demorado. A ementa era magnífica, a confecção, a cargo de um artista na mestria de bem cozinhar. A escolha recaiu sobre uma sopa de peixe e marisco com coentros frescos, que estava magnífica. Os pratos foram robalo assado em cama de espinafres com pinhões e molho de pistáchio e camarão tigre grelhado sobre esparguete de legumes com molho de pesto e natas. Que combinação exemplar. Eu, que só há pouco tempo despertei para as artes e para os segredos da cozinha gourmet, ainda me surpreendo muito com a fusão das cores e a mistura dos elementos e dos sabores. Camarão tigre grelhado com esparguete, conseguem sequer imaginar? O resultado e o sabor são indescritíveis, recomendo e, para melhor compreenderem, uma visita ao Marveja para se surpreenderem tal como nós. A Figueira da Foz é bela, tem uma das mais bonitas praias e paisagens do país. Já por lá tinha andado pelos finais da década de 80 quando a capa, a batina e as cervejas eram as companheiras dos tempos que marcaram a minha vida de jovem adulto estudante. Hoje, os areias, assim como a marginal, permanecem inalterados como se o tempo tivesse parado. A Figueira tem um potencial paisagístico e turístico imenso e, a meu ver, precisa urgentemente de se modernizar. Não se encontram por lá hotéis adequados às exigências actuais e, com tanta concorrência (Algarve, Tróia, Norte interior e litoral e Douro), a oferta e a qualidade irão seguramente ditar as regras. A próxima paragem seria em Mondim de Basto, pois lá esperava-nos um oásis de beleza e prazer, em tempos dado a conhecer numa conversa informal a propósito de mundos, férias e viagens.

