Monday, July 6, 2009

Cortesia em Avis… pela rota dos sabores. (Herdade da Cortesia Hotel)

“Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança…”

Este podia ser o mote para o início de qualquer texto. Parece uma frase, ou melhor um poema feito, e é. Quem não conhece a Pedra Filosofal do grande poeta António Gedeão? Mas sonhar é filosofar? Ou será o sonho a filosofia da mente? E como o sonho comanda a vida quando muito um Homem quer, neste caso um conjunto de Homens e uma Mulher, do sonho nasceu o projecto e o país avançou e ficou mais rico, pois passou a contar com mais um hotel. Não é mais um hotel qualquer, é um espaço pensado e estruturado desde o sonho para bem receber, bem tratar e mimar quantos têm o privilégio de o conhecer. A ideia, ao que parece, nasceu, talvez ainda sem ser pensada, na cabeça de um menino que desde cedo encontrou no remo a sua paixão. Ali, pelas águas do Maranhão, numa paisagem que mais parece saída de uma tela, dedicou-se a treinar e a remar lago a fora de modo a que, cada metro percorrido lhe desse projecção para um dia mostrar ao mundo que aquele seu cantinho, que a natureza encantou, era um local muito bom para a prática daquela modalidade e o mundo tinha que saber disso. E assim foi, a dedicação do Luis levou-o a percorrer o mundo e o mundo veio conhecer Avis e o Maranhão. Quando ainda não havia hotel, os amigos da modalidade que visitavam o local eram hospedados em casas particulares na bela vila de Avis, nas casas de um povo que sabe ser hospitaleiro e receber com humildade. Conhecedor de cada canto e recanto daquele belo lago, logo surgiu a ideia de construir um alojamento com a dignidade e o requinte que a modalidade e os amigos estrangeiros tanto mereciam. O espaço de implantação do hotel, foi escolhido de dentro de água, imaginem. Quatro sócios decidiram então erguer na bela Herdade da Cortesia, nome daquela terra e do monte cujas ruínas ainda por lá estão, um hotel. Foi então necessário saber a quem pertenciam aquelas terras que a natureza presenteou com tanta beleza e que de algum modo já pertenciam aos sonhos daqueles amigos. Contactada a autarquia local, o verdadeiro proprietário foi encontrado em Madrid e depois de conhecer o projecto, aprovou a ideia de vender a terra, mas com uma condição, fazer parte da sociedade do projecto. De quatro passaram a cinco sócios. Estavam encontrados os alicerces para fazer renascer em frente às antigas ruínas, um alojamento de grande qualidade a fazer jus à altíssima qualidade daquele lugar. O arquitecto, jovem e irreverente, mandou chamar cada um dos sócios e perguntou-lhes o que não gostariam e o que mais gostariam de encontrar no futuro hotel e, projectou uma árvore. Sim, uma árvore! A ideia tomou corpo e foi aprovada. Naquele local só existiam árvores e aquela seria mais uma em homenagem àquela terra. Da harmoniosa fusão entre a madeira, o betão e o aço nasceu ali um magnífico hotel que projecta na paisagem uma silhueta exótica mas com uma simbiose tão bem conseguida que parece lá sempre ter estado sem nunca ninguém ter reparado. Por entre duas rampas de madeira, escolhida nos tons das muralhas de Avis, entramos no lobby, não sem antes, uma das sócias, a Aurora, nos receber logo no estacionamento, com um caloroso e simpático sorriso de boas vindas. Este contacto, faz antever, que ali naquele local o tempo não sabe que tempo tem. Vai-nos sendo explicado que o edifício tem o formato de uma árvore e que estamos a entrar no seu tronco. O check-in e a apresentação do quarto são feitos de forma tão tranquila e intimista, que parece que aquele lugar já nos pertence um pouco. O quarto, de generosas dimensões, é previamente climatizado para que tudo esteja perfeito e a gosto. Na decoração prevalecem os tons castanhos e o confortável branco dos edredons. Aqui e ali foram colocados apontamentos decorativos com homenagem ao Alentejo: as espigas, uma oliveira e uma tela retro-iluminada. O quarto abre-se directamente para os jardins criando total liberdade de circulação. Todos os alojamentos são construídos em forma de cubos, pintados de branco, a partir do tronco da árvore, derivando em três ramos. A ideia que nos foi explicada pela gentil e calorosa Aurora, é de que ao longe se vêm duas localidades. Avis, a localidade maior, em tons de branco e castanho e a Herdade da Cortesia, um aglomerado menor, nos mesmos tons da vila maior. Por cima dos alojamentos, cuja placa está coberta de pequenas pedras (gravilha), encontram-se vários terraços com mesas, sofás e chapéus-de-sol, que comunicam directamente com a sala envidraçada do restaurante e do bar. Foi-nos dito que o pequeno-almoço não tem hora para ser tomado. Aos madrugadores cabe o direito de, se assim o entenderem, participarem na composição da mesa central e irem degustando, envolvidos por uma paisagem sem fim à vista, os paladares dos enchidos do Alentejo, do pão acabado de fazer, das compotas caseiras e dos batidos de fruta natural. Aqui e ali encontram-se pequenas/grandes homenagens ao mote que levou à construção daquele local, o remo. Como o tempo aqui não tem fim, há sempre lugar para um bom banho de piscina com perfil panorâmico e a passeios pela herdade, com a certeza de que o burro ou os cavalos virão ao nosso encontro para serem acarinhados. A herdade tem ainda um picadeiro aberto, galinhas e pavões. O ginásio está apetrechado com equipamentos adaptados ao treino da modalidade do remo. O ar é puro, a paisagem serena e tranquila enchendo-nos de paz e fazendo-nos desejar que a vida seja apenas assim.

Da incursão ao Alto Alentejo, fazia parte a visita por convite, a uns amigos ali nascidos e por ali criados, em terras de Seda. A Tomásia e o Fabião preparam-nos um repasto digno dos deuses. Alentejanos puros, são profundos conhecedores dos segredos da cozinha destas paragens. Para eles só faz sentido levar à mesa o mais puro dos sabores que a natureza habilidosamente prepara. Tudo aqui é biológico, puro e natural. Os poejos são da terra, o peixe da ribeira, o cabrito do pasto e os espargos, ainda selvagens. A sopa de peixe aprimorada pelas mãos do amigo Fabião, foi confeccionada com azeite, alhos e um mólho de poejos, preparado ao qual se acrescentou um pouco de farinha para engrossar o molho. Seguiu-se o caldo e o peixe e um pouco de colorau para dar cor à sopa. No prato é servida com “sopas de pão”. Depois, é deixar o paladar extrair da mistura o exotismo de cada nota daquela magnífica mistura. Seguiu-se um cabrito assado no forno que estava delicioso, acompanhado de espargos preparados pela Tomásia, numa mistura de mestria inigualável.

Sunday, June 14, 2009

NTGNGI – Norte, Tradição, Gourmet, Natureza, Gastronomia, Inovação

A incursão ao norte do país, foi pensada a partir de uma necessidade profissional que me levaria até à bela cidade de Barcelos. Porque não juntar o útil ao agradável e aproveitar os feriados para visitar e revisitar, algumas localidades que já fizeram as nossas delícias turísticas e gastronómicas em tempos de estudantes e em que os Parques de Campismo eram a nossa procura imediata, para que assim sobrasse orçamento para, já na altura, apreciarmos a honrosa cozinha transmontana que nos deixou até hoje as suas marcas. Com o Discoutbook do Lifecooler em punho aí fomos nós e o percurso foi feito à medida das localidade onde poderíamos utilizar os voucher’s e assim conhecer novos templos gastronómicos que, de outra forma seguramente nos pareceriam distantes e desconhecidos. O restaurante Marveja na bela Figueira da Foz foi a escolha para o 1º almoço de viagem. Depois de percorrer a bela e velha marginal da Figueira, ao fundo já em Buarcos, numa nova urbanização, fomos descobrir uma pequena sala de refeições, de decoração simples, toda virada ao mar, com um serviço muito simpático, mas um pouco demorado. A ementa era magnífica, a confecção, a cargo de um artista na mestria de bem cozinhar. A escolha recaiu sobre uma sopa de peixe e marisco com coentros frescos, que estava magnífica. Os pratos foram robalo assado em cama de espinafres com pinhões e molho de pistáchio e camarão tigre grelhado sobre esparguete de legumes com molho de pesto e natas. Que combinação exemplar. Eu, que só há pouco tempo despertei para as artes e para os segredos da cozinha gourmet, ainda me surpreendo muito com a fusão das cores e a mistura dos elementos e dos sabores. Camarão tigre grelhado com esparguete, conseguem sequer imaginar? O resultado e o sabor são indescritíveis, recomendo e, para melhor compreenderem, uma visita ao Marveja para se surpreenderem tal como nós. A Figueira da Foz é bela, tem uma das mais bonitas praias e paisagens do país. Já por lá tinha andado pelos finais da década de 80 quando a capa, a batina e as cervejas eram as companheiras dos tempos que marcaram a minha vida de jovem adulto estudante. Hoje, os areias, assim como a marginal, permanecem inalterados como se o tempo tivesse parado. A Figueira tem um potencial paisagístico e turístico imenso e, a meu ver, precisa urgentemente de se modernizar. Não se encontram por lá hotéis adequados às exigências actuais e, com tanta concorrência (Algarve, Tróia, Norte interior e litoral e Douro), a oferta e a qualidade irão seguramente ditar as regras. A próxima paragem seria em Mondim de Basto, pois lá esperava-nos um oásis de beleza e prazer, em tempos dado a conhecer numa conversa informal a propósito de mundos, férias e viagens.

AQUA HOTELS – Mondim de Basto

Beleza, conforto, ousadia, experiências, natureza, o silêncio, o chilrear das aves, o serpentear do rio, as força das cascatas, a vida selvagem, o verde, o horizonte e o céu. Assim, desta forma, com estes adjectivos poder-se-ia caracterizar a bonita região de Portugal a que este post faz referência. Mondim de Basto, integrado no Parque Natural do Alvão, presenteia-nos com uma natureza intacta, com animais em vida selvagem, mas também com conforto, lazer e gastronomia. O melhor exemplo de quem nos acolhe com simplicidade, qualidade e competência e aberto ao público desde Março de 2008, é o novíssimo Aqua Hotels da Mondim Tâmega Park, Empreendimentos Turísticos , SA. O hotel encontra-se implantado num planalto virado para um vale onde, lá em baixo, o Rio Tâmega serpenteia por entre rochas de granito que durante milhões de anos soube erodir, para fazer daquela garganta o seu percurso natural. A unidade tem um desenho arquitectónico minimalista em linhas direitas com geometrias e angolusidades simples, num casamento perfeito entre o betão, o vidro e a madeira. Percorrer os diversos módulos do hotel é uma experiência agradável pois a homogeneidade interior permite a contemplação do exterior através das enormes paredes de vidro, contrastando em cada canto com a beleza exuberante da paisagem que está sempre presente. O vale agreste cumprimenta-nos e impõem-se como o elemento principal do relevo. Aqui e ali, encontram-se pequenos lagos que reflectem algumas fachadas brancas, como branco é todo o edifício com excepção da enorme parede de madeira que forra a fachada posterior da unidade. A relva verde, profissionalmente tratada, acentua o contraste branco das paredes. A piscina, de dimensões generosas, espraia-se sobre a relva terminando num perfil horizontal que delimita a fronteira do resort. A seguir só se encontram pinheiros, matos e o imponente vale, ladeado de montanhas de relevo médio. A recepção goza de um pé alto generoso que faz a fusão entre o piso térreo e o 1ºandar. Os elementos de destaque são uma enorme parede preta e uma escultura que traz para dentro do edifício a maior cascata da Europa: “As fisgas de Ermelo”. Elemento de visita obrigatória a cerca de 20 minutos de carro, as fisgas de Ermelo permitem vislumbrar uma paisagem arrebatadora, deixando-nos contaminados, eu diria mesmo viciados, em silêncio, beleza e aroma da natureza. Uma observação cuidada permite encontrar cabras no seu habitat natural, gozando da pura vida da montanha. Os quartos do hotel, são bem decorados, embora minimalistas. Nas paredes encontram-se quadros com fotografias da região, legendadas por poemas de Miguel Torga: “Também os Deuses dormem e são então Montanhas de penumbra sem resplendor. Lassas as fragas, os divinos ossos, bassos os horizontes, os sentidos, -Todo o corpo perece, uma grande fogueira que arrefece, por dentro do volume dos vestidos.” A paisagem é em todos os quartos vista vale, permitindo um acordar a ouvir a natureza e um entardecer raiando o corpo com os raios solares que na montanha têm um carinho especial. O banho, esse pode ser com vista particular para a mãe natureza que deixou neste local, uma prodigiosa aventura para os sentidos. A gastronomia local é cuidada estando reservada para os pacotes com meia-pensão pratos de culinária artística na confecção e na apresentação. O Chefe Luís, um jovem com menos de 30 anos de idade, de tracto simpático e competente, ainda tem tempo para entreter a pequenada com cursos de cozinha que deixam os miúdos loucos de alegria pois têm oportunidade de “meter as mãos na massa” e confeccionar o seu próprio lanche e, enquanto esperam pela saída do forno, deliciam-se com gelados em plena cozinha do hotel. Os pais que trocaram algum tempo do seu lazer para acompanhar esta aventura são presenteados com deliciosos bom-bons de chocolate que o Chefe Luís coloca à disposição aventurando-se a perguntar quem adivinha os ingredientes. Chocolate claro, mas com quê? Hipóteses e mais hipótese mas todos ficam no frio em relação à resposta que afinal era tão simples. Simples bom-bons de chocolate confeccionados com cereais e consumidos após algumas horas de congelador. Uma delícia a reproduzir em casa.
Por toda esta região, não faltam locais para encher os olhos de beleza natural e reconfortar a alma com tanto que a natureza nos oferece. Os horizontes sempre verdes e ondulados pelo relevo das montanhas, os aromas das plantas silvestres e o ar puro do campo, são riquezas que nos são oferecidas e por nós guardadas nos ficheiros da memória para fortalecer o cérebro e dar mais valor e qualidade à vida. Para isso contribui também a apurada oferta gastronómica da região que nos deixa vontade de assim saber cozinhar e de levar os aromas para sempre. A Adega Sete Condes em Mondim de Basto, é um restaurante/adega numa casa de pedra com interiores frescos em madeira onde se podem apreciar com calma os petiscos da região. Experimentámos presunto, broa e uma vitela biológica de seu nome Ihada Maronesa que nos fez literalmente lamber os dedos.

Depois de cumpridas as responsabilidades profissionais em Barcelos, onde passámos a noite de Santo António, ao som dos cantares e das marchas daquela região do país, rumámos ao Porto onde e mais uma vez, o jantar foi escolhido com a ajuda do Lifecooler que nos levou até ao requintado e riquissímos restaurante Sexto Sentido que depois de alguma confusão sobre a localização lá conseguimos chegar com a ajuda de uns telefonemas e do precioso GPS. É que outrora ocupava instalações no Cais das Pedras na zona da Foz do Douro e agora, logo depois de passar a ponte da Arrábida e na saída para Devesas, na primeira cortada à esquerda encontra-se na Quinta do Fojo. Mantendo a mesma qualidade e requinte, trata-se de um restaurante agora numa quinta onde o Golf é rei e senhor e o Sexto Sentido o responsável por manter a qualidade, a exigência e a riqueza gastronómica dos que apreciam a grandiosidade e os luxos da vida. Um campo de golfe na cidade, é assim que a Quinta se faz anunciar. A quinta do Fojo tem uma casa senhorial com camélias centenárias, foi fundada por William Neville em 1714 e um século mais tarde, Wellington faz dela o quartel general durante o cerco do Porto pelo exército de Napoleão. O campo tem buracos de dificuldade variável, permitindo percursos de 6, 12, e 18 buracos em função da disponibilidade de tempo. Foi concebido a pensar no jogador de golfe que aqui pode conciliar a prática regular do seu desporto favorito com a vida na grande cidade. Escolhemos, no Sexto sentido, um creme de legumes que à primeira prova nos fez desafiar a imaginação no sentido de adivinharmos que ingredientes fariam tão sublime paladar. O fundo de boca parecia-me de amêijoas. Não estava longe, tratavam-se de muitos coentros, alhos e azeite que no final produziram um creme espesso e aveludado. A outra opção foi sopa de cebola gratinada com queijo. O sabor era forte e exigente, pois o queijo sobrepunha-se à cebola e impunha um forte paladar que merecia algo mais para o atenuar. Os pratos foram de tamboril ao molho de rúcula, tomate seco e pinhões que era uma tentação inesquecível para os olhos e para a boca e nacos de lombo ao molho de cogumelos selvagens.
Para descansar escolhemos o Hotel Bessa, mesmo à beira do Estádio do Bessa. Foi uma agradável surpresa, pois trata-se de uma unidade de 4 estrelas, cheio de conforto, com quartos espaçosos e magnificamente equipados, fazendo da relação qualidade-preço uma escolha acertada para outras idas ao Porto que tanto apreciamos. A decoração e em tons de preto e vermelho conferindo àquele espaço um agradável ambiente de conforto e tranquilidade. Já de regresso e no último dia, o cheiro forte do mar chamou-nos à velhinha Nazaré onde o sítio se impõe como cabo da boa e da bela esperança. Encontrámos uma terra cheia de turistas num ambiente típico e tradicional muito agradável. A escolha para o repasto recaiu sobre o restaurante Ala-Riba, que já conhecemos, para provar a deliciosa caldeirada confeccionada na hora e a pedido. Foi confortável voltar a percorrer as ruas da Nazaré onde me diziam que já nada era como de antes, pois as varinas não mais podiam aliciar os passeantes com os seus pregões em busca de novos hóspedes para os seus quartos. Fiquei feliz por perceber que afinal não é assim, e as varinas lá continuam, embora em menor número, com as suas bancas de artesanato regional e as velhas “tabeletas” apregoando quartos livres ou casas para alugar, desta vez com a chancela da Direcção Geral de Turismo.

Comporta do Arroz em Troia Dourada

As experiências gastronómicas são cada vez mais experiências sensoriais. Esta observação parece redundante mas para os apreciadores da boa gastronomia esta fusão faz cada vez mais sentido. Aliás, não fazia sentido algum se deste cruzamento não emanassem requintadas proezas olfactivas e organo-lepticas que fazem do acto de comer, muito mais do que uma simples hora de refeição. Hoje procuram-se locais, espaços, restaurante e ementas em função da região e do enquadramento paisagístico onde se inserem, da decoração que apresentam e naturalmente das ementas e das especialidades que servem. Para os consumidores e apreciadores de vinho, um restaurante escolhe-se também pela carta de vinhos que apresenta. De Troia e da Comporta não é o primeiro post que aqui coloco, mas parece que o faço sempre pela primeira vez. Desta vez o destino foi o restaurante Ilha do Arroz. A escolha foi determinada pela presença deste belo lugar no Lifecoooler que nos presenteia com a oferta de um 2ºprato na compra de um de igual ou valor superior. A deslocação foi a tradiocional, pelo Ferry-boat atravessando o Rio Sado. Para quem conhece Troia como eu, desde miúdo, as diferenças agora encontradas, são poucas e muitas com o mesmo grau de acertividade. A Tróia de hoje caminha para um futuro sofisticado que sempre povoou a minha memória, pois a beleza daquele local não co-habitava com a falta de condições de outros tempos. Há vozes discordantes que se opõem a este progresso com um enquadramento sofisticado e ao mesmo tempo mais caro. Lembro-me de ouvir dizer que Tróia iria passar a pertencer aos que têm dinheiro, aos que podem pagar. Até posso concordar, mas se por lá passarem agora hão-de concordar que já há onde dormir com ofertas para várias bolsas, já não temos que pisar a areia escaldante para percorrer a duna até à praia ou para simplesmente passear à beira da estrada. Existem passadiços de madeira, jardins e a antiga paisagem de carros estacionados por todo o lado deu lugar a uma vegetação que teimava em não crescer. Para os mais saudosistas, devo referir que a Tróia selvagem e deserta continua a existir, desde que queiramos afastar-nos um pouco do complexo turístico. A seguir ao Sol-Troia continua a haver kilometros de praias desertas e salvagens. Mais à frente, a bonita praia da Comporta e o restaurante Ilha do Arroz. É um espaço simples mas acolhedor e goza de uma paisagem arrebatadora. Tem esplanada para os dias que convidam ao sol e uma zona onde se pode relaxar e perguiçar em confortáveis puffs. A criançada faz aqui as suas delicias, pois areia e ar livre não faltam para dar asas à imaginação. O serviço é simpático e a ementa rica em arroz, havendo opções que deixam todos, mesmo os mais exigentes, satisfeitos. A nossa escolha recaiu sobre o Arroz de Lingueirão: estava fabuloso, bem recheado, bom tempero, muito molho e o toque aromáticos dos coentros. Enquanto se espera pela demora que não é muita, pode-se optar por variadas entradas, ou simplesmente, aguardar pelo prato principal contemplando as tonalidades da água e o contraste que fazem com o dourado da areia que é único. Ao fundo impõe-se a Arrábida majestosa qual guardiã de tão belo lugar.

Sunday, May 24, 2009

Noiva do Mar (Lifecooler)

Provavelmente já é do conhecimento da maioria das pessoas, pois foi amplamente divulgado nos locais de venda de jornais e revistas, ou talvez não, que o site http://www.lifecooler.com/ lançou em meados do ano passado um livro de descontos em restaurantes, hotéis, bares institutos de beleza e empresas de desportos de lazer e radicais. Os voucher’s têm validade até Outubro deste ano e na maioria das situações os restaurantes oferecem o 2º prato na compra de outro ou, 50% de desconto sobre o total da conta excluindo as bebidas. Todos os restaurantes que já frequentei são de excelente qualidade e com preços que habitualmente só sentimos vontade de pagar em dias festivos ou quando já nos cansámos dos pratos do quotidiano e apetece-nos sentir o cheiro e provar as artes da cozinha gourmet, de autor ou de fusão. Este tipo de iniciativas leva-nos a conhecer locais, gentes e sabores que de outra forma, provavelmente adiaríamos com o pretexto de que o requinte e o preço que se paga por outros sabores, não são de todo prioritários. O restaurante de que vos falo e que conheci no contexto do lifecooler, fica no litoral Oeste, bem lá para os lados da Lourinhã. Chama-se Noiva do Mar e fica integrado num recente Resort Turístico de 4 estrelas que simpaticamente nos foi mostrado em visita guiada. É composto por Apartamentos T1 e T2 muito bem equipados e com decoração moderna e funcional (os T1 são de apenas um piso e os T2 em formato de duplex), um SPA/Healths Club com o maior jacuzzi que já vi, um bar panorâmico e sala para eventos e reuniões. Está prevista uma piscina exterior que ainda se encontra fase de projecto. Mais informações em http://www.noivadomar.pt/ O restaurante tem uma arquitectura circular com janelas em vidro acompanhando a orla marítima e permitindo uma vista panorâmica sobre o imenso azul do mar ali tão perto. No dia que lá estivemos conseguia-se avistar as Berlengas, Peniche e Santa Cruz. É neste ambiente que se degusta uma refeição que é servida com qualidade e requinte por simpáticos funcionários.
A sala é de dimensões medianas decorada em tons de azul e branco e motivos marinhos que evocam o local onde se encontra. As entradas são compostas por pão servido de forma individual, e deliciosa manteiga e pasta de marisco. Escolhemos um creme de marisco que estava divinal e que foi servido a partir concha de um búzio gigante. Os pratos foram compostos por Cherne grelhado com legumes e Pato Confit servido com batatinhas de forno numa combinação que deixa saudades de voltar.
As sobremesas foram escolhidas com o apoio do funcionário e as escolhas recaíram sobre Parfoit (uma espécie de semi-frio) de aguardente da Lourinha, Parfoit de Licor Beirão com nozes caramelizadas em mel sobre café e Pêra Rocha cozida em calda de acuçar com pau de canela salteada em mel acompanhada com gelado. Tudo foi preparado e servido com grande profissionalismo e dedicação. Ficam os sabores, a experiência e a vontade de continuar por novas aventuras gastronómicas.

Thursday, April 30, 2009

HOTEL TIVOLI VICTORIA – Experiência de Puro Luxo em Vilamoura (XXX Congresso Português de Cardiologia)

Puro luxo é a expressão que me ocorre para descrever e caracterizar o novíssimo resort da cadeia Tivoli com que Vilamoura foi prendada no passado mês de Março. Na 3ª rotunda, segue-se a Estrada de Albufeira e, de novo na 3ªrotunda à esquerda encontra-se, no final da nova urbanização que ali nasceu, junto dos campos de Golf Millenium e Victoria, o novo Hotel Tivoli Victoria. No âmbito do XXX Congresso Português de Cardiologia tive o previlégio de usufruir das instalações deste belo hotel. A chegada ao hotel impõe-nos um lobby poderoso, brilhante e arrebatador. O calor e a simpatia de quem nos recebe na recepção, são um cartão de visita que deixa saudade. Após as formalidades do check-in os olhos percorrem o imenso espaço com que o lobby nos acolhe. O que nos prende é sem dúvida o chão de mármore castanha, lindíssima, que reflecte o brilho das luzes do tecto com se elas nascessem no soalho. Uma árvore solitária, construída ramo a ramo, impõe-se como uma estatueta tentando competir com o poderoso lobby no domínio da atenção dos recém chegados àquele imenso salão. A chegada aos quartos faz-se por longos e silencioso corredores que vão mostrando a dimensão do edifício e deixando ver nas zonas de vidro a organização dos espaços exteriores. Este percurso é sempre feito com um agradável cheiro a materiais novos quase por inaugurar. O quarto é poderoso com dimensões que convidam a entrar e a usufruir de todos os requintes que a tecnologia e o bom gosto colocam ao dispor. Entre o que é habitual em hotéis desta categoria, como o menu de almofadas, serviço de abertura de camas, roupões e chinelos em algodão, destacam-se a banheira com “Rainschower” em separado, In-Mirror TV no Wc (pequeno ecran de TV numa das faces do espelho de aumentar, com base rotativa da Aliseo GmbH, Germany), varandas privadas com lounge bads, cofre com espaço para o computador portátil, iHome com Pod Hub & rádio, máquina de café nespresso, entre outros requintes de luxo disponíveis para consulta detalhada no site http://www.tivolihotels.com/hoteis-portugal/destino/algarve/tivoli-victoria-09/lista.aspx. O chão é coberto por largas lages de mármore cinza que contrastam com as paredes forradas em papel de parede castanho com relevos que fazem lembrar tecido tipo “sarapilheira. Na parede um elegante LCD Samsung destaca-se sobre uma consola de cor preta que alberga um sofisticado telefone e uma máquina de café nespresso. Os clássicos roupeiros são aqui substituídos por autênticos closet’s, que se encerram por detrás de portas construídas em ripas de madeira e que fazem continuidade com a restante parede. A casa de banho é um local de encanto. Apreciar um espaço projectado como um verdadeiro elemento vivo, chega a competir com o próprio quarto na disputa pela captação da atenção. De facto os elementos de conforto de que dispõe e a forma como se abre para o quarto, leva os utilizadores a conviver com este espaço como se ele fosse uma continuidade do próprio quarto. As suas paredes são deslizantes permitindo maior ou menor reserva. Quando abertas, mostram um móvel com um lavatório de design elegante, elegantemente colocado atrás de uma parede amovível com espelho que se abre para o quarto. A banheira da Duravit e torneiras da Axor (hansgrohe) permite banhos de imersão ali, quase no meio do quarto. A cabine de duche é apenas um compartimento de vidro com um Rainschower de grandes dimensões que confere ao duche um prazer sem fim. As camas são exímias em conforto. O corpo aprecia cada toque do alto colchão que é coberto com um sobre-colchão absolutamente macio e confortável que, para minha satisfação, é fabricado em Portugal. Mais detalhes poderão ser encontrados no site http://www.patorico.com/. A leveza do edredon, também de origem nacional, cobre-nos com toques suaves que permitem confortáveis temperaturas que só as penas de pato permitindo alcançar. O sono é de grande qualidade e deixa o corpo preparado para o dia que se segue que tem muitas surpresas para desvendar. O sol enche o quarto logo que afastamos as cortinas. A cama lounge na varanda cheia de confortáveis almofadas, convida a de novo deitar e a sentir os primeiros carinhos do sol algarvio que nos aquece e enche a alma. Segue-se o requintado pequeno almoço numa sala repleta de luxo e luz. As mesas têm pés de madeira em castanho escuro e para sentar oferecem-se confortáveis cadeiras e bancos corridos decorados com almofadas beje em pele. Os balcões das iguarias são longos e brancos com alimentos alinhados, fatiados e coloridos, conferindo àquele espaço uma beleza que os olhos apreciam antes do paladar. Voltando de novo ao lobby, percebem-se em discretos e protegidos cantos, zonas de descanso e leitura decorados com papel de parede e sofás em castanho escuro com coloridas almofadas. Uma ilha redonda em tons dourados complementa o lobby e só de perto se percebe, que afinal é um bar de apoio. Todo o bloco central do edifício tem varandas com elegante mobiliário de exterior de onde se tem a mais bela das paisagens que é elaborada por duas elegantes piscinas rodeadas de palmeiras e camas de repouso individuais e duplas que se fundem com o magnífico campo de golf onde predomina o verde e os lagos que se projectam até ao mar. A piscina dos meninos está estrategicamente numa quota inferior em relação às grandes piscinas, permitindo à pequenada maiores euforia sem perturbar os momentos de lazer dos que já apreciam maior calma e silêncio. A ladear a piscina infantil encontram-se inúmeras e confortáveis camas, algumas viradas para o golf. No bloco mais à direita das piscinas centrais encontra-se uma outra piscina com cascatas e uma ponte de madeira onde se podem passar horas de descanso nas confortáveis camas que lá foram estrategicamente colocadas. No edifício central mesmo lá no topo encontra-se um SPA, com a assinatura Banyan Tree Hotel&Resorts (http://www.banyantree.com/), mundialmente conhecido por levar o prazer a zonas luxosas do mundo. A paisagem é arrebatadora. O ambiente é Zen e oriental. Uma equipa de massagistas Tailandesas fazem as delícias de quem se submete aos prazeres e às sensações boas da vida. Todo o SPA é decorado com cores pretas, desde a ardósia que atapeta o chão até aos ladrilhos pretos que forram o fundo e as paredes da piscina hidrodinâmica. As paredes de vidro no espaço da piscina deixam penetrar os raios de sol que mergulham na água e reflectem cores de várias cores de onde sobressai o rosa dos ladrilhos do fundo. A varanda que acompanha todo o edifício do SPA é forrada com deco de madeira com oliveiras, camas de descanso e jacuzzis ao ar livre. De lá de cima tem-se a mais bela e envolvente das paisagens. Lá em baixo, as piscinas, as palmeiras e o mobiliário de exterior, são agora pequenos manchas e pontos alinhados com se estivessem desenhados no chão. Em frente, o green do golf e o espelho de água dos lagos. Ao fundo, Vilamoura, o céu e o mar.

Saturday, April 18, 2009

MONTE SANTO RESORT (Um Santuário no Barlavento)

A região do Carvoeiro, no Barlavento Algarvio, é uma região ainda rural com uma linha de costa caracterizada por zonas rochosas por entre as quais se abrem pequenas enseadas de areia fina e dourada, onde se pode gozar o sol e mar, como em nenhum outro local. Os acessos por vezes são mais complexos e chegar a estas mini-praias paradisíacas, constitui muitas vezes um desafio por entre areias e estradas de pedras batidas. O esforço compensa e, se for ao entardecer, somos presenteados pelas graças do sol que pincela as rochas espraiando-se nas areias e no mar deixando um rasgo de luz, beleza e nostalgia. Neste cenário que mais parece retirado de uma paisagem pintada em tela e saído da imaginação de um pintor de renome, surgem, aqui e ali pequenos santuários de conforto e prazer, onde se pode estar mais perto destes cenários de beleza. O Monte Santo Resort é um deles e encontra-se implantado em vários hectares de terreno à entrada da Vila do Carvoeiro, mais precisamente no Monte Carvoeiro. Este resort integra a cadeia Imocom e oferece aos seus visitantes alojamentos em villas e apartamentos apoiados por restaurante, bar, SPA, uma magnífica e generosa piscina interior, sauna, banho turco e um ginásio. O complexo encontra-se projectado em pequenas edificações distribuídas pela discreta irregularidade do terreno, envolvidas por pequenos jardins e relvado. A distância entre os núcleos arquitectónicos permite uma excelente visibilidade da maior parte do resort e a iluminação majestosa pelo sol. O elemento sempre presente e que liga todo complexo é a água. Um discreto mas marcante riacho recorta a paisagem do complexo, aproveitando o declive do terreno para se unir na zona nobre da unidade à gigantesca piscina exterior que constitui o coração do resort e permite jogos de reflexão que mudam em função da projecção do sol ou da chegada das indesejadas nuvens. Camas de água dentro de água, estrategicamente colocadas, convidam a momentos de absoluto repouso em contacto com o elemento líquido que convida à flutuação. Nesta beleza organizada respira-se tranquilidade, descanso, beleza e conforto. Os apartamentos foram-nos apresentados pelo Sr. José Boto (?) da forma mais simpática e pormenorizada a que alguma vez já assistimos. Em cada divisão foi-nos apresentada e explicada cada funcionalidade disponível, desde os interruptores que controlam a luz até ao ar condicionado e sistema de aquecimento do soalho. No final foi como se sempre tivéssemos habitado aquele espaço e nada nos parecia estranho ou desconhecido. Os espaços são cuidados, com mobiliário de qualidade, camas muito confortáveis e de decoração minimalista e clean, oferecendo índices de conforto elevados. Notam-se a escolha de materiais de qualidade em todas as divisões. As casas de banho são distintas com paredes e soalho revestidos de calcário conquifero marmoreado e uma mármore castanha líndissima a destacar a parede do lavatório. Os produtos de higiene são da L’Occitane (em provence) com um aroma penetrante, duradouro e inesquecível. Todos os pormenores descritos fazem-nos sentir bem e merecedores dos dias de descanso. No entanto, é inevitável não estabelecer comparações com outros resorts que já visitei, para perceber que já não dispenso os confortáveis roupões ou as magníficas cabines de duche, que aqui estão substituídas por banheiras com cabeças de duche multi-funcionais que vão desde o normal-champagne-massage-jet e rain. Um apontamento que, a meu ver, pode ser melhorado contribuído na plenitude para a classificação máxima que o resort já tem. Tudo o resto é irrepreensível, envolvente e confortável, permitindo boas horas de repouso. Um pormenor menos habitual e que por isso importa destacar é o soalho aquecido em todas as divisões, com controlo de temperatura autónoma, permitindo pisar o chão e sentir o toque quente da tijoleira que habitualmente nos provoca arrepios. Do ponto de vista das instalações e equipamentos de lazer, para além da piscina interior (já referida) com água límpida e bem aquecida, existe ainda um ginásio, que é modesto com pouco equipamento mas em boas condições de funcionamento. Também aqui faria falta um toque final de correcção de posicionamento dos equipamentos, que poderiam estar, ou dirigidos para a parede de espelhos com 2 ou 3 LCD’s frontais ou virados para a parede de vidro que mostra um exterior belo e natural. Existe ainda um campo desportivo para jogos diversos (ténis, futebol, etc.) bem cuidado e dimensionado e de utilização gratuita sob marcação. A unidade está equipada, por enquanto só no edifício central, com Internet Wi-Fi permitindo utilização da linha por quem tem computador próprio, sob o pagamento de 5 euros/hora. Esta é uma metodologia que ainda é muito frequente nos hotéis e resort’s em Portugal, mas que em outros países da Europa segue a política dos espaços públicos, isto é, manter o acesso livre por Wireless aos clientes portadores de PC portáteis, mesmo em hotéis que têm netpoint. A nossa estadia previa o pequeno-almoço sobre o qual não há muito a dizer. Tratando-se de um aldeamento turístico, esta refeição é apenas servida quando incluída em determinados pacotes de reserva, pelo que sentimos e muito a falta da diversidade a que estamos habituados em hotéis com outras características. A sala revelou-se manifestamente incapaz de absorver toda a gente quando vários clientes decidiam comparecer à mesma hora. Mas, o que estava disponível era bom e tinha qualidade. Os resorts em formato de aldeamento turístico têm características próprias inerentes à sua construção e funcionamento pelo que as funcionalidades são mais ou menos apreciadas e funcionais em função das épocas do ano. Em época de bom tempo é indiscutível que os passeios ao ar livre entre riachos e pontes fazem as delícias de pequenos e graúdos. Mas, quando o vento sopra e a piscina interior convida a um relaxante mergulho, voltar ao contacto com o exterior de volta ao agradável soalho aquecido, é uma aventura que se dispensa. A destacar um apontamento para a disponibilidade e simpatia permanente de todos funcionários do hotel, nomeadamente o Luís Vicente, o Hugo Gil e a D. Graça, na recepção, do Manuel e do Luís no apoio ao pequeno-almoço, e todos os que se dedicam ao apoio dos equipamentos de lazer, que estiveram sempre prontos para ajudar e agradar sem nunca lhes faltar um sorriso ou uma palavra de apreço. Este carinho conforta os visitantes deixado perceber que neste local se cultivam relações que ultrapassam o contacto casual do cliente que está de passagem. A estadia no Carvoeiro permitiu-nos ainda aproveitar pela primeira vez uma experiência Gourmet de “A Vida é Bela”, com que fui presenteado no aniversário. Escolhemos o restaurante o Caniço, no Aldeamento da Prainha no Alvor. Para lá chegar é necessário bom sentido de orientação e parar e perguntar aqui e ali para finalmente encontrar uma estrada sem saída com uma cancela que permite passagem apenas pedonal até ao cimo de uma falésia com uma paisagem arrebatadora. Depois, descem-se umas escadas e ao fundo, um túnel leva-nos a um elevador em plena falésia que termina num outro túnel que dá acesso ao restaurante. O Caniço encontra-se encrustado entre duas rochas. Trata-se de um espaço exótico e diferente com tecto de canas e cadeiras e mesas de madeira, muita luz e simpatia. A baía, o céu, o mar as rochas e as gaivotas compõem o resto do cenário. Escolhemos arroz de Lingueirão e Costeletas de Borrego grelhadas com molho de hortelã. Foi uma experiência agradável.

Wednesday, March 25, 2009

MONTE DA QUINTA SUITES (MQS)

A Quinta do Lago é indiscutivelmente uma das zonas mais nobres do Algarve. Ali encontram-se um conjunto de elementos que permitem, em conjunto, caracterizar a zona com índices de qualidade ímpares no país e no Mundo. Este pedaço de terra, de tão nobre carisma, constituindo um enclave entre Vilamoura e Faro, tornou-se pelas suas qualidades, um paraíso natural que reúne condições para a prática de férias em quase todos os domínios. É prendada por praias lindíssimas, pela Ria Formosa, por Campos de Golf que estão entre os melhores do mundo, oferece um parque arquitectónico criteriosamente projectado, conferindo índices de ocupação e de oferta equilibrados. O mais recente exemplo é Monte da Quinta Suites, majestosamente implantado no final da Avenida André Jordan. O edifício sóbrio na sua concepção radial, constitui a última fase de construção do Resort Monte da Quinta e encerra atrás de si, um magnífico “jardim” de moradias de luxo onde nada foi esquecido, feito ou deixado ao acaso. O Hotel tem linhas arquitectónicas elegantes fazendo recordar as antigas mansões senhoriais das grandes propriedades africanas. O lobby é muito diferente de tudo o que já vi, não pela sua morfologia mas sim pelos elementos que compõem a decoração. Ao entrar, somos atraídos para um conflito de espanto e presença, que nos impede de concentrar no momento do check-in. Por cima de nós pairam elementos marinhos imponentes na sua corpulência e no seu porte majestoso que nos tocam pela forma como flutuam raiados pela luz do sol, qual autêntico bailado que nos deixa a sensação de estarmos ali, a assistir, no fundo marinho, a uma apresentação que nos esperava e que nos deixa antever uma estadia cheia de surpresas e de agradável conforto. O acesso às suites é imponente e majestoso pois seguimos ladeados por varandas que ligam os dois pisos e que deixam crescer canas que procuram imperiosamente a luz do sol. Aqui e ali encontram-se quadros que, de tão grandes, também eles funcionam como elementos de ligação entre os pisos permitindo uma observação integral. As suites são uma bela surpresa! São seguramente as mais luxuosas que já visitei. Esperava-nos uma suite T2 (um simpático up-grade que deixa qualquer cliente de água na boca) com dois quartos muito bem decorados, ambos com “closet” e um quarto de banho luxuoso. A nossa estadia, incluída num “pack “designado de “Relax SPA”, previa inúmeros mimos, entre eles um “Welcome Pack Confort Zone”, que permitia ter à disposição nos WC’s inúmeros produtos de amenities, desde o protector solar ao leite de corpo. Os aromas são florais e o toque final é hidratante, suave e perfumado. A sala é ampla, funcional e muito confortável. Os elementos que compõem a decoração têm um design moderno e atractivo. A cozinha é completamente equipada e em pouco metros quadrados tem tudo o que hoje se exige num Hotel Suite com esta qualidade. Da enorme varanda alcança-se uma vista sobre todo o Resort onde estão implantadas as vivendas do Monte da Quinta Club. São inúmeras as Villas, dispostas de forma organizada e harmoniosa numa simbiose perfeita com a paisagem envolvente. A leitura que os olhos deixam fazer é a de que ouve cuidado, muito cuidado na construção, que é abundante sem ser excessiva. Não tive a oportunidade de visitar o complexo de Villas (ficará para outra oportunidade que espero, não faltará). De volta ao Suite Hotel, somos surpreendidos em cada parede com telas muito interessantes que nos obrigam a parar, a olhar e reflectir sobre os pensamentos dos seus autores no momento da sua criação. O que terá levado um pintor a desenhar um quadro que ocupa dois andares com um galo do campo que é esticado até chegar ao 1ºandar? Ou, em que simbolismo terá pensado o autor da tela que se encontra na sala ao lado do bar, onde gatos pretos deambulam sobre uma elegante mesa? A sala do restaurante é minimalista tendo apenas dois apontamentos que se destacam. Presas ao tecto, encontram-se canas trabalhadas e pintadas à mão, numa arte que a mim, me recorda sempre a América Latina/do Sul e terras como o Peru, Argentina e Patagónia. Sobre o balcão do buffet o motivo de atenção é uma tela, enorme, muito azul com um mar num prato e o pequeno barco naquele imenso azul. O pequeno-almoço é de 5 estrelas, nada inferior ao que habitualmente encontramos nas unidades de classificação superior. Em confidência e numa visita de cortesia à nossa mesa, O Sr. Director Daniel Gama e depois de eu elogiar a luxuosidade do hotel, referiu-me que a unidade só não é de 5 estrelas porque as zonas de acesso aos WC’s (referia-se aos “closet’s”) deveriam ter mais 1 metro quadrado. Seguramente, são aspectos técnicos que o cliente não domina, não repara, não o incomoda, mas que a nossa Direcção Geral de Turismo segue com rigor. Vamos ver como se vão adaptar a nova classificação de 6 estrelas para o novíssimo Palácio da Quinta que já nasceu à entrada da Quinta do Lago e que honra a cadeia Hilton no seu produto de luxo convenientemente designado de Conrad.
Nesta mesma sala jantámos na penumbra da luz reduzida, um jantar bem preparado, delicioso e muito sofisticado, como já nos habituámos em unidade com este nível. Escolhemos para entrada um Crepe de Espinafres e Ricotta Gratinada com Mozzarela, uma verdadeira obra de arte culinária e camarão frito com alho. Os pratos principais passaram pelo Robalo Assado com Cogumelos Selvagens sobre Espargos Verdes e Porco Preto Grelhado sobre Risotto de Miscaros e Espargos Brancos. Sem dúvida que o Robalo se destacou pelo conjunto dos sabores que proporcionou. O Risotto era delicioso. A fechar a mesa escolhemos Bolo de Chocolate recheado com Frutos do Bosque, um verdadeiro cocktail de encantos aromáticos, sabores inolvidáveis e de uma presença visual duradoura. A outra escolha recaiu sobre o Creme Brulée com Framboesa. Trata-se de um leite-creme deliciosamente envolvido com framboesas e encimado com uma crosta espessa, estaladiça e deliciosa de açúcar queimado que nos deixa extasiados de prazer.
Volto de novo às zonas de acesso às suites, que, para mim, juntamente com o lobby constituem os elementos nobres daquele lugar mágico. Por entre o verde das canas e a calma da luz solar pode-se observar de qualquer distância o bailado dos peixes suspensos que nos saúdam e recordam que aquele lugar é de paz. Nos próprios corredores de acesso, que mostram bom gosto e inteligência arquitectónica, dá vontade de estar, tal é a fusão entre os elementos de construção (chão, paredes, varandas) os apontamentos de decoração, o verde suave das plantas e a luz ténue do sol.
Um apontamento para o Magnólia SPA, que disponibiliza uma generosa variedade de experiências de saúde e bem-estar, para além de uma belíssima piscina interior, um jacuzzi quente e outro frio e uma agora moderna zona de gelo para nos envolvermos antes de provarmos as delicias do contraste do quente e do frio. O Ginásio é muito bom, tem em variedade e em quantidade equipamentos de grande qualidade, pouco habituais em unidade de 4 estrelas e mesmo em algumas de 5 estrelas que frequento. O responsável daquele espaço, o Gonçalo, lá me abordou no sentido de realizar um treino acompanhado ao que eu retorqui dizendo que, estava habituado a treinar só e que as minhas experiências com os PT’s não tinham sido as melhores. No final do treino aceitei a sugestão e entreguei-me a um número razoável de exercícios apenas com uma bola e com a sua orientação. Fiquei rendido. Quero voltar!