AQUA HOTELS – Mondim de Basto

Beleza, conforto, ousadia, experiências, natureza, o silêncio, o chilrear das aves, o serpentear do rio, as força das cascatas, a vida selvagem, o verde, o horizonte e o céu. Assim, desta forma, com estes adjectivos poder-se-ia caracterizar a bonita região de Portugal a que este post faz referência. Mondim de Basto, integrado no Parque Natural do Alvão, presenteia-nos com uma natureza intacta, com animais em vida selvagem, mas também com conforto, lazer e gastronomia. O melhor exemplo de quem nos acolhe com simplicidade, qualidade e competência e aberto ao público desde Março de 2008, é o novíssimo Aqua Hotels da Mondim Tâmega Park, Empreendimentos Turísticos , SA. O hotel encontra-se implantado num planalto virado para um vale onde, lá em baixo, o Rio Tâmega serpenteia por entre rochas de granito que durante milhões de anos soube erodir, para fazer daquela garganta o seu percurso natural. A unidade tem um desenho arquitectónico minimalista em linhas direitas com geometrias e angolusidades simples, num casamento perfeito entre o betão, o vidro e a madeira. Percorrer os diversos módulos do hotel é uma experiência agradável pois a homogeneidade interior permite a contemplação do exterior através das enormes paredes de vidro, contrastando em cada canto com a beleza exuberante da paisagem que está sempre presente. O vale agreste cumprimenta-nos e impõem-se como o elemento principal do relevo. Aqui e ali, encontram-se pequenos lagos que reflectem algumas fachadas brancas, como branco é todo o edifício com excepção da enorme parede de madeira que forra a fachada posterior da unidade. A relva verde, profissionalmente tratada, acentua o contraste branco das paredes. A piscina, de dimensões generosas, espraia-se sobre a relva terminando num perfil horizontal que delimita a fronteira do resort. A seguir só se encontram pinheiros, matos e o imponente vale, ladeado de montanhas de relevo médio. A recepção goza de um pé alto generoso que faz a fusão entre o piso térreo e o 1ºandar. Os elementos de destaque são uma enorme parede preta e uma escultura que traz para dentro do edifício a maior cascata da Europa: “As fisgas de Ermelo”. Elemento de visita obrigatória a cerca de 20 minutos de carro, as fisgas de Ermelo permitem vislumbrar uma paisagem arrebatadora, deixando-nos contaminados, eu diria mesmo viciados, em silêncio, beleza e aroma da natureza. Uma observação cuidada permite encontrar cabras no seu habitat natural, gozando da pura vida da montanha. Os quartos do hotel, são bem decorados, embora minimalistas. Nas paredes encontram-se quadros com fotografias da região, legendadas por poemas de Miguel Torga: “Também os Deuses dormem e são então Montanhas de penumbra sem resplendor. Lassas as fragas, os divinos ossos, bassos os horizontes, os sentidos, -Todo o corpo perece, uma grande fogueira que arrefece, por dentro do volume dos vestidos.” A paisagem é em todos os quartos vista vale, permitindo um acordar a ouvir a natureza e um entardecer raiando o corpo com os raios solares que na montanha têm um carinho especial. O banho, esse pode ser com vista particular para a mãe natureza que deixou neste local, uma prodigiosa aventura para os sentidos. A gastronomia local é cuidada estando reservada para os pacotes com meia-pensão pratos de culinária artística na confecção e na apresentação. O Chefe Luís, um jovem com menos de 30 anos de idade, de tracto simpático e competente, ainda tem tempo para entreter a pequenada com cursos de cozinha que deixam os miúdos loucos de alegria pois têm oportunidade de “meter as mãos na massa” e confeccionar o seu próprio lanche e, enquanto esperam pela saída do forno, deliciam-se com gelados em plena cozinha do hotel. Os pais que trocaram algum tempo do seu lazer para acompanhar esta aventura são presenteados com deliciosos bom-bons de chocolate que o Chefe Luís coloca à disposição aventurando-se a perguntar quem adivinha os ingredientes. Chocolate claro, mas com quê? Hipóteses e mais hipótese mas todos ficam no frio em relação à resposta que afinal era tão simples. Simples bom-bons de chocolate confeccionados com cereais e consumidos após algumas horas de congelador. Uma delícia a reproduzir em casa.
Por toda esta região, não faltam locais para encher os olhos de beleza natural e reconfortar a alma com tanto que a natureza nos oferece. Os horizontes sempre verdes e ondulados pelo relevo das montanhas, os aromas das plantas silvestres e o ar puro do campo, são riquezas que nos são oferecidas e por nós guardadas nos ficheiros da memória para fortalecer o cérebro e dar mais valor e qualidade à vida. Para isso contribui também a apurada oferta gastronómica da região que nos deixa vontade de assim saber cozinhar e de levar os aromas para sempre. A Adega Sete Condes em Mondim de Basto, é um restaurante/adega numa casa de pedra com interiores frescos em madeira onde se podem apreciar com calma os petiscos da região. Experimentámos presunto, broa e uma vitela biológica de seu nome Ihada Maronesa que nos fez literalmente lamber os dedos.