Tuesday, January 6, 2009

Hotel Alvôr Village

O prazer de visitar e conhecer novos resorts leva-me, mesmo quando em trabalho, a pesquisar o que de novo se vai inaugurando em Portugal em materia de unidades hoteleiras. Porque não fazer jus da velha máxima que é juntar o útil ao agradável? Com estes princípios que já são inerentes ao meu modus vivendi, com a devida antecedência e com a preciosa ajuda da internet, inicio as necessárias pesquisas que antecendem uma potencial reserva. Foi nesta condição que em Dezembro último quando as obrigações profissionais me conduziram até Portimão, me instalei no novíssimo Hotel Alvôr Village. Aquando das pesquisas, o google maps orientou-me e os traços gerais sobre a região estavam presentes e definidos na minha cabeça. Dei início ao meu trabalho e cerca das 21 horas, sem saber o que me espera para lá chegar, cheio de entusiasmo, decidi partir de Portimão, da Avenida V5, para o Alvôr seguindo as placas de sinalização das estradas. Depressas entendi que as linhas mestras da minha orientação tão habilmente aprendidas no site de mapas do google, não serviram para mais do que andar às voltas e de volta sempre ao local de partida sem encontrar caminho de continuação. Aí, dei início a outra forma de pesquisa que dispensa a internet mas que funciona bem dependendo do interlocutor e da capacidade de orientação do receptor. Parar e perguntar é sempre uma aventura que se pode tornar engraçada, mas ao mesmo tempo maçadora e desesperante. A cada paragem lá ouvia as indicações das simpáticas pessoas que resolveram ajudar-me. Mas o complexo emaranhado de rotundas que invadiu todas as terras do nosso país, muitas vezes sem dar continuidade à sinalização dos locais em nada favoreceu a minha tarefa. Isto para dizer que andei perdido 45 min, de noite, por terras entre Portimão e Alvôr sem encontrar o magnífico Hotel cujas imagens apresentadas pelo booking.com faziam antever um resort de grande qualidade. Entre o desespero de quem não encontra o fim dos caminhos perdidos, decidi telefonar para o hotel na tentativa de ser melhor orientado. Engano! O rapazinho recepcionista só me dizia que na rotunda do Alvôr tinha que ir em frente e depois virar à direita. Mais tarde percebi que até àquela rotunda e do local onde me encontrava, era necessário contornar mais 6 ou 7 daquelas magníficas obras de engenharia. Cerca de 4 paragens depois, todas apoaidas com simpáticas pistas, lá encontrei o hotel, nem sei como, pois nunca encontrei nem uma única placa com o nome da unidade. Percebi mais tarde que o hotel integra a cadeia Luna Hoteis&Resorts (www.lunahoteis.com) e essa é a única referência pelos caminhos até lá. O Hotel é arquitectonicamente muito sóbrio, em linhas direitas e geométricas. Toda a zona frontal do lobby é de vidro, o que provoca uma magnífica projecção de luz para o exterior, proporcionando uma sensação de tranquilidade e envolvimento. A decoração é de estilo new design com as madeiras e os tecidos em conjugação harmoniosa. O lobby é poderoso pois para além de amplo e com um pé alto à alturar do edifíco de 4 andares, tem uma parede decorada com pedra ornamental que lhe confere poder e presença. Dois elevadores panorámicos ligam o lobby aos pisos que para esse lado têm varandas de vidro. Todas as suites têm varanda e a decoração é simples mas confortável. A cozinha está bem equipada com o necessário para refeições mesmo que mais elaboradas. O quarto encontra-se separado da sala com um pequeno móvel que suporta um bonito plasma montado num sistema de rotação para servir ambas as assoalhadas. A vista da varanda das suites traseiras é muito tranquila pois deixa mostrar as villas em redor do complexo e uma grande zona relvada muito bem cuidada onde se encontram as piscinas exteriores. O nascer do sol tem ali um encanto especial. A luz da manhã entra calma como que a pincelar a relva ainda brilhante da geada da noite. O pequeno almoço é sim ples e ligeiro, mas quanto baste e pode ser reforçado a pedido. Do restaurante, todo em vidro, tem-se a mesma panorâmica verde ainda brilhante, com o sol a aquecer o ambiente e a encandear os madrugadores. O mobiliário é moderno associando designs e conforto numa mistura de cores branco e preto. Ficou a faltar um esplenderoso SPA naquele magnífico edifício.










Spirito SPA- Hotel Sheraton Lisboa

Hoje, dia 22 de Dezembro cumpre-se mais um aniversário da Maria. O nosso lema, ao qual nos dedicamos cada vez mais e do qual somos aficionados adictos e jogadores dedicados é: “Comemorar é preciso”. Como tal, as datas com significado especial são preparadas cada vez com mais entusiasmo, trazendo a pesquisa por novos espaços, diferentes sensa(tenta)ções e redobrado prazer. Este ano, esses dias que marcam as nossas vidas foram coincidentes com dias de actividades laborais normais, pelo que, as decisões sobre as comemorações foram dedicadas aos tratamento do corpo e da alma em locais que teriam que ser próximos, mas sem descurar o prazer, o conforto e a excelência, onde, ao fim de um dia de trabalho, fosse possível retemperar forças num ambiente distinto e com glamour. O Spirito Spa do Hotel Sheraton Lisboa foi o eleito, por ter sido recentemente renovado, por estar bem localizado e por nos ser ainda desconhecido. Após breves momentos de tranquilidade no espaço lounge, as terapêutas conduziram-nos à Suite Vip onde nos aguardavam 75min de prazer celestial. Não será necessário referir que o espaço era perfeito, as marquesas aquecidas, o chão e os oléos de tratamento também. O primeiro toque da massagem de relaxamento () foi nos pés. Aquele primeiro contacto, a pressão justa nos sítios correctos, anunciavam momentos altos de profunda descontracção. A competência das terapêutas, tiveram a capacidade de nos deixar à beira do céu. Foi tocado cada músculo, massagado, estirado e relaxado. Segui-se uma passagem pelo Jacuzzi com mecanismos de hidroterapia pensados para as diversas regiões do corpo. Finalmente um duche num balneário com sistemas de jactos de água que permitiam elevar todas as sensações. Os produtos disponíveis, gel e shampoo, eram da … e deixaram-nos macios e hidratados prontos para o jantar. De GPS programado foi fácil encontrar o restaurante Faz Figura (http://www.fazfigura.com), na rua do Paraíso 15B no alto da Graça, entre o Hospital da Marinha e o Museu Militar. Tem um serviço de Volet Parking que nos deixa logo despreocupados com o estacionamento. Depois, é entrar e apreciar. O restaurante tem 2 salas medianas sendo a de não fumadores rodeada de vidro como se a estrutura pendesse numa falésia. A paisagem é quase cinematográfica ao estilo de Lisboa, Tejo e Tudo. O serviço é muito bom, com simpáticos funcionários que para além de prestarem um excelente atendimento, aconselham-nos em relação aos pratos. As escolhas são naturalmente difíceis, tal é a quantidade de opções do menu, mas com alguma audácia e orientação, optámos pelo “Polvo em Crosta de Milho com vegetais salteados, vinagrete de cebola roxa, tomate e poejos frescos”. Estava sublime. Nestes locais faz sentido ambos provarmos os pratos escolhidos pelo que da cozinha vem já o preparado dividido. A segunda escolha recaiu sobre o “Folhado de Cabrito com legumes verdes”. Este prato é absolutamente fabuloso: dentro de um pastel quadrado de massa folhada vem um preparado de cabrito muito bem temperado e finamente ripado que, só de o descrever me deixa de água na boca. Para a sobremesa escolhemos um Soufflé de Café com Ameixa Negra e Espuma de Laranja, feito na hora, ainda quente do forno. O jantar termina com uma deliciosa sensação de bem estar, reconfortados pelas escolhas feitas e muito gratos pela possibilidade de as termos vivido.

Sunday, December 21, 2008

Passatempo "Sheraton Porto Hotel&SPA-Evasões"

Era Agosto e o dia era daqueles em que a necessidade e a vontade de mudar alguma coisa tornavam-se num desconforto reconfortante. Nestes pensamentos os meus olhos fixaram-se nas revistas de viagens que habitualmente desfolhei-o. Naquele dia, a Evasões era convidativa a olhar para as quintas do Norte de Portugal numa descoberta dos passeios vinícolas e das experiências do Enoturismo. A notícia sobre o Sheraton Porto Hotel&SPA, também me desafiou a comprar a revista, pois há muito que era intenção visitar o hotel. Um dos desafios era escrever uma frase contendo as palavras Verão, Porto e SPA e o prémio ao vencedor, um fim-de-semana no magnífico Sheraton Porto. Como a coragem para escrever nunca me faltou, lá fiz um desafio à sorte e à aventura com a frase: “O Verão provaca-nos desejos de evasão. O Porto, cidade casta, perfuma-se com cheiros vinhateiros, aventurando-se em novos aromas, que tonificam o paladar e despertam no corpo novas e luxuosas (tenta)sensações que só o SPA do Sheraton pode acalmar”.Quando concorri era na ténua mas sempre presente esperança de vencer o concurso e assim desfrutar do Porto e do emblemático Sheraton. Acreditem, fui o vencedor e com a alegria fervilhante de quem não quer acreditar que a verdade lhe pertence, partilhei esta notícia, marquei a estadia e lá fomos rumo ao nosso amado Porto. O itinerário escolhido foi a auto-estrada A8 que agora se articula em Leiria com a novíssima A17. Com o livro do Lifecooler por perto, a primeira paragem estratégica conduziu-nos ao recém-inaugurado restaurante Farinha de Milho (http://www.farinhademilho.com), nas profundezas de Cantanhede, na pataca vila de Ança. O Restaurante foi edificado num antigo moinho de água e a concepção do espaço divide-se em duas áreas distintas - a parte rústica, feita com materiais de origem e decoração campestre, e a zona moderna, envidraçada, com perfis metálicos e pedra de ançã. Ainda lá está a Mó e os cursos de água podem observar-se através do chão e vidro, uma alegria para as crianças. O atendimento é excepcional e a ementa é muito variada, mantendo sempre a base da tradicional cozinha portuguesa. Escolhemos bacalhau com broa que vinha acamado sobre couves portuguesas, dando-lhe um toque saboroso e fresco. O outro prato escolhido foram bifinhos cm migas e castanha, uma delícia.
Chegar ao Porto é fácil agora com todas estas alternativas de vias de circulação e encontrar o hotel não constituiu dificuldade, pois com uma avaliação prévia no Google-maps e com o GPS programado, o resultado não podia ser melhor. Basta seguir em direcção à ponte da Arrábida e sair logo para a Boavista. Na rua Tenente Valadim ei-lo majestoso no seu feliz casamento de aço e vidro. A imponência desta conjugação quase nos obriga a esticar o pescoço em busca de um qualquer defeito na estrutura no meio de tanta perfeição e beleza. O lobby é arrebatador, pois tem um pé-alto da altura do edifício rasgado por uma coluna de 3 elevadores panorâmicos que percorrem o edifício da base ao topo. São cumpridas as formalidade no check-in e postas em prática as cortesias a que já nos habituámos em unidades deste género (bagagens, viatura, etc.) O quarto era muito confortável com decoração em castanho escuro com mobiliário em pele e sala de banho destacada com paredes de vidro e sistemas de protecção a gosto. As tardes foram alegremente passadas no SPA do hotel, considerado um dos melhores do país. De facto foi agradável consumir algumas horas naquele magnífico espaço que transpirava em conforto, decoração e beleza. A piscina interior de dimensões generosas era complementada com um jacuzzi gigante onde era possível programar um circuito de hidroterapia, que passava por jactos com diversas funções: desde bico-de-ganso a colunas circulares até jacto sub-aquáticos dirigido para a parte inferior do corpo, cama de água, etc. O espaço estava guarnecido com camas de descanso automatizadas, com cabeceiras rebatíveis, cobertas com tolhas de cor laranja e ladeadas de candeeiros de cor preta riscados com discretos laivos brancos. Os balneários são de um conforto e higiene irrepreensíveis, pelo que tomar duche naquele espaço torna-se um acto de puro prazer. Nada foi esquecido nem deixado ao acaso. Os duches são da Grohe, com cabeças largas e distribuição das gotas em formato de chuva, suave e macias. As amenities estão presentes em cada cabine e os complementos de hidratação no espaço dos lavatórios. Naturalmente que não faltam roupões, toalhas, águas e tudo o que faz falta para que o conforto seja absoluto.
O prémio atribuído previa uma esfoliação com pepitas de chocolate para os dois que foi realizada por uma terapeuta simpática e competente, seguida de uma hidratação com um hidratante com substratos de cacau. Deliciosa e tentadora experiência. A seguir, para dar continuidade ao relax, seguiu-se uma sessão na zona da Hot Experience, um verdadeiro templo de bem-estar. À entrada de cada balneário, estão as especificações técnicas de cada um dos banhos, desde a temperatura que atingem, os aromas libertados e as indicações terapêuticas. É só escolher, entrar e libertar-se. Como complemento informativo aqui ficam algumas dessas especificações. A Herb Sauna com temperatura a 55º, tem aroma de ervas aromáticas variadas, ideal para combinação de calor com finas ervas. A bio-sauna oferece uma agradável sensação de envolvência do corpo e alma. A permanência ideal deverá ser de entre 20 a 30 min. A Salt Laconium tem uma temperatura de 65º e o arma predominante é o sal. É ideal para problemas respiratórios, purifica e desintoxica devido à sua combinação com o sal. Não aconselhável a sua utilização por mais de 1 hora. A Herbal Grotto, tem uam temperatura de 45º e os aromas são de Lavanda, Jasmim e Eucalipt. É ideal especialmente para problemas de sinusite e outros problemas respiratório. Não deverá ser utilizada por mais de 15 min consecutivos. A Steam Bath tem uma temperatura de 45º e aroma ameno a Laranja e Limã. É idela para problemas de sinusite. Não permanecer por mais de 15 min.
Os dias nesta aventura de luxo e conforto são naturalmente mais saborosos e calmos, fazendo-me sempre lembrar que valem a pena todos os esforços, o cansaço, o trabalho, a aventura e a vontade. Santa Catarina estava igual a si própria, fervilhando de gentes e tradições. As rabanadas são obrigatórias provar, pois não há iguais em nenhum local do mundo.
Um dos jantares foi no restaurante Gambamar em Campo Alegre .(Rua do Campo Alegre 110 cv e r/c - Porto). Trata-se de um restaurante-cervejaria, tradicional nesta zona da cidade e mais uma vez, descoberto através do companheiro inseparável das viagens, em que se tornou o Lifecooler Discount Book. A ementa é muito diversificada, mas a base e especialidade são os mariscos. Pedimos um arroz de Lavagante que confesso, à muito que não comia igual. Vale a pena experimentar!

Wednesday, December 10, 2008

Pessoas-Momentos-Experiêncas-The Lake Resort

A noite cai. O vento sopra lentamente. Espreito pela janela do meu quarto e o sol já se põe. Que belo reflexo no azul do mar! O meu pensamento voa para bem longe. Na outra margem os pássaros juntam-se num bailado. Que sensação de paz! E as cores…
Onde estás? Perguntas tu? Repousa agora o teu toque no meu ombro. Já viajava, bem longe…Dá-me a tua mão, vamos apreciar as viagens dos sabores e sentidos. Aceno e sorrio. Pessoas, momentos e experiências”
Deitados no conforto do nosso quarto, sentido a maciez dos roupões que nos confortam e acarinham, lemos estas palavras no directório do hotel. Este é o texto que nos recebe, convidando a sonhar e a viver cada momento, intensamente. Lá fora a chuva cai e o vento fazia prever uma temperatura que apelava ao convidativo SPA. O the Spa do Lake Resort, é um espaço que convida à paz e à harmonia. Inspirado no tema cinco continentes-cinco sentidos, o espaço propõe varias alternativas que vão desde o ginásio bem equipado e com uma paisagem única para o lago, a uma piscina de hidroterapia, com várias alternativas de tratamentos que não esquecem nenhuma parte do corpo, num autêntico circuito de saúde e bem estar. Experimentar os diversos jactos, permite-nos massajar cada zona do corpo num ritual de boas sensações que permite no final experimentar uma leveza corporal que conduz ao relaxamento completo. O SPA está muito bem dimensionado e a apontar como inovador é o jacuzzi “Mar Morto” com água a 36 º e uma salinidade que nos transporta para a costa dos mares do Egipto, onde flutuar é quase possível. Outra novidade, na zona da “Hot Experience”, para além do banho turco e da sauna, é o Banho Romano, que tem o mesmo princípio que o banho turco mas com uma filosofia algo diferente que passa pela presença de maior intensidade de luz e menor intensidade de vapor. A quantidade de serviços e oferta do the Spa, permitiu a sofisticada separação entre o blue e o green spa. A estratégia é separar os tratamentos com água que são realizados no blue das sensações continentais que se aplicam no green. Os produtos utilizados são da Alquimia e da Panpuri. Os aromas são imensos e misturam-se num intenso mar de prazer que permitem experiências sensoriais que se fundem com um estado de quase sublimação. A massagem que escolhi foi uma Lake Resort e o terapêuta Paulo foi incansável nas técnicas e na sensualidade que aplicou na execução do seu trabalho, qual autêntica dança entre as mãos e os dedos que percorreram o meu corpo num bailado de conforto e prazer ao longo de 50 minutos. O corpo agradeceu e a alma fortificou-se.
O lobby do hotel é majestoso com a sua cúpula altiva, pintada de cores claras, fazendo lembrar traços da arquitectura Árabe. O check-in é constituído por um ritual de boas vindas que convida simplesmente a entrar, estar e apreciar. Os colaboradores estão elegantemente trajados e executam as suas funções com um profissionalismo irrepreensível. Preocupações com as bagagens e parqueamento da viatura, são simpatias que nos dão espaço para contemplarmos a beleza dos espaços comuns, do quarto, dos pormenores dos locais para onde se dirige o primeiro olhar.
O enquadramento paisagístico do hotel é único nesta região do Algarve. Mar, lagos, natureza e golf. Do quarto, com vista panorâmica, decorado de forma simples mas confortável e luxuosa, avistam-se a praia artificial, com areia a sério, as piscinas e o lago. As amenities são da marca Roger Gallet com intenso aroma de amêndoas e flores, fortemente hidratantes e deliciosamente macios. O passeio pelos jardins é uma experiência que apeteceu repetir, para observar, fotografar ou simplesmente contemplar. As pontes sobre as águas do lago que contornam a frente dos edifícios e os projectam no espelho de água, transportam-nos para a longínqua mas sempre bela Veneza. A cada passo a paisagem parece repetir-se mas existe sempre um ângulo que mostra mais um pedaço de beleza organizada. De facto, a contemplação é a vontade que predomina. O verde e o azul são as cores que predominam e ali o equilíbrio parece ter sido encontrado. Apetece tocar cada um daqueles recantos, apetece sentir a natureza e dizer obrigado ao Homem por uma conjugação tão paradisíaca. A própria arquitectura exterior do edifício é suave, constituída em linhas direitas mas com elegância, e a cor, é calma dando um toque de identidade a cada linha dos traços do edifícios mas no seu conjunto, uma descrição integrada na paisagem. Estes apontamentos aquitectónicos permitem lembrar outros destinos, igualmente paradisíacos, em outros mares, noutros continentes, que o The Lake Resort presta homenagem quer no seu SPA ou na elegância e arte da sua cozinha. No interior, o hotel é simples e minimalista, mas cuidado e distinto. Sobre o restaurante Fusion, (vocacionado para a cozinha oriental e com o conceito muito interessante de ter zonas privadas onde se podem fazer refeições com grande restrição em confortáveis e luxuosas “boxes”), existe uma sala em tons rosa, laranja e vermelhos, com sofás, almofadas e cortinas, recriando um autêntico ambiente das mil e uma noites. O restaurante Gustatio tem um conceito mais mediterrânico e no meio do lago um restaurante flutuante, o Marenostrum que serve para os prazeres do paladar, o que o Algarve tem de melhor. Os bares, estrategicamente colocados servem os mais exigentes clientes, quer junto à piscina ou nos jardins. A intenção de tanta diversidade é sempre bem servir e cumprir o ritual dos sabores e aromas de todos os mares e dos cinco continentes. O Lake Resort é uma dádiva do Homem à natureza.

Thursday, November 27, 2008

Longe do Mar há Mar De Ar

O interior do Alentejo, como todos sabemos, fica longe do mar. Esta distância priva os seus habitantes do cheiro da maresia e do barulho das ondas, das idas à praia ou dos passeios à beira mar, nas tardes convidativas ao descanso. Mas este Alentejo interior em nada perde para o litoral, pois tem os seus mares próprios que echem as paisagens de encanto e preenche a atmosfera de cheiros inolvidáveis. Ora façam favor de fazer a experiência de percorrer os caminhos até Évora com a calma e o sentido que uma boa observação merece. O que veêm? Um mar de planície que mistura de uma foram inteligente e harmoniosa o amarelo das searas e os verdes tons das oliveiras. Aqui e ali surgem na paisagem pontos brancos de montes e herdades vinícolas com as suas modernas lojas Wine shop’s onde se pode (e se deve) contactar com os deliciosos produtos regionais e apreciar dos melhores vinhos do mundo. Agora façam outra experiêcia, que é percorrer a pé as ruas da cidade Património da Humanidade. Perceberão o que escrevo quando sentirem os cheiros que vêm das casas e dos restaurantes nas horas do repasto.
Este mar de cheiros é único e inconfundível, estamos no Alentejo! A tradição gatronómica está agora mais viva que nunca e dizem, que das dificuldades dos antepassados veio a arte de temperar com ervas aromáticas que hoje tão bem se misturam num cocktail de intenso prazer olfático e máximo prazer de degustação, perfumando as ruas e ruelas de tão nobre cidade. O almoço foi no restaurante Luar de Janeiro, que se consegue alcançar a pé percorrendo ruelas esteitas mas deliciosamente calmas. Pergunta-se aqui e ali por entre as gentes e os cheiros e sem querer, encontramos a Travessa de Janeiro. O restaurante é pequeno pelo que em dias mais concorridos é necessário marcação. Somos recebidos com simpatia e convidados a sentar. A decoração do espaço fez-me lembrar um restaurante da Espanhola Andaluzia, com presuntos pendurados no tecto e cabeça de Alce que na Andaluzia são substituidos por touros. A dificuldade surge assim que nos colocam nas mãos a ementa, pois as iguarias diversificam-se numa teimosa tentação de todas querer provar. Alguma troca de palavras com o responsável faz-nos finalmente tomar decisões acertadas para o repasto. Imediatamente a mesa é preenchida com delicoisas entradas, entre elas presunto laminado, cogulemos, azeitonas e um coelho ripado com um tempêro que nos orgulha de sabermos cozinhar assim. Como pratos principais escolhemos Cherne grelhado com arroz de coentros e ameijoas e cabrito assado no forno, ambos os pratos estavam deliciosamente confeccionados. Se de gastronomia Évora é farta, então experimentem conversar com os habitantes que habituados a bem receber quem os visita, transbordam num mar de simplicidade, simpatia e cordialidade. E de tantos mares londe do mar de água, encontramos agora outro mar em Évora que nos envolve no seu requinte clássico minimalista, trata-se do hotel M’ar De Ar Aqueduto. Uma novíssima unidade hoteleira de 5 estrelas implantado bem próximo do centro histórico da cidade e que foi adaptado do antigo Palácio dos Sepúlvedra, edifício quinhentista do qual se conserva uma capela, os tectos em abóbada e um conjunto de três janelas Manuelinas na fachada principal. É um hotel boutique, erguido com modernos conceitos de arquitectura e design. Pernoitar neste moderno palácio, agora hotel, é uma experiência que merece ser vivida e apreciada com tranquilidade. À entrada somos recebidos com cortesia e classe, aspectos que nos fazem sentir que estamos no local certo e que aquelas pessoas têm gosto em nos receber, em nos falar, em estar conosco. Segue-se o encaminhamento aos aposentos por corredores pintados de branco, recortados por vidraças que emolduram os jardins, a muralha e a piscina. A meio do imenso corredor branco uma maquina de café Nespresso para o cliente utilizar mediante um cartão que já está previamente carregado com um café de oferta. O quarto é espaçoso e muito confortável. Uns têm terraço virados à cidade, outros são vista jardim e piscina. Os quartos do rés-do-chão têm terraços térreos saidos directamente para os jardins, apenas separados por pequenos arbustos. Os quartos de banho passaram a fazer parte integrante da paisagem do quarto pois acabaram de vez as paredes de tijolo e betão para serem substituidas por grande montras de vidro que permitem uma observação constante deste espaços que passaram de anónimos e encerrados para um complemento decorativo ricamente ornamentados com loiças design e sistemas de luminosidade que criam ambientes de grande tranquilidade. A reserva da intimidade consegue-se à custa de competentes black-outs que impedem a visibilidade para o interior. Do terraço vista cidade conseguem-se fotografias únicas que mesmo repetindo a paisagem mudam de tom à medida que cai o entardecer. Dormir neste Palácio, torna-se um prazer redobrado pois por cima do colchão muito confortável, somos acarinhados com um sobrecolchão que torna cada toque do corpo num ritual de suavidade e carinho. Os edredons de penas contribuem para complementar o ritual de sensações que nos embalam e nos fazem despertar para um novo dia cheio de pequenos momentos de intenso sabor. O pequeno almoço é servido na sala de restaurante repleta de arcos e abóbadas onde a primeira refeição do dia é tomada a gosto com deliciosos produtos regionais. tes black-outs que impedem a visibilidade para o interior. Do terraço vista cidade conseguem-se fotografias únicas que mesmo repetindo a paisagem mudam de tom à medida que cai o entardecer. Dormir neste Palácio, torna-se um prazer redobrado pois por cima do colchão muito confortável, somos acarinhados com um sobrecolchão que torna cada toque do corpo num ritual de suavidade e carinho. Os edredons de penas contribuem para complementar o ritual de sensações que nos embalam e nos fazem despertar para um novo dia cheio de pequenos momentos de intenso sabor. O pequeno almoço é servido na sala de restaurante repleta de arcos e abóbadas onde a primeira refeição do dia é tomada a gosto com deliciosos produtos regionais.

A Recompensa do Aniversariante (Hotel Quinta da Marinha)
















Aniversário no Lapa Palace (Hotel Lapa Palace)











Thursday, August 7, 2008

ANDALUZIA (qualidade e excelência-Hotel Punta Umbria Beach Resort)


Ditaram as opções da oportunidade, da distância e da qualidade que fizéssemos as férias deste Verão na Andaluzia, com uma escapadela mais para Oeste. Os destinos eram na sua maioria conhecidos, bem como os serviços, as paisagens e alguns dos hotéis. A semana em Punta Umbria foi, como tínhamos projectado, muito tranquila, com muita qualidade e excelente gastronomia, hábitos aliás, a que os nuestros hermanos já nos habituaram. Que dizer do Hotel Punta Umbria Beach Resort? Os registos dignos de nota já estão documentados num post anterior. Mantém-se a qualidade, a organização e a simpatia. No período que lá estivemos o hotel estava muito cheio mas mesmo assim tudo estava organizado não tendo sentido desleixos nem confusões. Tivemos a sorte de ter inaugurado a piscina do Hotel Punta Umbria Enebrales que integra o gigantesco Resort Barceló, tendo usufruído de longas horas de piscina calma e límpida quase só para nós, pois a maioria das pessoas, estando alojados no Punta Umbria Beach, não se deslocava para o Hotel Enebrales que, estando a abrir, não tinha ninguém nos equipamentos de lazer. No final da semana rumámos a Sevilha para aí embarcar para Valência para visitar a tão prometedora Cidade das Artes. Sobre a companhia aérea Vueling a opinião mantém-se: boas tarifas e serviço organizado.
Valência foi fundada pelos romanos em 138 aC, a cidade fica numa fértil planície do litoral (la huerta), conhecida pelas suas laranjas e produtos hortícolas e é a terceira maior cidade de Espanha, possui um clima quente, uma agradável vida nocturna, um espectacular festival (Las Fallas, esculturas em pasta de papel de cada bairro que são queimadas na rua, realizado entre 12 e 19 de Março com muito fogo de artifício, música, desfiles, fogueiras, touradas, concursos de paella e animação nas ruas até de madrugada.), esplêndidos monumentos e o mais moderno complexo cultural e científico da Europa, a Cidade das Artes, que integra o Museu das Ciências, o Hemisférico, e o Oceanográfico. Localizado no antigo leito do Rio Turia, ergue-se um dos complexos cientifico - culturais mais importantes do mundo europeu: a Cidade das Artes e Ciências, construída pelos Arquitectos Santiago Calatrava e Felix Candela. A construção do conjunto iniciou-se em 1990, quando a "Generalitat Valenciana" (prefeitura de Valência) promove toda uma série de intervenções urbanísticas para a incorporação de Valência no Terceiro Milénio, e como meio de recuperação da área urbana localizada entre o antigo leito do Turia e a auto-estrada de Saler. O projecto era inicialmente composto por uma Torre de Telecomunicações, um planetário (o Hemisferic) e o Museu das Ciências Príncipe Felipe. Posteriormente o projecto foi alterado, substituindo a construção da Torre pelo Palácio das Artes.
O Hemisféric é um dos conjuntos fundamentais do projecto, sendo o primeiro a ser inaugurado. Construído ao modo de um olho aberto que tudo vê, está concebido como uma sala de projecções audiovisuais, que permite oferecer aos seus 300 espectadores por sessão, as mais inovadoras sensações audiovisuais, graças ao maior suporte tecnológico do mundo. Está limitado ao norte e ao sul por duas piscinas rectangulares, emergindo delas como uma grande cúpula formada por uma parte central fixa (a cobertura opaca), os elementos laterais móveis que funcionam como brisas (ou guarda - sois), e a lateral transparente envidraçada. Esta cobertura de formato ovoidal protege uma esfera no seu interior.
O Museu das Ciências Príncipe Felipe, foi concebido como um museu aberto e dinâmico onde o lema principal é "é proibido não tocar". Ao longo dos seus 4.000m² o visitante passa pelas diferentes áreas que cobrem uma ampla gama de temas científicos, desde biologia e física até as mais avançadas tecnologias aplicadas à comunicação, construção, desportos, etc.
O Palácio das Artes é o centro artístico e cultural mais importante do mundo: arquitectura, engenharia e tecnologia de vanguarda para a criação de um espaço onde há lugar para todos os estilos desde os clássicos até as últimas tendências em ópera, teatro, musica e dança, contando com três auditórios: tem sala principal com capacidade para 1.800 pessoas, sala de câmara para 400 pessoas, auditório ao ar livre, situado a grande altura, para 2.500 pessoas.
Finalmente, o conjunto completa-se com o Parque Oceanográfico, projectado por Félix Candela, uma autêntica cidade submarina de 80.000m², com túneis envidraçados e réplicas perfeitas de sectores costeiros com águas de diferentes qualidades, que permitem conhecer os animais representativos de cada zona da Terra. Conta com uma zona recreativa composta por um restaurante flutuante submarino, uma fonte para espectáculos de luz - som - água, e o maior aquário da Europa para espectáculos. Possui também de áreas envidraçadas para observar o trabalho dos mergulhadores e um túnel submarino de 70m de comprimento.
Fizemos a viagem com crianças pelo que as velocidades das visitas tiveram que ser adaptada às suas idades e necessidades. Comprar logo no aeroporto os passes para os 3 dias, permitem viajar no metro e autocarros, sem limitações e com grande comodidade. Visitar o Oceanário implica a ocupação para todo um dia para se poder observar tudo em pormenor e descansar. O Oceanário é de facto fantástico e é uma visita a não perder. Na loja do Turismo no Aeroporto existem uns folhetos que dão direito a 3 euros de desconto na entrada do bilhete conjunto, que permite visitar as três estruturas uma vez. A projecção no Hemisferic é muito bonita. Nós vimos o Recife Encantado, uma projecção ao jeito do peixinho Nemo que tem a tarefa de salvar o recife que fica ameaçado. O museu das Ciências é muito grande e envolvente pelo que recomendo a visita num dia diferente da do Oceanário. O museu é bonito e está todo adaptado para explicar a biologia e a física de forma simples, prática e interactiva, portanto é obrigatório mexer. Em todos estes locais existem lojas com recordações que são uma tentação, que terá que ser controlada por causa dos preços.
O nosso hotel em Valência foi o Vincci Palace, está localizado no coração de Valência e encontra-se na melhor área turística e comercial da cidade, a apenas alguns metros de distância da Plaza de la Reina, do emblemático El Miguelete da Plaza del Ayuntamiento e das lojas mais exclusivas. O edifício modernista do outrora Hotel Palace foi totalmente remodelado em 2007, sustendo uma fachada impressionante e um interior renovado, apresentando-se assim como o hotel mais moderno da capital do Rio Túria, graças à sua decoração exclusiva e ao design elegante que faz toda a diferença na estadia. Os funcionários são muito simpáticos e prestáveis e a decoração é muito sóbria e elegante. Os quartos são dotados de um sistema com comando da luminosidade que permite ter diferentes ambientes conforme as necessidades/vontades. Assim, através de um comando manual podemos ter apenas luzes de presença para leitura, ambiente de relax, iluminação só do WC e projecção normal para o welcome. Achei um pormenor magnífico!
De volta a Sevilha alojámo-nos no hotel Barceló Renascimiento, muito próximo à Isla Mágica e ao Complexo desportivo do Sevilha, pois o objectivo era visitar o parque temático com as crianças. É uma unidade de 5 estrelas de uma cadeia sobejamente conhecida e de implantação mundial. A recepção é muito agradável pois somos recebidos com muito carinho. As partes comuns do hotel são agradáveis, os quartos espaços e confortáveis, mas a necessitar de alguma manutenção ao nível das janelas e cortinados, pois estão a ficar presentes, sinais de degradação. Este reparo também é estendido às áreas de lazer, nomeadamente o espaço envolvente à piscina que estava totalmente vedado, para supostas obras de melhoramento. O único ponto negativo e a deixar registo foi o encerramento da piscina às 20 horas, quando em Sevilha ainda estão 44 graus no Verão. Sevilha é uma cidade maravilhosa, sou um verdadeiro apaixonado pela Capital da Andaluzia que conheci no longínquo ano de 1992. Daí para cá as visitas são quase anuais e algumas marcas e preferências já fazem para das nossas visitas. É obrigatório jantar no restaurante Las Piletas, logo ali numa transversal à Calle de los Reys Católicos, tem a melhor carne da Andaluzia, um serviço muito requintado num espaço repleto de tradições tauromáquicas. Também é obrigatório comer o melhor bolo de queijo da Peninsual Ibérica. De regresso já fazem parte das nossas visitar uma paragem no Decatlon à saída em Camas (via rápida Huelva-Portugal). Conseguem-se artigos muito bons a preços que deixam os nossos Decatlons à distância. Neste complexo comercial encontra-se também o Hipermercado Carrefour, que vale a pena explorar, pois para além de ser gigante, permite escolhas quase infindáveis a preços que são uma tentação e que valem bem a pena para encher a bagageira (azeite, produtos de higiene, artigos escolares, vinhos, cds, enchidos, etc). E viva España (Andaluzia).
Os últimos dias de férias e depois da azáfama das viagens, foram passados num pequeno refúgio bem português na Boca do Rio Arade. Também já revisitado, este hotel tem características únicas. É atraente, bem decorado e os quartos vista rio têm uma paisagem bela e tranquila que transmite bem-estar e tranquilidade. Esta unidade de 4 estrelas à entrada de Portimão, (estrada nacional 125 direcção Ferragudo, Mexilhoeira da Carregação) combina o conforto com a calmaria do ambiente e das paisagens envolventes. È dotado de infra-estruturas de lazer diversificadas e de boa qualidade. O serviço é de excelência. Os quartos têm uma decoração atractiva, moderna e cuidada. A opção de podermos trocar o pequeno almoço pelo brunch, permitiu-nos usufrui das refeições de forma calma e à medida das necessidade e da vontade, deixando todo o tempo livre para estar à beira da piscina, simplesmente a descansar, a ler ou a ouvir música. A perceria com o Club Náutico do Aráde permite usufruir de uma magnífica piscina interior, ginásio e passeio de lancha para a praia, a Portimão, ou simplesmente para passear, e tudo isto, incluído na tarifa, que em dadas ocasiões é irrecusável. Os dias aqui foram revitalizantes permitindo um final de férias com a paz que se deseja e deixando saudades de lá voltar.

Saturday, July 5, 2008

CHARCAS LAGOON (Luxo e conforto)

Longe vão os tempos em que, para cumprir a tão contemporânea expressão” Vá para fora cá dentro”, implicava horas infindáveis de asfalto e paciência, para, no fim da enésima curva, encontrarmos finalmente o conforto das paisagens paradisíacas. No que diz respeito às condições de alojamento, o país (refiro-me ao início da década de 90) encontrava-se acomodado, sendo difícil encontrar, fora dos grandes centros, alojamentos que dignificassem o meio ambiente envolvente e os seus utilizadores. Montargil, faz parte dessas minhas memórias onde a natureza e o Homem juntaram esforços para pintar uma paisagem natural, bela e muito envolvente. Os caminhos até lá, ao invés de outras belas localidades do país, não eram difíceis, a gastronomia, apesar de amadora era pura e tradicional. Mas, os lugares de acomodação não passavam de pensões, com as condições adaptadas à época, sem nenhum tipo de excessos e nenhuma preocupação em tornar a estadia reconfortante e memorável. Não havia a preocupação em tornar os lugares de repouso em locais sagrados e de culto. Concordarão comigo quando digo que, mesmo no sítio menos agradável, se o local que nos acolhe nos preencher de prazer, até temos liberdade para projectar a imaginação e comparar e lançar ideias para adaptar o meio e fazer dele um lugar encantado. Em Montargil dos dias de hoje nada precisamos fazer para nos sentirmos acarinhados, confortáveis e felizes. No Charcas Lagoon, novíssimo empreendimento recentemente inaugurado, encontramos luxo, distinção e conforto. O meio envolvente é constituído por pinheiros que requerem uma manutenção mínima e, em toda a frente do hotel, vislumbra-se o espelho de água da barragem de Montargil. Em todo este parque verde onde prolifera um ecossistema diversificado, surgiu este resort, devidamente enquadrado na paisagem rodeada de lagos artificiais que permitem jogos de reflexão e ângulos fotográficos de rara beleza. Por eles podem encontrar-se pequenas ilhotas e pontes de madeira que permitem ao visitante chegar à ilha e lá permanecer como se aquele lugar lhe pertencesse. O Hotel é constituído por um agrupamento central onde funciona o lobby, o restaurante e o bar ladeado de dois braços onde se acomodam os quartos com um nível térreo e outros no 1ºandar. O edifício é de cor de tijolo ornamentado com pequenas tijoleiras e pintado no ângulos de pouca visibilidade de amarelo-torrado, fazendo-me lembrar, embora sem nunca ter visitado um, um eco-resort numa fazenda brasileira. O lobby não é grande, as cores brancas dominam o mobiliário e as paredes. Muito dentro das tendências actuais, predomina o minimalismo organizado e muito coerente. As áreas dos quartos não são generosas como todo o espaço envolvente poderia fazer prever, no entanto, estão decorados com simplicidade e bom gosto. A projecção do edifício, de volumetria controlada, permite ao visitante, instalado no seu terraço privado, apreciar uma paisagem que é arrebatadora, pois toda projecção visual deixa observar o verde da relva e dos pinheiros, a reflexão dos lagos, a limpidez das águas da piscinas em linhas de água delimitadas e de diferentes tons e ao fundo, a sempre presente barragem. Tudo o que se vê é harmonioso e tranquilo e o que se ouve ao longe, são as vozes das crianças que não dão conta de tanta excitação que os tantos mergulhos na piscina lhes provocam. Nas zonas sociais predominam os tons claros com as paredes forradas a papel de relevo, mobiliário branco e creme contrastando com alguns elementos de verga, pautados estrategicamente com alguns apontamentos coloridos. Alguns elementos decorativos adornam as salas de estar e o bar. Lembro-me do falso candeeiro com uma fileira de elefantes, por exemplo ou os espelhos redondos decorados com pétalas prata, no lobby, que constituíram para mim, motivo de grande apreciação. Outro dos elementos que não deixa ninguém indiferente é a escadaria em aço e vidro que liga o piso térreo ao primeiro andar. A ideia desta projecção vertical com estes elementos foi tão bem conseguida que, para além de nos convidar a subir e explorar o que a seguir se segue, ela própria funciona como elemento decorativo de grande envergadura e naturalmente, devido à sua dimensão, de grande importância. A esplanada do bar é ornamentada com chapéus que nos transportam para as culturas marroquinas e as mesas, muito originais, fazem lembrar velhos bancos de madeira de faces trabalhadas com motivos florais e tampos simples. Não poderia terminar este apontamento sem deixar umas palavras de apreciação à magnífica gastronomia que por ali se pratica. Tivemos o privilégio de apreciar creme de melão com pepital de presunto, uma verdadeira delicia dos Deuses. Imaginem o que é estar a beber sumo de melão mas numa tigela de sopa e à colher e sentir as pepitas de presunto a romperem o gosto doce-mel do melão. Os pratos que se seguiram foram cherne braseado em cama de batata acerejada, magnificamento preparado e apresentado e de paladar delicioso e magret de pato. Tratava-se de peito de pato no forno encimado com espargos e regado com molho de framboesa. Uma experiência gastronómica a repetir. A sobremesa que atapetou o nosso jantar gourmet era cosntituida por pratos de fruta com sorbet de citrinos e que no caso foi gelado com sabor a tangerina. Acho que nunca tinha sentido o sabor deliciosamente gelado de uma tangerina fresca e suculenta.
A experiência deste lugar encantador provoca ao visitante sensações de evasão, tranquilidade e sofisticação.