Depois de cumpridas as responsabilidades profissionais em Barcelos, onde passámos a noite de Santo António, ao som dos cantares e das marchas daquela região do país, rumámos ao Porto onde e mais uma vez, o jantar foi escolhido com a ajuda do Lifecooler que nos levou até ao requintado e riquissímos restaurante Sexto Sentido que depois de alguma confusão sobre a localização lá conseguimos chegar com a ajuda de uns telefonemas e do precioso GPS. É que outrora ocupava instalações no Cais das Pedras na zona da Foz do Douro e agora, logo depois de passar a ponte da Arrábida e na saída para Devesas, na primeira cortada à esquerda encontra-se na Quinta do Fojo. Mantendo a mesma qualidade e requinte, trata-se de um restaurante agora numa quinta onde o Golf é rei e senhor e o Sexto Sentido o responsável por manter a qualidade, a exigência e a riqueza gastronómica dos que apreciam a grandiosidade e os luxos da vida. Um campo de golfe na cidade, é assim que a Quinta se faz anunciar. A quinta do Fojo tem uma casa senhorial com camélias centenárias, foi fundada por William Neville em 1714 e um século mais tarde, Wellington faz dela o quartel general durante o cerco do Porto pelo exército de Napoleão. O campo tem buracos de dificuldade variável, permitindo percursos de 6, 12, e 18 buracos em função da disponibilidade de tempo. Foi concebido a pensar no jogador de golfe que aqui pode conciliar a prática regular do seu desporto favorito com a vida na grande cidade. Escolhemos, no Sexto sentido, um creme de legumes que à primeira prova nos fez desafiar a imaginação no sentido de adivinharmos que ingredientes fariam tão sublime paladar. O fundo de boca parecia-me de amêijoas. Não estava longe, tratavam-se de muitos coentros, alhos e azeite que no final produziram um creme espesso e aveludado. A outra opção foi sopa de cebola gratinada com queijo. O sabor era forte e exigente, pois o queijo sobrepunha-se à cebola e impunha um forte paladar que merecia algo mais para o atenuar. Os pratos foram de tamboril ao molho de rúcula, tomate seco e pinhões que era uma tentação inesquecível para os olhos e para a boca e nacos de lombo ao molho de cogumelos selvagens.
Para descansar escolhemos o Hotel Bessa, mesmo à beira do Estádio do Bessa. Foi uma agradável surpresa, pois trata-se de uma unidade de 4 estrelas, cheio de conforto, com quartos espaçosos e magnificamente equipados, fazendo da relação qualidade-preço uma escolha acertada para outras idas ao Porto que tanto apreciamos. A decoração e em tons de preto e vermelho conferindo àquele espaço um agradável ambiente de conforto e tranquilidade. Já de regresso e no último dia, o cheiro forte do mar chamou-nos à velhinha Nazaré onde o sítio se impõe como cabo da boa e da bela esperança. Encontrámos uma terra cheia de turistas num ambiente típico e tradicional muito agradável. A escolha para o repasto recaiu sobre o restaurante Ala-Riba, que já conhecemos, para provar a deliciosa caldeirada confeccionada na hora e a pedido. Foi confortável voltar a percorrer as ruas da Nazaré onde me diziam que já nada era como de antes, pois as varinas não mais podiam aliciar os passeantes com os seus pregões em busca de novos hóspedes para os seus quartos. Fiquei feliz por perceber que afinal não é assim, e as varinas lá continuam, embora em menor número, com as suas bancas de artesanato regional e as velhas “tabeletas” apregoando quartos livres ou casas para alugar, desta vez com a chancela da Direcção Geral de Turismo.

Comporta do Arroz em Troia Dourada

As experiências gastronómicas são cada vez mais experiências sensoriais. Esta observação parece redundante mas para os apreciadores da boa gastronomia esta fusão faz cada vez mais sentido. Aliás, não fazia sentido algum se deste cruzamento não emanassem requintadas proezas olfactivas e organo-lepticas que fazem do acto de comer, muito mais do que uma simples hora de refeição. Hoje procuram-se locais, espaços, restaurante e ementas em função da região e do enquadramento paisagístico onde se inserem, da decoração que apresentam e naturalmente das ementas e das especialidades que servem. Para os consumidores e apreciadores de vinho, um restaurante escolhe-se também pela carta de vinhos que apresenta. De Troia e da Comporta não é o primeiro post que aqui coloco, mas parece que o faço sempre pela primeira vez. Desta vez o destino foi o restaurante Ilha do Arroz. A escolha foi determinada pela presença deste belo lugar no Lifecoooler que nos presenteia com a oferta de um 2ºprato na compra de um de igual ou valor superior. A deslocação foi a tradiocional, pelo Ferry-boat atravessando o Rio Sado. Para quem conhece Troia como eu, desde miúdo, as diferenças agora encontradas, são poucas e muitas com o mesmo grau de acertividade. A Tróia de hoje caminha para um futuro sofisticado que sempre povoou a minha memória, pois a beleza daquele local não co-habitava com a falta de condições de outros tempos. Há vozes discordantes que se opõem a este progresso com um enquadramento sofisticado e ao mesmo tempo mais caro. Lembro-me de ouvir dizer que Tróia iria passar a pertencer aos que têm dinheiro, aos que podem pagar. Até posso concordar, mas se por lá passarem agora hão-de concordar que já há onde dormir com ofertas para várias bolsas, já não temos que pisar a areia escaldante para percorrer a duna até à praia ou para simplesmente passear à beira da estrada. Existem passadiços de madeira, jardins e a antiga paisagem de carros estacionados por todo o lado deu lugar a uma vegetação que teimava em não crescer. Para os mais saudosistas, devo referir que a Tróia selvagem e deserta continua a existir, desde que queiramos afastar-nos um pouco do complexo turístico. A seguir ao Sol-Troia continua a haver kilometros de praias desertas e salvagens. Mais à frente, a bonita praia da Comporta e o restaurante Ilha do Arroz. É um espaço simples mas acolhedor e goza de uma paisagem arrebatadora. Tem esplanada para os dias que convidam ao sol e uma zona onde se pode relaxar e perguiçar em confortáveis puffs. A criançada faz aqui as suas delicias, pois areia e ar livre não faltam para dar asas à imaginação. O serviço é simpático e a ementa rica em arroz, havendo opções que deixam todos, mesmo os mais exigentes, satisfeitos. A nossa escolha recaiu sobre o Arroz de Lingueirão: estava fabuloso, bem recheado, bom tempero, muito molho e o toque aromáticos dos coentros. Enquanto se espera pela demora que não é muita, pode-se optar por variadas entradas, ou simplesmente, aguardar pelo prato principal contemplando as tonalidades da água e o contraste que fazem com o dourado da areia que é único. Ao fundo impõe-se a Arrábida majestosa qual guardiã de tão belo lugar.