Sunday, June 22, 2008

PARAÍSO ENVENENADO (Tróia, bela e amadora – Albergaria do Sado)

Tróia, para quem conhece e certamente concordará, é, e sempre foi um destino de férias por excelência. Conheço Tróia à muitos anos e o encanto das praias e do mar de cor de azul deixam-me sempre fascinado. Agora com a nova oferta turística em construção certamente não faltarão motivos para visitar esta língua de areia que a natureza plantou para nos presentear com uma das mais belas paisagens de Portugal. Sou do tempo das torres Rosa-Mar e Magnólia mar, onde se podia pernoitar a custos relativamente acessíveis, mas sem deslumbramento ou luxo.
Há alguns anos atrás descobri a Albergaria Foz do Sado que se veio a revelar uma opção de excelência para pernoitar por aquelas paragens. A primeira experiência foi magnífica pois trata-se de uma residência em formato de vivenda com uma vista deslumbrante sobre o rio Sado, envolta em pinheiros e jardins. Os donos, um encanto de pessoas, com gosto por receber e por bem agradar. A decoração mostrava vários estilos (oriental, mexicano) complementados com peças de mobiliário, certamente encontrados pelas viagens pelo mundo.
Como há algum tempo que não visitava Tróia, recentemente voltei ao mesmo local e, para meu espanto, fui recebido por uma jovem mulher que quando anunciei o meu intento, abriu gavetas e remexeu papeis em busca, certamente de uma anotação da minha reserva. Com a mesma rapidez deixou de procurar e ligou para a mãe para perguntar sobre a dita reserva. Como resposta, passámos a ser atendidos pela mãe, que manteve sempre um ar sério e incapaz de sorrir ou de ser agradável enquanto remexia em gavetas e papeis, até que, finalmente, pensei eu, descobriu um pedaço de papel que me entregou para preencher com os meus dados ao mesmo tempo que fotocopiava o meu bilhete de identidade. Confesso que não esperava esta recepção pois já ninguém preenche nada ao balcão de um hotel. O próximo passo da senhora foi pegar em 4 comandos e numa chave e rumar escada acima para nos mostrar o quarto. Aí, interpelei-a dizendo que havia solicitado um quarto no rés-do-chão junto à piscina e que me havia sido dito que esse aspecto ia ser tido em conta. Ela simplesmente respondeu que não e que o pequeno almoço seria servido entre as 08.30 e as 10 horas. Ficámos perplexos com aquela nova forma de receber na Albergaria do Sado. Na piscina o nosso André fez logo um amiguinho que por sinal era filho da Srª que até ao último dia julgávamos ser a nova proprietária da unidade. Uma criança simpática, bem nutrida e bem disposta. Na hora de jantar tentámos ir ao Tobias no Carvalhal, famoso pelo seu arroz de marisco, mas por ser 2ªfeira este encontrava-se fechado. De volta ao local de repouso deparámo-nos com a sala cheia com outros hóspedes que ocupavam todos os lugares sendo impossível permanecer um pouco a conversar antes de dormir, por falta de capacidade para sentar. Por não haver mini-bar no quarto, o que considero lamentável, havia pedido à Srª para me guardar a água no frigorífico pedindo-a de volta antes de subir. Solicitei também mais papel higiénico, sempre julgando que ela o iria colocar. Mas não, perguntou se no quarto não estava um rolo ao que eu respondi que sim, mas seria necessário outro que me trouxe e entregou para as mãos. Ali estava eu no meio da sala de papel higiénico na mão. Irreal. O barulho na sala impediu que se conseguisse adormecer antes da meia-noite. O pequeno-almoço foi simples mas saboroso e bem servido. O dia estava encantador. Depois de uma agradável manhã na praia, voltamos para mais umas braçadas naquela piscina convidativa e para rever o nosso amigo Micael. Percebemos que alguns hóspedes já seriam habituais pois movimentavam-se com à-vontade até nas zonas mais reservadas da unidade. Percebemos também que um casal tinha um cão de formato gigante e que para além se passear por todos os locais da Albergaria (vi mais tarde que os animais são aceites) incluindo nos espaços de refeição, o cão até tinha direito a banho de piscina. Achei deplorável, pois havia acabado de dar um belo mergulho.
Não fosse a beleza paisagística daquele pequeno resort, que tem a sorte de estar implantado num paraíso natural, as imagens que guardamos dentro de nós, os cheiros e os ambientes, a experiência teria sido devastadora. Mas mesmo assim deixou-nos incomodados pela forma sempre pouco agradável com que falávamos com esta senhora que estava a dirigir a unidade e que no momento do check-out viemos a saber ser empregada.

Thursday, June 19, 2008

SESIMBRA HOTEL & SPA

Sesimbra faz parte dos encantos e das recordações de outros tempos, dos primeiros em que nos habituámos a explorar os arredores da grande urbe lisboeta. Recordo hoje, passados anos que já nem lembro mas seguramente mais de 15, os tempos em que aos fins-de-semana explorávamos os recantos paradisíacos da costa entre Lisboa e Setúbal. Era lá que encontrávamos os refúgios e o equilíbrio para acalmar dos stress e das ansiedades acumuladas quer dos estudos que depois do início da vida profissional. E assim, Sesimbra, Meco, Setúbal e Tróia, faziam parte das nossas escapadelas aos fins-de-semana, quando o dinheiro já permitia procurar alojamento com alguma qualidade e a custo acessível. Toda esta incerteza e conflitualidade global que hoje se vive parecia não ter tempo nem lugar para alguma vez existir ou acontecer. Não se alcançava nem o cérebro tinha lugar para imaginar estas coisas do combustível e dos cereais e do bio-combustível e da fome e dos alimentos caros. Neste tempo estávamos preocupados em aproveitar o início da vida, em preservar as amizades, em conhecer, explorar e sentir o prazer da areia grosseira do Meco e do cheiro que emanava das ondas da maresia ou então da areia aveludada de Tróia e das suas águas azul-turquesa que nos lembravam à distância, paisagens paradisíacas das longínquas e apetecíveis Caraíbas que entretanto já conhecíamos. E foi para este recanto tão belo e tão perto que voltámos num fim-de-semana de Junho. A surpresa foi total. Sesimbra apesar de manter a sua traça típica, tem hoje uma marginal transformada e cuidada e um hotel de grande qualidade. Ficámos surpreendidos pela qualidade deste 4 estrelas todo virado ao mar e com quartos de dimensões acima do comum. Da varanda fica-se com a impressão que se está suspenso sobre o mar pois a altura do edifício e na posição de sentado, a paisagem que nos é oferecida é o oceano com a sua cor característica. São permitidas, deste local, experiência fotográficas imaginativas. A simpatia e a qualidade do atendimento sente-se logo à chegada onde, na recepção, somos recebidos com um:-bem-vindo ao Sesimbra Hotel & Spa. Tudo está previsto para agradar a quem visita a unidade. Começam por parquear-nos o carro, conduzir as bagagens ao quarto, desejar-nos uma excelente estadia. A Piscina é inteligentemente encaixada em triângulo nas traseiras do edifício, onde o sol é rei grande parte do dia, é abrigada pela próprio corpo do hotel e o nivelamento pela linha do mar, faz daquele local, um quadro natural difícil de abandonar. De regresso ao quarto tínhamos mimos do Director do Hotel: champagne, fruta e água.

A edificação do hotel foi toda pensada e estruturada no aproveitamento natural do declive da falésia, o que, do ponto de vista arquitectónico permitiu algumas ousadias brilhantes. Refiro-me ao pé-alto que constitui o ex-libris do edifício e que permitiu o aproveitamento para a colocação e deslocação de um elevador panorâmico. Quando nele se entra e se passa o piso da recepção, a aventura torna possível à imaginação um passeio pelo fundo marinho, pois desce em abismo controlado até ao fundo do edifício, percorrendo paredes que artisticamente foram decoradas com pedaços de azulejos partidos com motivos marinhos. A técnica é muito parecida com o que Ghaudi fez na sua amada Barcelona, os motivos são outros, puramente oceânicos. As salas de repouso e de estar são fortemente decoradas com papel de parede que não deixa indiferente os mais distraídos. São cores suaves mas muito trabalhadas, ou com algas, ou peixes ou com o que imaginação pode recriar. O edifício tem centenas de quartos e dispõe-se ao longo da encosta em rectângulo, adaptando as suas arestas em formas triangulares para se encaixar na falésia de forma harmoniosa com se um abraço se tratasse. O ginásio é muito agradável, com equipamento adequado a uma unidade de 4 estrelas. O pequeno-almoço é francamente bom e farto, acima da média para um hotel com esta classificação. Deixou saudades e vontade de regressar.

Monday, June 16, 2008

GENT, BRUGES & BRUXELAS (9ª Conferência do Conselho Europeu de Ressuscitação)

A viagem a Gent estava pensada e idealizada desde a ida a Stavanger (Noruega), à 8ª Conferência do Conselho Europeu de Ressuscitação e que, curiosamente, constituiu motivo para a construção deste blog. Se pensada estava, a sua concretização só ficaria inviabilizada caso algo inesperado acontecesse. E Gent tornou-se expectativa logo desde Stavanger e cada vez maior à medida que os meses decorriam. Finalmente Gent em 21 de Maio de 2008. A viagem foi óptima, na TAP, sem atrasos. Os Airbus são confortáveis e o serviço muito agradável. O hotel já conhecido através do booking.com e do Google-maps, não excedeu, infelizmente as nossas expectativas. Era pobre e desalinhado, sem laivos de conforto, sem decoração, mas simpático QB para a função. Chegámos a Gent um dia antes da 9ª Conferência do ERC e, nessa tarde era imperioso para mim entrar na histórica e medieval cidade de Gent, senti-la e explorá-la, enquanto as pernas permitissem andar com prazer e sem sofrimento. Os outros 3 dias haveria de passá-los em salas e anfiteatros a ouvir as sessões científicas sobre as temáticas principais da Conferência: ressuscitação, hipotermia, dispositivos mecânicos de reanimação e resultados das investigações mais recentes nestas matérias. E assim foi. Comparando esta com a conferencia de Stavanger, haveria de encontrar nítidas diferenças. As guidelines, lançadas na Noruega, estavam agora em fase de implementação e amadurecimento. Apostei nas sessões interactivas com televoto, que me permitiram perceber que estávamos ao nível dos colegas dos 4 cantos do mundo: (Japão, Austrália, UK, Suécia, Espanha, Alemanhã, França, Antilhas, Africa do Sul, Chipre, Maldivas).
Sobre as guidelines muito havia a dizer. Questões como: todos as conhecem, mas será que todos as aplicam eram frequentes. Ou, será que 30 compressões torácias são suficientes? E ventilar, será mesmo necessário? E a profundidade das compressões? Porquê 4-5 cm no adulto? É suficiente? Onde estão as provas científicas? Não serão apenas factos? Depois, foi muito interessante ouvir as sessões sobre hipotermia. Quem a faz, como se faz e quais os resultados. E não podiam faltar debates sobre métodos de ensino: se no mesmo espaço e no tempo (em sala), fora do mesmo espaço ao mesmo tempo (biblioteca) e/ou sem ser no mesmo espaço e cada um no seu tempo (e-learning).
A exposição técnica era, como sempre muito interessante, não porque tivesse grandes novidades mas porque permitia treinar com diversos equipamentos e sentir as diferenças entre as diversas marcas. Mas, os meus olhos viram em Stavanger outra atitude. A sessão inaugural foi gira, num imenso salão, com comida quente, bem confeccionada (coelho, legumes peixe, e claro, montes de batatas fritas com molhos infindáveis , mas saborosos). Tudo regado com muita e deliciosa cerveja Belga.
Os almoços de trabalho não podiam fugir à regra tão preconizada na Europa, para desconforto dos nossos estômagos habituados aos deliciosos pitéus Nacionais. Sanduiches e mais sanduiches. Se não fosse a Belgian bear…
Durante a Conferência encontrámos amigos nacionais. O Carlos Pinto, sua mulher (Elsa Guimarães), a Elisabete e a sempre querida Catarina Cruz, que já são uma referência nestas nossas reuniões no estrangeiro, pois aproveitam e fazem umas magníficas férias. A colega Céu viajou conosco, mas só conseguiu alojamento em Bruges, que haveria de ser o nosso próximo destino. O Carlos Pinto e todos os que o acompanhavam, mais uma vez se tornaram incansáveis na prestação e no carinho que nos dispensaram (já assim foi na Noruega). Tornaram-se nossos condutores, levando-nos e trazendo-nos ao hotel, do hotel, para os jantares, sempre bem dispostos e a sorrir. Grandes companheiros e excelente grupo que nos receberam, mesmo cansadíssimos de tanto andar, sempre com um sorriso e palavras de conforto. A Céu sempre pronta para a fárra e eu “podre ” de cansaço a necessitar de um duche e de alguns minutos de repouso no meu hotel. E sobre a conferência nada mais há a referir aproveitando agora para caracterizar um pouco o que achei e senti da cidade de Gent (Ghent ou Gand).
Gent é uma das cidades medievais mais bem conservada da Europa. É uma cidade com uma arquitectura característica da Europa central, com casa de telhados triangulares, todos bem trabalhados e conservados. No coração do centro histórico, contruído nos séculos XIII e XIV, quando a cidade se preparou para o comércio dos têxteis, correm um conjunto de canais e rios que lhe conferem um charme característico. É interesante fazer um daqueles circuitos de barco, facilmente disponíveis para percorrer, por água, a história da cidade. A destacar e a não perder é a magnífica catedral St. Baafskathedraal, datada de séc. XII, com uma torre gótica impressionante. Igualmente impressionante é a Igreja de St. Nicolas também com as suas torres em estilo gótico. Outro local pitoresco e muito bonito é Graslei, uma das ruas percorridas pelos canais e onde se alinham casas de guildas perfeitamente conservadas. Existem esplanadas e restaurantes por todo o lado. A comida é boa mas muito cara e as cervejas belga são uma tentação várias vezes ao dia.
A viagem para Bruges faz-se com facilidade por comboio, dista cerca de 50 km de Gent, mas nós tivemos o previlégio de chegar à Veneza do Norte guiados pelo nosso amigo Carlos Pinto. Bruges é um dos destinos turíscos mais populares da Bélgica. É uma cidade medieval bem conservada, cujas ruas sinuosas atravessam pitorescos canais ladeados por belos edifícios. O centro de Bruges está muitíssimo bem preservado. Não parece ter sido nunca uma cidade industrializada e mantém a maior parte dos seus edifícios medievais. Percebe-se ao percorrer as ruas, que existem cuidados especiais com aquele lugar. Não se veêm cartazes colados nas paredes e o trânsito é muito controlado. As grandes atracções desta bela cidade são sem dúvida os belos edifícios e os monumentos históricos. Realço Belfort ou Campanário, uma impressionante torre octogonal onde está guardada a Carta de Direitos medieval da Cidade. O Markt é uma praça ladeada de belos edifícios medievais, onde tudo acontece. É o coração de Bruges, onde verdadeiramente se pode sentir a cidade. Está sempre repleta de turistas, que enchem esplanadas e dão que fazer às charettes que num vai vem sem fim fazem as delicias dos que não querem perder pitada deste tesouro. Logo atrás da grande praça central encontra-se uma outra pequena praça, oBurg, que pela sua condição escondida constitui local de passagem obrigatória, pois o deslumbramento do Stadhuis, a mais antiga das Câmaras Municipais da Bélgica a isso obriga. Trata-se de um edifício lindíssimo, todo trabalhado , com 3 torres e bordado em talha dourada. Ao lado do Stadhuis há uma série de magníficos edifícios medievais, destacando-se a Basílica do Sangue Sagrado. É por esta praça, por exemplo, que se chega às ruas dos canais e rios onde, em locais de embarque se pode fazer um belo passeio de barco, outra das atracções turísticas de Bruges. O passeio de barco pelo rio Dijver permite observar belos edifícios medievais, a elevada torre da Igreja de Nossa Senhora, a torre do Campanário e pequenos recantos cheios de encanto que só este transporte permite dar a conhecer. Os dias em Bruges passaram depressa. O tempo foi nosso amigo, pois chuviscava de manhã mas depois abria o sol e passávamos os dias cheios de calor. O hotel era muito agradável. Escolhido no booking.com, como sempre, agradou tanto como nas imagens. Gente simpática, um quarto muito agradável cheio de camas e edredons sumptuosamente macios. O pequeno almoço, deliciosamente servido e supervisionado pela Gena, que viemos a saber ser uma brasileira que falava 5 linguas e que foi talhada para aquele serviço, sabia-nos tão bem que deixou saudades. No 2ºdia pedimos um chocolate quente. Foi-nos colocado na mesa leite quente e um stick, tipo palito, que trazia na ponta um cubo de chocolate genuinamente Belga, para derreter deliciosamente no leite e deixar-nos estonteados de prazer. Saibam mais em http://www.choc-o-lait.com/. Infelizmente não se vende por cá. Em Bruges alimentávamo-nos de moules e outros mariscos e as sobremesas nunca fugiam muito dos delicosos crepes de chocolate Belga a derreter e a escorrer por todo o lado. As lojas de chocolate são verdadeiros tormentos de prazer. Existem às dezenas, destacando as marcas Leónidas e a Neuhaus.
Faltava agora picar o ponto “en Bruxele” e lá fomos nós de comboio para a Capital da Europa. Teriamos que fazer o reconhecimento num dia e meio. O poiso foi no hotel NH Atlanta, bem localizado e com um serviço de um quatro estrelas superior. Atrás do hotel, sem estarmos à espera, encontrava-se a Rue Neuve. É apenas a artéria mais comercial da cidade só comparada à Oxford Street na cosmopolita Londres. São uns milhares de metros de rua com lojas de ambos os lados onde uns sapatos podem custas 300 ou mais euros, mas onde também se encontrar as grandes lojas franshizadas e que todos conhecemos: Zara, H&M, Célio etc. Para Bruxelas traçamos limites muito rigorosos pois o tempo era pouco e era preciso ver o principal. Do hotel à magnífica Grand Place, caminhava-se a pé. Esta é o centro geográfico, histórico e comercial da cidade e é o primeiro local a ser visitado por quase todos os turistas. Fazem parte dos edifícios que a compõem, o Hotel de Ville (antiga Maison du Roi) e a Câmara Municipal de Bruxelas, entre outros. Depois de apreciar esta obra feita pelo Homem e que seguramente será a mais bela Praça do Mundo, é obrigatório sair pelos locais devidamente assinalados e visitar o Manneken Pis. Já sabia da sua pequenês e do seu significado, mas não fica bem ir a Bruxelas e não clicar uma foto ao menino a fazer chi-chi. O próximo destino são as Galerias de St-Hubert com telhados e abóbadas em vidro, do séc. XIX, inauguradas pelo primeiro Rei Belga, Leopoldo I. desenhada em estilo Neo-renascentista. Esta galeria destingue-se por ter sido a primeira galeria comercial da Europa. Lá dentro encontramos lojas, cinema, um teatro, cafés e restaurantes. No dia seguinte e de autocarro chegámos com facilidde à alta de Bruxelas para percorrer o Parc de Bruxellas e apreciar o Palácio Real, que é a residência oficial da Monarquia Belga. É um conjunto de edifícios de uma dignidade impressionante ocupando uma área difícil de dimensionar quando visto da rua. Descendo a rua do palácio, vamos encontrar outra zona da cidade que combina intelectualidade e charme. Trata-se da Place e Rue du Grand Sablon. Situada no declive que divide Bruxelas em duas partes, a Place du Grand Sablon é como um degrau entre a parte alta e baixa da cidade, É uma área elegante a abastada, onde se concentram lojas de antiguidades, restaurantes requintados e bares modernos, onde, quando o tempo o permite, os Belgas tomam uma bebida e ficam à conversa até de magrugada. Encerrámos o nosso passeio à bela cidade de Bruxelas, visitando o Parlamento Europeu. Trata-se de uma cidade de betão, aço e vidro, onde tudo é organizado e electrónico. As obras locais dificultavam uma apreciação mais cuidada daquela “cidade-estado” onde se concentram os poderes do velho continente e onde se tomam as dicisões que fazem actualmente a história da Europa.

Sunday, April 27, 2008

Westin, Oeste Magestoso

Como o próprio título sugere, o oeste faz lembrar a velha “lenga-lenga” dos pontos cardeais que os programas escolares nos obrigavam a estudar e a saber “na-ponta-da-língua”. Hoje, já ninguém estuda orientação (com excepção dos escuteiros e de quem tem paixão por orientação (desporto de aventura)) pois as regiões e localizações geográficas aparecem-nos pormenorizadamente nos ecrans dos GPS’s que tão confortável e inteligentemente sabemos utilizar. A nossa incursão desta e mais uma vez, foi pelo Oeste português, cada vez mais apetecível pelos que apreciam luxo, charme e bom gosto. Desta feita cumprimos a promessa há muito feita de visitar o Westin CampoReal Golf Resort & Spa.
Por ser perto de casa e para nos perdermos propositadamente pelas ruralidades decidimos deixar as vias rápidas e optar pelo caminho da costa revisitando localidades que há muito fizeram parte dos nossos passeios domingueiros. Depois de passar a Ericeira e Ribamar a coisa começou a complicar-se pois as orientações não abundavam. Tínhamos apenas uma certeza, era preciso chegar ao Turcifal.
Como trabalho de casa havíamos explorado na net, locais recomendados para petiscos e iguarias, que aliás estão recomendados no Lifecooler (página do hotel). O restaurante o Lampião é um deles e aqui fica a forte recomendação para uma visita. Provámos sopa de feijão com redução de vinho tinto e filetes de garoupa com açorda. A refeição foi trancada com um crepe com chocolate derretido e gelado de baunilha.
Estávamos prontos para a aventura que nos esperava. Do Turcifal até ao resort é preciso ter um pouco de imaginação e bom senso pois as estrada são terceárias e não há orientação, mas a vontade e o sentido conduzem-nos ao vale do Campo Real com muita astúcia e facilidade. Depois, é sentir o prazer de entrar numa unidade que foi pensada e erguida para nos dar conforto e prazer. O Lobby é fantástico, faz-nos apetecer ser aquela a nossa sala de estar. A decoração é moderna mas a tocar a tendência neo-gótica, agora tão actual, combinando estilos e formas com acedemismo intelectual e histórico. Fomos colocados num quarto de generosas dimensões para que a cama extra do nosso filho não fizesse qualquer diferença na área útil que ficou ao nosso dispôr, e muitíssimo agradados com a paisagem (vista golf e piscina) generosidades de quem nos fez a reserva pois a nossa (reserva) não previa estes mimos. Aquela vista da janela e o calor que se fazia sentir não nos deixou qualquer dúvida que aquela piscina era para utilizar até nos cansarmos. Claro que quando se viaja com uma criança de 5 anos existem restrições à total liberdade dos pais, mas nada que não se consiga ultrapassar com alguma disciplina e gestão familiar. Enquanto um pai passa tempos sem fim à beira da piscina dos meninos o outro aproveita para lêr até chegar a hora de fazer a troca para dar energia aos músculos no ginásio irrepreensível que está fabulosamente equipado e à disposição de quem tem coragem para se esgotar num vale verde de luxo e prazer, sem ter que pedir socorro à Serra que nos olha e resguarda em frente, qual muralha que teima em dizer que aquele, é o vale do paraíso.
O hotel está enquadrado no centro de um pequeno aldeamento multifuncional e que dispõe de unidades para aluguer e venda, dando assim possibilidades diversas a quem pretenda instalar-se no hotel ou num chalé luxuoso totalmente equipado. Tudo em redor do resort é verde. Os tons variam apenas pela plantação de superfície que pode ser green do campo de golf, videiras ou eucaliptos mais ao longe. O silêncio lembro-me, é interrompido apenas pelo chilrear dos pássaros. Ao Miguel (Furtado??) devemos as diversas e divertidas actividades que nos ocuparam o tempo de forma calma e participativa. A experiência da corrida matinal, pouco participada naquela lindíssima manhã, permitiu conversas com o Miguel sobre as funcionalidades e novos projectos sobre o resort que continua em busca da perfeição. A ideia do Kids Club em forma de hotel para criança é um projecto absolutamente magnífico. Quando contei ao meu filho, nem imaginam o que ele respondeu:- posso lá dormir sem vocês? Lembro-me da festa da fruta que nos permitia ter a liberdade de fazer experiências com diversas frutas em busca do batido mais exótico e perfeito. As massagens shiatsu à beira da piscina, o Spa Di vine, que oferece potencialidades sem fim e onde os produtos utilizados têm na sua génese grainhas de uva, que, como todos sabemos, têm fortíssimos efeitos anti-oxidantes. Os pequenos-almoços foram verdadeiras experiências, bastante fortes para quem já conhece a maioria das grandes unidades de 5 estrelas do país. Tivemos o previlégio de encontrar pessoas extraordinariamente competentes e simpáticas personalizando no Chefe Celestino os elogios para todos. Um Homem humilde, educado e seguramente um grande mestre nas suas artes. A todos eles e agradecendo a bênção pela vida que temos, selámos os nossos pequenos-almoços sempre com um brinde com um poderoso Champagne seco (com a confissão do Chefe dizendo que faltavam os morangos, porque não os havia encontrados como gostaria). A conversa com ele havia começado porque se nos dirigiu para saber se estávamos a gostar do pequeno-almoço. Como seria possível não se gostar de uma refeição onde sentíamos competência e carinho em cada gesto. A minha constante curiosidade sobre os sabores e os segredos da cozinha moderna/gourmet facilmente precipitaram o diálogo pois o Crumble de Maça a isso me obrigava. Cheio de vergonha e de hesitações pedi ao Chefe Celestino a possibilidade de partilhar comigo o segredo de tão elegante mistura. Esperando um diplomático: - os segredos não se divulgam, fui surpreendido pela classe de um Homem que nos deixou surpreendidos pela sua simplicidade e inteligência. Fica a promessa de tentar em casa a receita do crumble e enviar via mail o resultado dessa experiência gastronómica ao amigo Chefe Celestino. Como ele até o meu filho de 5 anos teve direito a visitar a cozinha. Vinha entusiasmado pois havia visitado uma cozinha de um hotel de 5 estrelas (como ele diz), coisa pouco comum nestas idades e que o deixou cheio de alegria, pois já mostra um grande interesse por temas de culinária.
Muitas outras experiências aguardavam por nós, como foi sentir o cheiro da manhã a borbulhar num jacuzzi exterior e de poder, qual tratamento termal, provar o choque térmico deixando o conforto das quentes borbulhas gelando corpo na grandiosa piscina exterior. Tudo era permitido, até sonhar por breves momentos com a fascinante e surpreendente Budapeste onde os banhos Szechenyi (banhos públicos ao ar livre) fazem as delícias dos húngaros. E assim, depois de muitos mergulhos e de encantadores momentos de lazer, deixámos para trás mais uma experiência gratificante que nos revigora o corpo e alma e nos faz sempre pensar e agradecer pela dádiva da vida.

Sunday, February 24, 2008

O ocidente e o oriente casados e felizes. Cascatas, piscinas, cúpulas, ladrilhos, tons, cores e sabores: Hilton Vilamoura Cascatas Resort Golf & Spa

A chegada ao hotel Hilton em Vilamoura é triunfante. Do exterior, as cúpulas fazem lembrar as ousadias da arquitectura árabe e deixam antever uma grandiosidadeque logo ao entrar nos deixa cheios de orgulho pela espectacular obra e requinte arquitectónico que é o lobby do hotel. Tem um pé alto de vários metros de altura, encimado por uma cúpula de vidro descentrada, (da qual pende uma obra de arte constituida por um conjunto de longos fios que seguram pequenas flores em tons de branco e azul) e ladeado por pequenas janelas rectangulares. A pendente da cúpula transforma-se à noite num grandioso candeeiro que deixa correr a luz ao longo dos fios e recebe-a nas suas pontas. O mobiliário é simples mas coerente.

Num lobby gigantesco as peças fazem lembrar um puzzle, pois estão organizadas em núcloes separados a distâncias consideráveis que deixam os clientes em perfeita reserva como se estivessem na sua própria sala, e afinal estamos na entrada de um hotel. A recepção é deliciosa. Somos recebidos com um “bem vindo ao Hilton” e um cocktail de boas vindas. O carro é arrumado no parque e as bagagens são mais tarde entregues no quarto. O quarto é muito confortável. Óptimos colchões, excelentes almofadas. A decoração é simples mas harmoniosa. Os pequenos detalhes são o mini-bar com leitor de código de barras que debita o produto sempre que é retirado da sua posição original. As casas de banho em vidro são reservadas com um cortinado que por sinal, não gostámos particularmente. Qualquer sistema de estores fica sempre mais elegante. Outra curiosidade que me deixou fascinado foi uma faixa de azulejos atrás do lavatório, composta por uma mistura de cores e padrões que mais fazem lembrar restos de vários lotes que se foram terminando ali naquelas paredes. A cabine de duche separada é já habitual nos resorts mais recentes. Da varanda do quarto tem-se uma panorâmica completa dos jardins, das cascatas, das piscinas. Estas são de água tépida pelo que tomar banho em pleno inverno não é muito penoso. Encontramos piscina de adultos de crianças, de adolescentes e uma piscina romântica, que em plena invernia permite nadar e ser massajado por um gigante jacuzzi. O conceito de piscina interior a 28 graus é interessante mas pouco confortável, pois é coberta apenas parcialmente com meias paredes de vidro, sendo depois desprovida das restantes paredes. O ginásio é completo, elegante e funcional, senti-me “em casa” como se já conhecesse todo aquele espaço e todos os equipamentos.
O pequeno almoço é principesco. Somos recebidos à entrada da sala por uma simpática funcionária que nos acarinha com um sorriso que, apesar da obrigação profissional, é sincero e bonito. Explica-nos o funcionamento do serviço, escolhe-nos uma mesa e convida-nos a disfrutar de um verdadeiro banquete. É irrepreensível a organização do serviço. O buffet é mesmo de 5 estrelas. Não falta nada, senti apenas a falta do champagne. Recomendo que provem o sumo de maracujá e a calda de banana, iguarias desta unidade que não encontrei em nenhuma outra. A sala é totalmente coberta por ladrilhos azul-turquesa que, quando tocados pelo sol, brilham, emitindo espectros de tons suaves daquelas cores. Ficaram por explorar algumas zonas nobres do hotel, nomeadamente o Seven SPA, que prometia ser uma verdadeira aventura para os sentidos, mas, quando se viaja com crianças, outras prioridades se levantam. Senti ainda a falta uma sala de estar, com televisão ou sem ela, onde se pudesse estar para além do bar. Não entendi esta lacuna, pois não parecia ser por falta de espaço, mas este parece ser um conceito que está a desaparecer nas novas unidades. A impressão com que fico é de que este novo espírito da arquitéctura,está a alcancar o limiar da perfeição e que, para que haja harmonia, tem que existir um casamento perfeito entre o arquitecto, o designer e o decorador. Quer o conceito seja minimalista ou elegantemente neo-clássico, a fórmula parece estar na mistura de conceitos entre o ocidental e o oriental, entre o clássico e o moderno, entre o calor confortável dos tecidos e padrões de outrora ou os cabedais e as texturas mais modernas. As riscas misturam-se com as cores, sem que para isso tenha que haver conjugação de géneros. Tudo fica perfeito quando pensado para um determinado local. Encontrei no lobby do hotel, candeeiros como não conhecia em nenhum outro local. Imaginem suportes de pé alto com abajours prateados e dentro destes, candeeiros reflectindo rostos de bebés. Uma verdadeira obra artística, de grande bom gosto. Uma outra zona de nobre elegância, são os elevadores panorâmicos que percorrem todos os pisos do resort dando uma arrasadora panorâmica dos jardins.

Tuesday, February 5, 2008

Requinte e luxo à italiana, aqui tão perto… em Cascais (Grande Real Villa Itália Hotel & Spa)

E o prometido é devido! Cumpriu-se, no último Dezembro, mais um aniversário da minha querida mulher. Como este ano não foi oportuno a saída surpresa na própria data, decidimos adiar, e no último fim de semana de Janeiro, lá fomos nós rumo ao desconhecido. Desconhecido, o hotel, apenas por dentro, pois por fora já nos era muito familiar, conheciamo-lo desde que era ruinas da mansão do Rei Humberto II, também conhedico por “Rei de Maio”, assim chamado por ter reinado apenas naquele mês. Após a instauração da Republica em Itália, em Junho de 1946, o Rei e a sua familia exilam-se em Portugal, onde viveu 36 anos. Portugal era um país neutral durante a II Guerra Mundial e, pelo facto, foi escolhido por muitos exilados devido à sua situação de paz e à sua localização estratégica. O local mais procurado era a Costa do Estoril, também conhecida como a Riviera Portuguesa. Humberto II, sobrinho da Rainha Maria Pia de Saboia, Rainha D. Maria Pia de Portugal, chegou a Portugal em 1946. Ficou primeiro numa casa da Marquesa Olga do Cadaval em Colares para depois viver na casa do Conde de Montreal em Cascais. Depois conheceu a familia Pinto Basto que desponibilizou a sua residência de Cascais- actual Villa D’este- para que o Rei e a sua família se instalassem. Mais tarde e financiada por um grupo de monárquicos, veio a surgir neste terreno a “Villa Italia”, residência definitiva do Rei Humberto II e onde hoje está instalado o hotel Grande Real Villa Itália. As obras de reconstrução foram acompanhadas por nós em cada fim de semana que passeávamos por aqueles lados. A cada semana os restauros faziam antevêr que dali iria saír um edifício de grande riqueza e educação arquitectónica; claro que na altura era impossível prevêr os recantos e os detalhes do seu interior. Para isso, era necessário entrar, pisar, sentir, tocar. Foi este o presente que nos oferecemos pelo 42º aniversário da minha Maria. O quarto era decorado com materiais simples mas de bom gosto. As paredes, pintada de azul -cinzento, traziam à lembrança o mar que se espelhava na frente da janela. Por aqui e por ali encontravam-se espelhos (do tecto ao chão) simples, sem molduras, dando projecção e continuidade ao espaço do quarto já de si muito generoso. Alcatifa no chão, imaculadamente limpa e mobiliário branco tamponado por mármores de tons castanhos e dourados. Cortinas electrícas e luz de presença, bem como luzes indicadoras de disponibilidade de quarto, no exterior deste (qual semáforo luminoso que substitui os indicadores em papel que tradicionalmente penduramos no puxador exterior da porta para que não nos incomodem ou, por outro lado, dando a indicação de que o quarto se encontra livre para arrumação), completavam as novidades deste belíssimo local de alojamento. Almofadas fantástica! Voltaram os cetins nas bandas da cama e a enquadrar superiomente as cortinas. O mini-bar merece aqui um tratamento especial pois o seu conteúdo era exclusiva e totalmente gourmet. É o primeiro hotel onde encontro tal novidade. Para quem se quizer deliciar pode dar-se ao prazer de saborear pinhões com chocolate e limão (Zotter Balleros), chocolate de maracujá ou com sabor a vinho da madeira, bolachas de cerveja (loja Haro &Santos, na Rua da Industria Muscifal-Sintra), entre outros produtos, nomeadamente licores feito em Portugal (de figo, de bolota, de canela). O quatro de banho foi desenhado e pensado para 3 áreas distintas: cabine de duche, zona de banheira e lavatórios e sanita e bidé separados por uma porta de vidro fosco até meia altura. Tudo forrado com mármore lindíssimo em tons de castanho-dourado. O lobby do hotel é esmagador. Aqui sentimo-nos todos um pouco monarcas. O mobiliário tem um design clássico e nos tecidos predominam as cores escuras e douradas num misto inteligentemente pensado para dar conforto e classe. Por cada canto encontram-se quadros em pastel emoldurados em “talha dourada”, alguns ladeados por colunas marmoradas.
O SPA (salute per aqua) faz lembrar uma gruta egipcia. Para entrar, descem-se umas escadas suavemente declinadas e ladeadas por reachos de água que produzem som ao descerem cada degrau. Soberba a experiência. Lá em baixo e depois de nos trocarmos em balneários luxuosos, encontramos uma piscina de talassoterapia harmoniosamente desenhada com um espelho de água que reflecte a cor dourada dos seus ladrilhos. Depois de encher a alma com estes pequenos quadros idealizados e projectados pelo homem, aguardamos pelos nossos terapêutas num sofá em forma de meia lua onde até nos podemos deitar. Aí, sentimos ainda mais o conforto dos fabulosos roupões que nos envolvem, bebemos uma limonada e, finalmente, entregamo-nos aos prazeres divinos dos tratamentos. Entre circuitos de Talasso, Duche Vichy ou massagem localizada ou Craneo-facial, é só escolher, relaxar, entregarmo-nos e sentir os momentos de beleza que a vida nos oferece.
Dormir neste hotel, é sentir o toque suave e leve do edredon, o cheiro e o conforto das almofadas, é deixar o corpo adaptar-se a maciêz do colchão onde está devidamente entreposto um sobre-colchão. Acordar aqui é sentir que o mundo lá fora parou por umas horas. Aliás, durante a estadia dentro do hotel conseguimos mesmo esquecer a rotina, a casa, o emprego, as chatices, tudo. O pequeno almoço é muito requintado. O salão é grandioso e o mobiliário de cores claras contrasta com as cores pretas dos moveis de apoio e os castanhos de algumas zonas dos tectos e com o espelhos estrategicamente colocados em cada uma das paredes laterais da sala dando a falsa ilusão que ela triplica de tamanho. Em termos de iguarias passo a destacar o shot de arroz doce (sim, de arroz doce) e o shot de doce de abóbora com requeijão. Para brindar a mais este pequeno momento delicioso das nossas vidas, 2 fluttes de Petalo: Al Vino del Amore, um moscato engarrafado na Adega Algarvia em Almancil, de sabor adocicado e com um suave fundo de boca. E viva el amore.






Sunday, November 18, 2007

7, Figo, Alba Resort


A expectativa era muita quando decidimos finalmente conhecerer o Resort mandado edificar pelo Internacional do Futebol Luis Figo. A decisão estava tomada à muito tempo, mas as exobitantes tarifas praticadas deixaram arrastar a estadia naquele edílico local. Certo dia, sem certezas ou determinações, entrei no Booking.com e fiquei fascinado com a tarifa oferecida por este sistema de venda online e não exitei, mandei mail à Maria e avançámos com a reserva no Suite Alba Resort. Rumámos ao Algarve no feriado de 01 de Novembro. Depois de almoçarmos com o meu irmão, cunhada e sobrinhas, num restaurante de aspecto simples, mas de cozinha requintada, em frente a Grande Real Santa Eulália Resort & Hotel and SPA, lá fomos nós à descoberta da praia de Albandeira. Preciso partilhar com os visitantes do blog a ementa que nos esperava naquele restaurante de esplanada vermelha cheia de cadeiras de plástico de uma qualquer marca de cerveja nacional. Comemos um arroz de míscaros (cogumelos) acompanhado de uma corvina grelhada que estavam divinalmente confeccionados. Foi uma experiência e uma revolução emocional para os sentidos. Tanto assim foi que não tivemos coragem para deixar ficar o arroz que sobrou e com a maior das honestidades pedimos ao dono do restaurante um recipiente para levar o resto. Com as orientações do meu irmão que já é algarvio, facilmente encontrámos o caminho para o paraíso, pois na Estrada Nacional 125, logo a seguir à Escola Internacional, lá invertemos a marcha para seguir as placas que referiam entre outras, a praia de Benagil. Só mais à frente é que somos informados da orientação para o Alba Resort. O caminho é rural e vai deixando para trás pequenas moradias isoladas até se entrar num caminho onde só passa um carro de cada vez. É um caminho difícil, pois se se cruzarem 2 carros, um terá de recuar até encontrar um pequeno resguardado feito para isso, para estacionar enquanto o outro forasteiro avança. É estranho percorrer aquele caminho e questionamo-nos se defacto para lá dele, existe mesmo um resort de 5 estrelas. Estes pensamentos rapidamente são interrompidos com a chegada ao hotel que surge discreto numa ordem natural em que a natureza e a arquitectura se complementam sem agressividade. Depois do check-in, seguimos num buggy (vulgo carro de golf) (pois os carros não têm permissão para circular dentro da aldeia, assim se encontram dispersas as moradias que albergam as suites, fazendo lembrar uma pequena aldeia). até aos nossos aposentos. Esperáva-nos uma Suite com 100 metros quadrados, muito bem mobilada e decorada, estilo neo-classico. O conforto e o requinte rodeiam-nos naqueles metros quadrados de luxo. Depois de conhecida a Suite fomos à descoberta de outros encantos pois o fim da tarde aproximava-se e com ele o frio vindo do mar. O ex-libris do resort é sem dúvida a piscina panorâmica, pois apesar da temperatura não estar convidativa para dar um mergulho, os nosso olhos são conduzidos para aquela linha de água que representa o fim da piscina e o início do imenso oceano. A separá-los encontram-se apenas as duas tonalidades de azul e depois é deixar a imaginação e o pensamento saírem e navegar mar adentro. O Sol já vinha baixo mas ainda fomos visitar a encantadora enseada de poucos metros de areia e emoldurada com rocha recortadas por grutas de formas e dimensões variadas, a praia de Albandeira. O sol poe-se ao longe e deixa um rasto de ouro que pincela a encosta e mostra-nos a sua arte de pintar as rochas e o mar com um sentido tão belo e real que nos conforta a alma e nos faz sentir o verdadeiro sentido da vida. Já era escuro quando fomos estrear a magnífica piscina interior, que, tal como a exterior também se projecta para o horizonte marinho. As instalações são magníficas, desde os balneários ao mobiliário de apoio à piscina. A temperatura da água é agradável e os diversos jactos permitem-nos passar uns momentos de pura diversão enquanto contemplamos o caír da noite e o vento a sacudir os arbustos lá fora.
Dormir naquele paraíso foi um prazer redobrado pois para além do conforto da Suite, o silêncio era verdadeiramente de ouro. O espaço dedicado ao restaurante é todo ele numa tenda que avança agregada a um pequeno edifício onde se encontra a entrada e todos os espaços de apoio. O pequeno-almoço é normal, para não dizer vulgar, pois tratando-se de um resort de 5 estrelas, confesso que esperava mais. Um aspecto extremamente desagradável, que me deixou estupfacto e que não posso deixar de referir, foi a presença de uma grande quantidade e moscas que pairavam sobre todos os ingredientes que compunham a mais nobre das refeições do dia e a pouca preocupação do staff para impedir os vorazes animais ou de comerem os piteus ou simplesmente de deixarem os seus parasitas sobre os deliciosos croissants. Claro que haviam muitos motivos para esquecer este incidente inaceitável num resort com esta classificação, bastava olhar em frente para voltar ao paraíso, pois o sol e a proximidade do mar, não nos deixavam esquecer o quão bela é a natureza e o previlégio que temos de poder estar ali a viver aquela simbiose. E os dias sucederam-se até ao dia da despedida. Após o check-out, outro incidente fez-nos pensar, ou melhor, ter a certeza de que unidades de 5 esrelas que não estejam integradas em cadeias internacionais, ou são geridas com sensibilidade ou deixam má impressão para quem, como eu, aprecia a gentileza e a distinção. Imaginem que pedi ao funcionário apoio para trazer a bagagem de volta para o carro e ele, olhando para o relógio (09H50min) deu a entender que o bagageiro ainda não tinha chegado. Aceitei o argumento dizendo que esperaria pois seria difícil carregar a bagagem sem apoio uma vez que o parque se encontra na entrada do resort e existem limitações de circulação no hotel. Claro que a espera terminou quando decidimos carregar com as malas e agradecer na recepçao o bagageiro que afinal ainda não tinha entrado ao serviço e despedimo-nos do paraíso com a sensação de que a natureza precisa sempre de um gesto humano para ser perfeita.