Sunday, May 24, 2009

Noiva do Mar (Lifecooler)

Provavelmente já é do conhecimento da maioria das pessoas, pois foi amplamente divulgado nos locais de venda de jornais e revistas, ou talvez não, que o site http://www.lifecooler.com/ lançou em meados do ano passado um livro de descontos em restaurantes, hotéis, bares institutos de beleza e empresas de desportos de lazer e radicais. Os voucher’s têm validade até Outubro deste ano e na maioria das situações os restaurantes oferecem o 2º prato na compra de outro ou, 50% de desconto sobre o total da conta excluindo as bebidas. Todos os restaurantes que já frequentei são de excelente qualidade e com preços que habitualmente só sentimos vontade de pagar em dias festivos ou quando já nos cansámos dos pratos do quotidiano e apetece-nos sentir o cheiro e provar as artes da cozinha gourmet, de autor ou de fusão. Este tipo de iniciativas leva-nos a conhecer locais, gentes e sabores que de outra forma, provavelmente adiaríamos com o pretexto de que o requinte e o preço que se paga por outros sabores, não são de todo prioritários. O restaurante de que vos falo e que conheci no contexto do lifecooler, fica no litoral Oeste, bem lá para os lados da Lourinhã. Chama-se Noiva do Mar e fica integrado num recente Resort Turístico de 4 estrelas que simpaticamente nos foi mostrado em visita guiada. É composto por Apartamentos T1 e T2 muito bem equipados e com decoração moderna e funcional (os T1 são de apenas um piso e os T2 em formato de duplex), um SPA/Healths Club com o maior jacuzzi que já vi, um bar panorâmico e sala para eventos e reuniões. Está prevista uma piscina exterior que ainda se encontra fase de projecto. Mais informações em http://www.noivadomar.pt/ O restaurante tem uma arquitectura circular com janelas em vidro acompanhando a orla marítima e permitindo uma vista panorâmica sobre o imenso azul do mar ali tão perto. No dia que lá estivemos conseguia-se avistar as Berlengas, Peniche e Santa Cruz. É neste ambiente que se degusta uma refeição que é servida com qualidade e requinte por simpáticos funcionários.
A sala é de dimensões medianas decorada em tons de azul e branco e motivos marinhos que evocam o local onde se encontra. As entradas são compostas por pão servido de forma individual, e deliciosa manteiga e pasta de marisco. Escolhemos um creme de marisco que estava divinal e que foi servido a partir concha de um búzio gigante. Os pratos foram compostos por Cherne grelhado com legumes e Pato Confit servido com batatinhas de forno numa combinação que deixa saudades de voltar.
As sobremesas foram escolhidas com o apoio do funcionário e as escolhas recaíram sobre Parfoit (uma espécie de semi-frio) de aguardente da Lourinha, Parfoit de Licor Beirão com nozes caramelizadas em mel sobre café e Pêra Rocha cozida em calda de acuçar com pau de canela salteada em mel acompanhada com gelado. Tudo foi preparado e servido com grande profissionalismo e dedicação. Ficam os sabores, a experiência e a vontade de continuar por novas aventuras gastronómicas.