Sunday, November 11, 2007

A Oeste tudo de Novo (Marriott Golf & Beach Resort Hotel)

Este ano o dia do meu aniversário esteve rodeado de magníficas e surpreendentes surpresas. Isto quando se entra nos 40’as é estranho, mas começa a sensação de que parte da vida já passou e que é preciso aproveitar bem o tempo que falta. No sentido deste espírito, eu e a minha mulher iniciámos à cerca de 1 ano a marcação de deliciosas surpresas mútuas que culminam com a escolha de um restaurante de referência, conhecido ou não, divulgado ou não nas revistas e a estadia num local encantado com todas as estrelas que os nossos aniversários merecem. E assim foi mais este ano. Para degustar uma deliciosa refeição em dia de aniversário, a surpresa estava na saída 12 da auto-estrada A8, seguindo a direcção do Carvalhal. Aí fica o magnífico restaurante Mãe d'agua, edificado num antigo casão. Ainda mantém toda a traça original, com um elevadíssimo pé-alto, paredes em pedra rústica e um ambiente calmo e apetitoso. Experimentámos a deliciosa Lasanha de Cherne e sobre o sabor desta não consigo tecer nenhuma palavra, é mesmo necessário ir lá provar. A vitela à acoreana vem servida em prato de barro com deliciosas baratas fritas em rodelas. Os sabores são verdadeiras experiências gourmet. A seguir a este aventura gastronómica rumámos a Oeste onde nos esperava uma verdadeira tentação, onde todos os sonhos são possívies de realizar. Entrar no Marriot Golf & Beach Resort é uma verdadeira aventura para os sentidos. A boa impressão começa logo no check-in com a recepção por pessoas extremamente competentes e dedicadas a encantar os hóspedes. No que nos diz respeito ficámos de queixo caído quando nos foi anunciado o up-grade para uma suite junior por se tratar de uma data especial. Não imaginam como esta atitude nos enchem de energia e de boas sensações. Depois os mimos continuam com a entrega da chave do carro para ser parqueado por mais um competentíssimo funcionário. Bem, depois inicia-se uma experiência inolvidável que mantém os sentidos despertos e a alma apurada tal é a quantidade de sensações boas e novas. A entrada na suite é triunfal: cama king size, menu de almofadas, mini bar com maquina de café privada, chá, vinho,champagne, roupões e uma paisagem arrebatadora. O olhar da varanda deixa os olhos pincelados de verde e azul, fruto do casamento perfeito entre o green do golf e o azul do imenso oceano atlântico. Nestes momentos de experiências a cores, cria-se um conflito que nos leva a experimentar o reinado de conforto daquele espaço profissionalmente decorado para nos sentirmos monarcas por umas horas, com a certeza de que o painel colorido está ali, para lá dos vidros das janelas, sempre que o quizermos voltar a ver. Seguem-se uns momentos de repouso e um passeio pelos jardins e piscinas do hotel. Tudo está meticulosamente cuidado e projectado com extrema elegância. O dia ajuda, pois o sol de Outono mantém-se fiel mesmo neste local característico onde o microclima quase sempre nos rouba a possibilidade de um dia bonito de sol. O hotel está calmo e convida a perguiçar ao sol, mas o nosso programa de Salute Per Acua obriga-nos a ir vestir os roupões e antes da revigorante massagem, ainda tivemos tempo para umas braçadas na piscina interior e uns momento de imersão no potente Jacuzzi. Depois fomos encaminhados por uma terapêuta para um gabinete de massagem onde as maõs e os óleos (os meus de palma e de lima) me fizeram esquecer o cansaço, o dia e as dores musculares para me concentrar naquelas mãos e no bem que me estavam a fazer. Quando nos preparávamos para jantar fomos surpreendidos com a chegada ao quarto de champagne, bolo de chocolate e morangos, naturalmente mais uma cortesia deste magnífico resort. Estes mimos revigoram as pessoas fazendo-as reflectir sobre a dádiva da vida e a perfeição do mundo. Eu dei Graças a Deus por poder estar a viver todos aqueles momentos, cheios de encanto e glamour com a pessoa que escolhi para estar ao meu lado. Quando regressámos do jantar pudemos apreciar o lobby e os bares do hotel, agora com iluminações pensadas e colocadas com vedadeira arte decorativa. Dormimos nas nuvens pois a cama estava preparada para um conforto fora do comum. Sentimos uma maciêz incrível vinda daquele colchão. Tratava-se de um edredon tipo sobre-colchão que dava um toque elegante e fofo e transmitia a sensação de se estar a dormir suspenso sobre flocos de algodão. O acordar foi tão sereno que não havia vontade de nada fazer. À chegada ao pequeno almoço fomos abençoados com mais encanto e glamour. Foi sem dúvida o melhor pequeno almoço de hotel que já tive o previlégio de degustar. Foi um verdadeiro pequeno almoço gourmet. Depois, e antes de partir, ainda nos pudemos deliciar com uns momentos de leitura em esteiras confortáveis viradas ao sol.

Wednesday, October 17, 2007

De Espanha, bom tempo, bons Resorts e excelente gastronomia (Barceló Punta Umbría Beach Resort ).

É verdade, eu até agora ainda não conseguiu aplicar ao nosso país vizinho a expressão clássica de que: "de Espanha nem bom vento nem bom casamento". Defacto em Espanha só tenho encontrado coisas boas no que diz respeito à política de turismo. O mais recente resort que encontrei da conceituada cadeia Barceló está a escassos 30 km da fronteira algarvia e implantado numa zona de paisagem deslumbrante, onde o respeito pela natureza é irrepreensível. O caminho até lá é sereno e muito tranquilo: seguindo a via rápida para Sevilha, desvia-se em Cartaya e segue-se em direcção a El Rompido (obrigatório conhecer). Logo a seguir surge a localidade de El Portil que segue ao longo da linha de costa, com o seu conhecido Campo de Golf. Mais à frente surge-nos Punta Umbria, onde a cadeia Barceló já tinha uma unidade hoteleira (o Hotel Barcelo Punta Umbria) e agora estão em construção mais 3 resorts de grande envergadura. Um deles já está concluído, trata-se do Barceló Punta Umbria Beach Resort, que se liga por uma estrutura arquitectónica tipo "obra de arte" a um outro a abrir em 2008 e que já tem nome: o Barceló Punta Umbria Dunas. Na sequência desta construção segue-se um centro de convenções que culmina com outra unidade hoteleira que a cadeia Barceló chama de Barceló Punta Umbria Mar. É impressionante a dimensão da obra. Todas as unidades estão ligadas por estruturas aéreas como se de varandas de vidro se tratassem. Mas, caracterizando um pouco a região. Punta Umbria tem 13 km de praias de águas calmas e pouco profundas, emolduradas à retaguarda por uma mata de pinheiros mansos de beleza fascinante. Dos hoteis até à praia existem passadeiras de madeira sobre-elevadas em relação às dunas permitindo apreciar as diversas espécies vegetais que por ali proliferam e crescem em harmonia sem correrem o risco de serem esmagadas pels nossos pés. Para além disso consegue-se chegar à praia sem a ardua sensação de areia nos sapatos. Por toda a mata existem trilhos e carreiros para se passear, fazer jogging ou andar de bicicleta e, naturalmente, caixotes do lixo e sinaléctica com todas as advertências e recomendações em relação à natureza. Em relação ao hotel, fomos encontrar um resort com arquitectura tipicamente andalusa, com pateos internos e varandins, pintado com cores terra e fogo e um verdadeiro sentido tropical a começar pelo desenho da sua gigantesca piscina. O espaço exterior é enorme, muito bem tratado e convidativo ao ócio e ao lazer. As crianças encontram um espaço próprio com escorregas e baloiços, com piso sintético, insufláveis e 2 piscinas próprias para eles. Os quartos são generosos, decorados com muito gosto, mostrando um verdadeiro ar de modernidade (Ex: cabeceiras de cama com luz integrada, estrados e colchões muito confortáveis, camas com 2 metros, televisores LCD de parede, WC com zona de banho e sanitas separadas por portas de correr, etc). O lobby do hotel, os bares e o restaurante, estão decorados com muito bom gosto em tons de preto e castanho, com papel de parede e mobiliário com muito contraste de cores, padrões e tecidos, mas que funcionam na perfeição dando uma beleza e transmitindo um conforto que convida a estar simplesmente por ali sentado a apreciar a arte de decorar e a sentir a verdadeira sensação do dolce fare niente. O restaurante buffet era fabuloso, com piteus deliciosos e quase infinitos. Recordo-me de um shot de melão que bebemos logo na primeira noite e que tive dificuldade em perceber qual o paladar dominante, cheguei a pensar tratar-se de um fruto com aniz. Os legumes grelhados deixaram-nos absolutamente entregues aos mais sublimes sabores. Para terem uma ideia havia uma parte do buffet só dedicado a azeites e vinagres aromáticos, com uma expressão considerável e com os quais qualquer cliente podia temperar e fazer experiências a seu belo gosto. Voltando ao espaço exterior, apesar de generoso e bem cuidado estava carente de cor verde, refiro-me aos espaços ajardinados. Não foi uma aposta dos arquitectos. Havia muitas zonas com tejoleira e pouca expressão de jardim. Esta é por ventura a única crítica que consigo atribuir a este magnífico resort. Recomendo-vos uma visita, pois vale muito a pena. Para além de tudo o que aqui deixei, a relação qualidade/preço rapidamente torna este hotel com uma opção de primeira escolha.

Friday, June 22, 2007

Caraíbas ao Sul da Península Ibérica (Puerto Antilla Grand Hotel)

E esta é a verdade tropical que tenho para partilhar convosco. Logo ali na saída da fronteira, mais precisamente à distância de 18km (via rápida de Sevilla-saíde Lepe-direcção Islantilha), encontrei um verdadeiro luxo tropical. Trata-se do Puerto Antilla Grand Hotel (4 estrelas), que para além de um icone notável do turismo da região, representa a atmosféra e a magia dos trópicos que só consegui encontrar em Punta Cana nas Caraíbas, sendo necessário aferir o aspecto da temperatura das águas marinhas para que o cenário fique perfeito. O hotel transborda de beleza, quer pelos traços da sua arquitectura , em linhas perfeitamente andaluzas, quer pela cor (tijolo) e disposição espacial. Os jardins foram criteriosamente desenhados para oferecerem conforto e tranquilidade. Como o resort está na primeira linha de praia, mesmo nas piscinas se consegue sentir e cheirar o ar do mar. É um local ideial para passar uns dias muito agradáveis em família, reune o facto de estar próximo das terras lusas, ser económico (mais que o nosso Algarve) ter uma infinidade de actividades para míudos e graúdos, mas também locais de lazer deslumbrantes onde se pode simplesmente estar a ler ou a contemplar a arquitectura e rara beleza interior do edifício, qual jardim interior cuidado ao mais infímo pormenor. As noites tanto podem ser de glamour como ter uma conotação mais popular, embora se possam apreciar os vários ambientes em função do local do hotel onde se queira estar. A música de piano é uma constante e defacto, o cenário completa-se com o jogo de luzes e confortáveis locais de descanso. Os jardins exteriores são ricos em piscinas , espaços verdes e de lazer. Estão imaculadamente tratados. As opções gastrónómicas são variadas, podendo optar-se por refeições "à lá carte" ou o regime de buffet (recomendado para quem vais com crianças). As múltiplas opções ao dispôr são todas cuidadosamente confeccionadas. Recomendo os grelhados de carne e os vários menús ousados que fazem dos legumes as melhores iguarias. O serviço é muito bom chegando mesmo, em muitos aspectos, aos serviços disponibilizados num 5 estrelas. O staff é competente e extraordinariamente simpático. É uma experiência a não perder.

Wednesday, June 20, 2007

Barcelona, elegante, popular e sofisticada

O que dizer sobre Barcelona ou como iniciar este post. Bem, Barcelona é uma cidade, como diz o título, elegante, que vive de braços abertos para o mar. Consegue surpreender pela sua imaculada arquitectura e claro, respira arte e cultura por todas as esquinas. Não me impressionei com a Sagrada família e confesso que nem sequer entrei no monumento, pois ele não convida a entrar. Tem gruas e andaimes a cobrir grande parte da sua eterna reconstrução, não tanto na frente mas nas suas torres laterais. Mas, Barcelona não é só Sagrada Família. Barcelona é arte, cultura, gastronomia e excentricidade. Imaginem o que vimos em pleno Passeig de Gracia (uma das artérias mais chiques da cidade) um novo conceito de naturismo designado de nudismo urbano. É verdade, nus integrais a passearem-se em pleno dia pela cidade. O Passeig de Gracia é uma avenida enquadrada por edifícios de arquitectura que me faz lembrar a época renascentista e é nesta avenida que se podem observar as famosas casas arquitectadas pelo Gaudi, nomeadamente a Casa Batló e La Pedrera. A última projectada com formas onduladas. Que terá o Gaudi pensado quando projectou este edifício? Seria trazer o mar para o centro da cidade? É que todo o edifício faz lembrar as ondas do mar. A avenida termina na central e palpitante Plaza Catalunya que é o centro nevralgico da cidade. Funciona como se fosse um grande ponto de encontro, pois é de lá que se desce para as famosas Ramblas, partem os autocarros turísticos, chegam todas as linhas de metro (...). A palavra Rambla deriva do árabe ramla, que significa «leito de rio»; de facto, o que são agora as ruas foi outrora o leito de um rio. Caracterizar as Ramblas é difícil, pois cada pessoa sente o ambiente à sua maneira. Mas é sem dúvida a antítese do ambiente artistico-cultural da cidade. É uma artéria imensa (1.2Km), como a maioria das avenidas da cidade que preservam e respeitam os peões criando espaços centrais pedonais com árvores e jardins. Nas Ramblas vive-se o expoente máximo da arte popular. É um local onde toda a gente vai e onde podemos encontrar as mais diversas manifestações de estados de espirítos ou de formas de sobrevivência. Ainda não percebi porque é que as pessoas se vestem de árvores ou se maquilham à pirata ou imitam animais ou se transformam em árvores de fruto. É sem dúvida um estado de alma. Mas é imperdível descer as Ramblas (que vão tendo toponímicas diferentes em função dos bairros que atravessam) e principalmente saír delas e derivar e deixar-se perder pelas as ruas laterais onde se encontram praças lindíssimas e bairros de sonho. Aqui à a destacar o Bairro Gótico (do lado direito das Ramblas quando estamos virados para a Plaza Catalunya). É o bairro onde viveu Picasso (1895-1904) e onde nasceu Juan Miró e onde viveu parte da sua juventude. Caracteriza-se por edifício altos e antigos e ruas estreitas. A gigante Catedral Gótica de Barcelona é um ponto importante de interesse dentro do bairro gótico e à volta dela podem-se apreciar alguns bons exemplos de arquitectura gótica e muros romanos. No final das Ramblas encontramos o Monumento Colón, dedidado ao grande explorador Cristovão Colombo e logo a seguir, o mar. É nesta zona que se podem contratar passeios de barco pela linha da costa (quem comprar o Barcelona Card, tem um passeio de 1,5 horas já incluido no preço e comprando pela internet poupa-se uns trocos que dá para mais um dia de viagens) ou tours de Helicóptero e é onde se pode subir ao teleférico que nos transporta para uma zona elevada, o planalto/parque de Montjuic. Recomendo este passeio pois conseguem-se ângulos aéreos da cidade, que de outra forma só o helicóptero permite alcançar mas a custos muitos elevados (o preço de teleférico é de 9 euros por pessoa, sem desconto com o Barcelona Card e sem direito à simpatia do vendedor dos bilhetes (na bilheteira do lado da montanha) que é um mal disposto permanente, mas felizmente o único que vi em Barcelona, pois em todos os outros locais da cidade por onde andei as pessoas têm um ar feliz, muito simpático e educado). A orla marítima está muito bem preservada e percebe-se que foi alvo de intervenções de remodelação pois todos os espaços e mobiliários urbanos estão bem conservados. Ouve uma autêntica conquista ao mar em alguns locais onde pontes e decos de madeira se estendem mar adentro criando uma espécie de prolongamento da cidade suspensa sobre a água. Logo a seguir ao monumento Colón, já dento de água encontra-se um edifício que faz lembrar um estádio de futebol que compreende o Fórum e um luxuoso Hotel da Cadeia Eurostar (Grande Hotel) que tem vistas magníficas sobre o porto marítimo. Mais para a esquerda, entre as praias de Icaria e Barceloneta encontra-se o magnífico Porto Olímpico, onde para além dos veleiros de luxo em quantidades apreciáveis se podem encontrar numeroso bares e restaurantes para todos e gostos e bolsas. A praia de Barceloneta é bonita e organizada. Tem pistas para jogging, ginásio na areia, plateia com vista virada ao mar, duches e postos de socorros restaurantes e bares. É uma zona calma e bonita. Voltando agora de novo para a arte e cultura catalã, há a destacar o Parque Guell (Gaudi). Vale a pena visitar. É o Ex-libris da cidade. É um parque gigastesco, numa zona elevada da cidade onde se assiste à verdadeira dimensão artistica e sensibilidade do Sr. Gaudi. E, para quem não sabe, O Gaudi foi porventura o pai da reciclagem pois extraía das fábricas de cerámica os desperdícios (digo pedaços de azulejos) e foi com eles que cobriu grande parte das suas esculturas, muros, varandins. É este tipo de arte que se pode apreciar no parque Gaudi. Nos dias de calor é muito quente mas tem refúgios sombrios onde se pode descansar e ouvir por entre as árvores os sons clássicos dos violinos que quase sempre se encontram no parque, instrumentados por mãos tão vocacionadas, que, se fecharmos os olhos, com o mais leve dos pensametos nos imaginamos na mais melódica das capitais europeias (Viena). Apontando agora a descrição para os aspecto gastronómicos, defacto so catalães primam pelo bom gosto no que diz respeito à gastronomia. Pudemos saborear deliciosos grelhados de vaca (assado de tira) que recomendo, assim como mistas de legumes grelhados que são deliciosos. Se estes menus forem degustados nas elegantes churrasqueiras espalhadas pelas artérias mais emblemáticas, então o prazer é total. Mais perto do mar podem apreciar-se pratos de marisco, recomendo mexilhões à la mariñera e Navallas grelhadas que vêm temperadas com ervas aromáticas e limão. E tudo isto, hoje em dia, à distância de 1H30min de avião a preços avulso nas companhias de Low Coast. Viajámos na Vueling que nos deixou boquiabertos com a competência e organização. Barcelona vale a pena.

Sunday, January 14, 2007

Concerto de Ano Novo-Strauss, Viena, Lisboa,Coliseu

Existem por aí canções populares, daquelas que com três estrofes se faz uma melodia inteira e que, com tamanha simplicidade, todos a sabem cantar, porque é fácil de decorar. Todas elas dizem Ano Novo Vida Nova. E é bem verdade, com a passagem de ano, algo em nós se renova, apesar de estarmos a envelhecer. Estranho não é? Acreditamos nestes breves momento de passagem de ano, que estes momentos hão-de ter um significdo especial, não só para nós mas também para o mundo, o planeta. Acredita-se na renovação, num mundo melhor. A música e a beleza que ela nos transmite, faz-nos sentir e acreditar na paz e na beleza do mundo. Aqui a música clássica é soberana no despertar dos sentidos. Nada como começar o Ano Novo a ouvir um concerto de Ano Novo. E foi o que fizemos eu e a Micá. Como ainda não fomos a Viena, decidimos, após escolhida a indumentária, rumar ao Coliseu e assistir aí ao Concerto Strauss. Fabuloso, arrebatador e envolvente. A soprano, o ballet e até o maestro dançaram. Sabem do que não gostei? Da sala. O coliseu não tem status para receber aquele tipo de músicos. Não tem sonoridade, não brilha, não tem acústica. E também não gostei nada da forma como a maioria das pessoas se apresentaram para aquele evento. Eu ia cheio de expectativa, talvez o pecado tivesses começado por aí. Não vi gente bonita, muito menos bem vestida. Então todos os meus companheiros de sala lá levaram as suas roupas de todos os dias. Não se assiste a um concerto assim. Acho que os preparativos deverão iniciar-se logo em casa, na escolha da roupa. Essa preocupação transforma-nos, pelo menos é assim que eu openso e foi assim que aconteceu comigo.

Thursday, January 11, 2007

El Ultimo Tango em Lisboa

Se pensam que neste texto vos vou deixar algumas informações sobre a minha perícia em dançar, enganam-se. Embora seja um fã incondicional das músicas latinas e das expressões corporais a que elas obrigam e provocam, o Tango aqui é outro. É o Tango dos maxilares e das papilas gustativas. Fica no bairro alto e cheira a América Latina. É um restaurante muitíssimo agradável, pequeno, com luz amarela difusa, com 2 arcos e uma cozinha à vista. A carne merece ser saboreada. É grelhada à nossa frente, é suculenta e tenta-nos para continuarmos a adulterar a linha. O «asado de tira» (entrecosto de novilho) e «bife de cuadril» (alcatra) são declicioso. A não perder a cerveja Argentina. Todos os pratos de carne são apresentados em tábua de madeira, ladeados por batata assada em papel de prata com leve recheio de manteiga, alho e salsa, e por um molhinho de agriões; à parte, o castiço molho «chimichurri». As sobremesas não são muitas, mas são seleccionadas. A pêra bêbeda é servida com gelado de limão e o contacto deste, com o vinho onde a pêra se embebedou provoca-nos na boca o mais sublime dos prazeres gustativos. Claro que para quem não quer perder pitada da cozinha Argentina, é obrigatório provar o "dulce de leche". É uma espécie de pasta com sabor aveludado a caramelo. Nas paredes encontram-se os mais diversos objectos decorativos alusivos à cultura Argentina e, do ambiente, sai o som do Tango que nos provoca e, não fosse a concentração para apreciar todo aquele mundo de sabores, o nosso corpo de certeza que estaria no ambiente próprio para balançar ao ritmo d'el tango.

Lisboa Natal "by Night"

E cumprindo mais uma quadra do Natal Cristão, Lisboa encheu-se de luz e cor. Motivo de alegria para quem gosta desta cidade, mesmo quando ela é despida deste manto iluminado. Para mim, Lisboa brilha sempre, o ano inteiro! O Tejo, as colinas e o Sol dão-lhe a vida, a luz e a alma que os nossos convidados estrangeiros tanto apreciam e, naturalmente, nós também. Lisboa à noite, todos os Natais, se veste com motivos luminosos alusivos à época. O ex-libris desta festa de luz é naturalmente a gigantesca árvore de Natal da Praça do Comércio. Que sentimos quando descemos as ruas e avenidas e caminhamos por debaixo de um tecto de luz? Que significado tem para cada um de nós participar e viver ao passar e sentir que a luz nos olha de cima e nos ilumina e nos faz sentir o centro das atenções. Lembra-nos que estamos vivos e quão é bom estar ali a observar e a absorver aquela aura. Mudará no momento a nossa condição? Aquele brilho ilumina-nos a alma? Faz-nos mudar a perpectiva de olhar o mundo? Ou transmite-nos apenas momentos isolados de fantasia? Acho que nos falta a todos a humildade e a sabedoria para vivermos e participarmos verdadeiramente no espírito do Natal. Digo-vos isto porque continuamos todos a passar indiferentes, depois de nos passearmos nos "corredores" da luz, ao lado dos que sofrem e que nada têm. Muitas vezes toda esta luz até incomoda os sem abrigo que tentam tapar-se para encontrarem o sono à muito perdido. Então que bem é que as luzes nos fazem? Não trará toda aquela luminosidade benifício algum? Quando os motivos luminosos são concebidos em forma de laços, sinos, bolas, renas ou árvores de Natal, não serão desenhados com a intenção de provocar intensionalmente alguma mudança do espírito de cada um? E essa mudança que se quer provocar é uma alteração de conduta, de comportamento ou de valores? Vêem-se melhores acções nesta época? Não teremos dúvidas que sim. Será para nos desculpar-mos e mostrarmos ao mundo que conseguimos uma vez por ano sermos melhores? Acho que somos capazes de fazer melhor mesmo sem luz, porque a luz de que necessitamos para ajudar não está suspensa por cima das nossas cabeças, mas sim bem dentro de cada um.

Friday, December 29, 2006

Despedida do paraíso (Convento do Espinheiro)

Chegado o momento de partir, ainda houve lugar para uma visita guiada gentilmente conduzida pelo colaborador Luis, que fez as honras do Convento. Mostrou-nos quartos, terraços e suites, salas, a capela, a biblioteca e a adega. Transmitiu a sua opinião e os seus saberes. Ouve momentos de forte emoção. A Capela é absolutamente arrebatadora e foi cuidadosamente recuperada. É um autêntico lugar de culto. A adega é um lugar de autêntica simbiose onde me senti um grande mestre de Enologia (devo referir que ando muitíssimo interessado nesta temática e tenho frequentado algumas formações específicas nesta área através da belíssima organização do António Marques da Cruz do Sitiodovinho.com). É um espaço aproveitado de uma antiga cisterna onde a frescura e quase total ausência de luminusidade, são naturais daquele lugar onde outrora "viveram" toneladas de litros de água que "alimentava" o Convento. Aqui fazem-se, naturalmente, provas de vinhos e degustações de iguaria dos Deuses. É um lugar de paragem obrigatória para os apreciadores e degustadores destas artes Enólogas.

Sunday, December 24, 2006

Relax numa tarde de Inverno (Convento do Espinheiro)

Dizem que quandos queremos relaxar, não devemos pensar em nada. E, no entanto, o pensamento vazio, a ausência de qualquer imagem, torna-se uma meta por vezes difícil de alcançar. É uma luta em que quase sempre vence a imagem e o pensamento sobre o vazio. Mas, questiono-me! Não será isso uma função meramente orgânica? Como nos conseguimos desligar do mundo mesmo quando submetidos ao mais relaxante dos prazeres corporais. Não temos que sentir, cheirar, pensar na tensão acumulada em locais pontuais do corpo? Desligamos muitas sensações. Esquecemos os momentos de stress, a ansiedade, os pensamentos complexos e deixamos-nos envolver pelos aromas e pelos sons que quase nos anestesiam. Esta é a proposta irrecusável do Diana SPA do Convento do Espinheiro. Depois de uns bons mergulhos na fantástica piscina interior ladeada de paredes em ardósia, despedimo-nos do sol frio do Inverno alentejano e rumámos à terapia do relaxamento e do bem estar. A Maria, após escolhidos os aromas, optou por uma Aromoterapia e eu, qual discípulo de Baco, fui literalmente mergulhar numa banheira para uma Vinoterapia que me deixou leve e perfumado. Esperava-nos a sala de relax onde, ao sabor de um chá a gosto e de uma música que nos reduzia as sinapses, redescobrimos forças para o esperado jantar no já conhecido restaurante Aqueduto, desta vez com nova gerência. Todo este percurso foi naturalmente acompanhado pela elegância, simpatía e profissionalismo de uma colaboradora com um nome próprio invulgar e que eu naturalmente não me consigo recordar.

Luxo ao Sul (Convento do Espinheiro)

Não é a primeira vez que nos acomodamos num hotel cinco estrelas. Habituámo-nos não só ao luxo mas à arte de sermos bem recebidos. Mas neste hotel da cadeia Starwood Luxury Coleccion o luxo e o requinte estão impressos em cada gesto. Aqui fomos recebidos com um delicioso "bem vindos ao nosso Hotel" proferido pelo colaborador Dário e, a marcar o fundo de boca (expressão muito utilizada em Enologia) degustámos um espirituoso licôr de poejo, gentilmente servido pelo Luis. Após as formalidades da recepção, onde cada linha de papel é assinada com um imenso prazer, a impulsividade natural de uma curiosidade imensa que nos consome quer nos fazer andar pelos espaços e descobrir cada recanto daquele lugar mágico. Fomos mimados com um upgrade no quarto uma vez que a ocupação era reduzida. E foram capazes de nos surpreender! O quarto era espaçoso e requintadaemnte decorado com uma mistura clássica sóbria no que diz respeito ao mobiliário e depois cuidadosamente aconchegado com tecidos de grande qualidade e cores modernas. No WC fomos mais uma vez surpreendidos pelo requinte e o luxo e com uma sanita com funções automáticas (de lavar e secar) que nos fez rir imenso e uma grande tentação de experimentar. Do terraço do magnífico alojamento avista-se Évora imponente a pouca distância envolta numa discreta nebelina que só so dias de Inverno conseguem produzir. Estava na hora de vestir os roupões e disfrutar dos mimos e carinhos daquele delicioso espaço.

Saturday, December 23, 2006

Rumo ao desconhecido (Convento do Espinheiro)

Chegou o dia 22 de Dezembro e cumpriu-se mais um aniversário da Maria. Desta vez a surpresa foi a nota dominante de todo o envolvimento deste dia que foi memorável. Desde a prenda de aniversário que tradicionalmente se oferece logo pela manhã, faria parte deste dia uma agradável surpresa que decidi preparar. Não foi difícil escolher e claro, resolvi arrasar e escolher um local de sonho que preenchesse por completo os nossos espíritos sequiosos de prazer. O local escolhido foi o Convento do Espinheiro em Évora. Claro que não lhe revelei absolutamente nada e travei comigo mesmo uma luta diária para me conter com tanta vontade que tinha de revelar. À medida que nos íamos dirigindo para sul ela iniciou de imediato (qual autêntico GPS) uma tentativa de adivinhar o destino e depois, o local. Évora não foi difícil de esconder. O local, segundo ela, teria que ser um sítio onde nunca tivessesmos estado, portanto o Convento começou a fazer sentido na sua cabeça. Só revelei à hora do almoço, já em Évora. Ficou louca de alegria. É difícil transmitir por palavras aquilo que se sente quando se está a degustar um manjar dos Deuses, onde cada iguaria tem um sabor tão sublime que achamos que só umas mãos guidas por uma entidade Divina poderiam misturar os ingrediente e produzir aquele resultado final.

Monday, December 18, 2006

Viagem ao Porto

Este ano cumprimos mais uma vez a tradição de ir ver como é o Natal na cidade invicta. Quando não tinhamos o nosso André quase nunca falhavamos estes dias a Norte do país. Com a chegada dele outra prioridades se impõem, mas, mesmo assim, temos conseguido ir quase todos os anos. O Porto é mágico, é acolhedor, caloroso, afável, simpático. Não há imagem igual à de Sta. Catarina a fervilhar de vida , o cheiro das castanhas, das rabanadase todo o calor humanos daquelas gentes nortenhas. O Natal no Porto é defirente. Não vos sei explicar, talvez seja porque a baixa do Porto é grande mas concentrada. Na mesma zona estão as melhores pastelarias, o Via Catarina Shopping, o Mercado do Bulhão e todas as lojas de tudo e com todos os produtos ao alcance de apenas alguns paços. O Porto é luz, é cor, irradia de felicidade. Aquelas gentes têm alma, são bairristas, gostam da sua cidade mas também recebem calorosamente quem os visita. Sorriem quando entramos numa loja. Nunca saí de uma loja com o arrependimento de lá ter entrado. Quando vamos ao Porto cumprimos sempre certos rituais a que já nos habituámos e que não dispensamos: é o jantar nas belas marisqueiras de Matosinhos (nomeadamente a marisqueira dos pobre a preços muito acessíveis e não se deixem enganar pelo nome) e a tradicional refeição na ribeira, cartão de visita e ex-libris da cidade. Passear pela marginal ribeirinha até ao Castelo do Queijo em pleno inverno é terapêutico para a alma e uma benção para o espírito. Vão lá ver e aproveitem bem.

Friday, December 15, 2006

Encontro e jantar de amigos em Leiria

Como este blog tem como objectivo fundamental a partilha de experências sobre viagens e mundos, aqui fica a partilha convosco do nosso pequeno mundo constituído por alguns elementos da Licenciatura em Geologia (1985/89 da vetusta Universidade de Coimbra) que desde 1989 se encontram sobre o desígnio do carinho e da amizade. Desta vez fomos Jantar a Leiria (no passado dia 25 de Novembro) onde o nosso querido colega e amigo Fernando João, sua mulher e filho, nos receberam carinhosamente. Depois dos caloroso abraços da chegada fomos ver a nascente do rio Lis, na sua plena força. Seguiu-se a observação de um espectáculo de Marionetas (decorria na cidade um Festival Internacional sobre a temática). Miúdos e graúdos adoraram! O jantar foi no restaurante A Grelha (comi uns secretos de porco preto que estavam divinais).
Estes encontros simbolizam (para mim) o verdadeiro significado da história de uma vida pois quis o destino que um grupo de pessoas oriundas das mais diversas regiões do país , se encontrassem no ano primeiro de uma faculdade e seguissem juntos um caminho que os levaria à sua formação académica (com excepção de mim próprio que resolvi mudar de área de formação) e posteriormente, para alguns, a escolha no próprio grupo dos seus pares para a partilha da vida conjugal. Agora, alguns anos passados, é gratificante ver e rever a chegada e a evolução dos filhotes e sentir o verdadeiro sentimento da amizade. Que estes encontros nunca acabem. (Nascente do rio Liz, na imagem ao lado)

Monday, November 27, 2006

Viagem a Munich (Octoberfest/festa da cerveja)

Pois é, e para comemorar a data do nosso aniversário de casamento, lá fomos nós até Munich, beber umas canecas à Octoberfest (festa da cerveja na linguagem de Camões). Podem pensar que não foi um programa romântico, mas quando nos sentimos bem com quem escolhemos para passar a vida, toda e qualquer viajem ou ambiente todo e qualquer dia ou data, sabe bem em qualquer parte do mundo.
A festa é gira, mas digo-vos que não foi de encher as medidas, pois trata-se de um recinto gigantesco, com muito alegria e animação e também o maior local onde vimos a maior quantidade de bêbados por metro quadrado, bem como toneladas de vómitado.
Não deixa de ser engraçado, mas a viagem valeu pela cidade de Munich, que é fantástica bem como por todos os pitéus que provámos com os genuinos sabores da Baviera (aquela tarte de queijo é únca no mundo). Claro que só fomos uma noite jantar ao recinto da festa, pois as outras noites deleitá-mo-nos com a aventura de ir descobrir as belas cervejarias da Baviera com os seus belíssimos menús.
Os alemães são organizados e civilizados (pelo menos no que toca às regras sociais). A cidade é bonita, é servida por uma linha de metro muito eficiente (o U-bahn e o S-bahn, para viagens periféricas e mais centrais, respectivamente). Em 2 dias é difícil vêr tudo, mas com planos de passeios bem organizados e uma boa preparação física, consegue-se uma boa perpectiva da cidade. Vale a pena vêr a cidade olímpica (onde se respira tranquilidade e organização). O Oceanário tem uma publicidade apelativa, que deixa o turista cheio de vontade de visitá-lo, mas digo-vos que não vale a pena. Se puderem desloquem-se aos arredores para contemplar alguns dos mais belos castelos da Baviera.
0 Inglich Garten (Jardim do Inglês) é outro espaço verde que vale a pena visitar ou mesmo passar uma tarde. É o maior parque verde da Europa. Tem restaurantes, lagos (com patos e cisnes), trilhos para bicicletas, pistas para correr e até se fica de corpinho ao leu quando o tempo o permite.
Munich deixa-nos logo encantados pelo explendor do seu aeroporto (a cerca de 30 Km da cidade, mas com metro com linha directa até ao centro da cidade). Logo no aoeroporto compra-se o Munchen Welcome Card, que custa cerca de 70 euros mas que vale a pena, pois permite circular em todos os transportes da cidade durante 3 dias e é para 2 pessoas.
Quer o aoeroporto, quer em muitas das estações de metro por onde andei, estão munidas de desfibrilhadores automáticos externos (DAE) para que o cidadão comum, possa contribuir na abordagem de alguém que fique inconsciente e deixe de ter uma ventilação eficáz. Naturalmente que estes aspectos civilizacionais requerem métodos de intervenção e aprendizagem simples ao alcande da maioria.

Natureza no seu estado perfeito (Pulpit Rock-Stavanger-Noruega)

Já se imaginaram ao norte do mundo, onde a água é dona e senhora da mãe Natureza, onde tudo parece perfeito aos olhos de quem pisa terras do norte do hemisférios pela primeira vez? Esse lugar é aqui! Isto é, é lá, em plena montanha para lá do mundo civilizado. Isto é a Noruega no seu estado puro e belo, como só a experiência do olhar pode atestar e gravar na nossa memória, (para sempre) o cheiro, a cor e a impressão de que alcançámos o paraíso. Este pedaço de rocha é o Pulpit Rock-Stavanger-Noruega.

A minha viagem à Noruega foi rodeada de grande expectativa, pois queria participar na Oitava Conferência Internacional do Conselho Europeu de Ressucitação, que se realizou de 09 a 14 de Maio deste ano. Como era uma viagem de índole científico e de avultadas despezas tentei a todo o custo encontrar apoios e patrocínios para que o meu sonho se concretizasse. Lá fui conseguindo! Mas depois surgiu outro contratempo: não conseguia alojamento num raio de 50 Km do local da conferência, até que, uma grande amiga me referenciou para a TopAtlântic
o que, com toda a qualidade e competência me encontrou um Hotel a 15 km do centro de Stavanger. Voltei a respirar de alívio. Era a minha primeira vez ao norte mais a norte deste hemisfério. Após longas horas de voos lá cheguei a Stavanger, cerca de meia-noite. Apanhei um taxi e lá cheguei ao meu hotel. Fui recebido com uma extraordinária simpatia. Foi-me feita uma introdução ao hotel, modo de funcionamento, cartões e códigos de acesso. Tudo era informatizado! Quando entrei no quarto nem queria acreditar. O Hotel tinha o nome de site www.Smarthotel.no e o quarto não fugia à regra, era verdadeiramente smart. Aquela dimensão de quarto em qualquer hotel português faria despoletar a maior decepção e, nos mais nervosos, daria mesmo para pedir o livro de reclamações. Mas digo-vos, estava lá tudo: cama, TV com internet, cabides para a roupa, secretária e um WC geometricamente desenhado. O dia já ia longo e a cama prometia uma boa noite de sono. Quando senti sobre mim aquele edredon e a suavidade da almofada, achei que tinha entrado numa nuvem. É indescritível!

O dia que se seguia era prometedor pois , para conseguir uma melhor tarifa aérea fui um dia mais cedo o que me permitiu apanhar um ferry boat (transporte comum por aquelas paragens) e começar a explorar aquele pedacinho de terra esculpida pelas águas. Soberbo! Paisagens de sonho, natureza, céu e luz. Durante 3,5 horas naveguei por um dos muito fjords apreciando as paisagens aqui e ali recortadas por montanhas e polvilhadas por pequenas ilhas, a maioria habitadas, com gentes que saíam e entravam do ferry.
Depois seguiram-se os dias da conferência, o encontro com os amigos e conhecidos que foram chegando. Com excepção da alimentação (só salmão, saladinha e pão integral), tudo correu muito bem. As sessões científicas foram espectaculares. Aquela gente produz ciência no intervalo das conferências, isto é, reuniam-se numa abadia lindíssima a reflectir e a produzir conhecimento para apresentar no da seguinte. Nunca vi nada assim! No último dia estava previsto um passeio final ao Pulpit Rock. Tratava-se de uma excursão organizada por uma das empresas patrocinadoras do evento.
E lá fomos nós (para cima de 400) montanha acima durante cerca de 2 horas, com mochila às costas para, bem lá no alto, apreciar a mais bela paisagem que os meus olhos já viram a norte deste mundo, um precipício que se erguia das águas profundas do fjord e que descia verticalmente mesmo em baixo dos nosso pés, numa pendente com 600 metros de altura. O percurso foi difícil para muitos, pois o piso era mutio irregular e com inclinações acentudas (mas sempre acompanhado por técnicos da empresa organizadora que iam munidos, entre outra coisas, de desfibrilhadores automáticos externo para alguma eventualidade). Mas valeu a pena, pois para além da baixa temperatura que teimava em fazer-nos tremer de frio, a chegada lá acima foi abençoada com substâncias nutritivas e por um artista a solo que tocava Jazz, cuja sonoridade era projectada contra as paredes daquele rochedo, produzindo efeitos acústicos inesquecíveis. Para além disso, a imagem arrebatadora produzida por aquele fjord outrora escavado pelos glaciares, levava-nos o pensamento para a eternidade. Obrigado mãe-natureza.